Definição: «credencial»

Vamos ao médico


      Passei metade de vida a ouvir falar em credenciais passadas por este ou aquele médico. Para meu espanto, não é acepção que se encontre nos dicionários. Sendo assim, proponho ➜ credencial documento emitido por médico do Serviço Nacional de Saúde que autoriza um utente a realizar consultas, exames ou tratamentos em prestadores convencionados, servindo de requisição formal no âmbito dos acordos com o SNS.

[Texto 22 325]


Definição: «hélio»

Actualizemos os usos


      «Helium is famous for making balloons float, voices squeak, and as a critical resource for MRI machines and aerospace engineering. Helium is expensive and scarce, finding leaks quickly is essential, but that’s easier said than done because helium is also chemically inert and sensors, which usually rely on chemical reactors, have a tough time detecting it» («Study detects elusive helium gas leaks with sound waves», Vasudevan Mukunth, The Hindu, 29.01.2026, p. II). 

      Bem podemos, perante estes exemplos, actualizar e ampliar os usos do hélio. Assim, proponho ➜ hélio QUÍMICA elemento químico gasoso, incolor, inodoro e quimicamente inerte, com o número atómico 2 e o símbolo He, pertencente à família dos gases nobres; usado em criogenia (nomeadamente na refrigeração de ímanes supercondutores), no enchimento de balões e dirigíveis, em aparelhos de respiração para mergulho ou uso médico (como diluente do oxigénio), na detecção de fugas por espectrometria de massa, em processos industriais como a soldadura, na cromatografia de gases, em aplicações aeroespaciais e na investigação científica de fenómenos quânticos a baixíssimas temperaturas.

[Texto 22 324]


Léxico: «café comprido»

Curto ou comprido


      «Cheio e escuro» para long black é claramente invencionice, disparate, da tradutora. Black aqui significa tão-somente que não leva leite. Bem, uma das formas de o traduzir é por «café cheio» ou «café comprido», como também se ouve habitualmente, mas que a Porto Editora só regista num bilingue.

[Texto 22 323]


Definição: «capturar | capturável»

Grandes lacunas


      António José Seguro insiste: «Não sou capturável.» E que diz a Porto Editora na definição deste adjectivo? Pois «que se pode captar». Ora bolas! Já era dizer pouco se dissesse «que se pode capturar», porque depois neste verbete falta o sentido figurado correspondente, mas assim é infinitamente pior. Perante isto, proponho ➜ capturar verbo transitivo 1. apoderar-se de (alguém ou algo), geralmente por força ou astúcia; prender, apreender (ex.: capturar o inimigo; capturar um animal em fuga); 2. figurado exercer domínio ou influência sobre (alguém ou alguma instituição), geralmente com vista a interesses próprios ou particulares (ex.: grupos económicos que procuram capturar o Estado; políticos capturados pelo sistema). Quanto a ➜ capturável adjectivo de dois géneros 1. que pode ser capturado; susceptível de ser preso ou apreendido; 2. figurado susceptível de ser dominado ou instrumentalizado por interesses alheios, nomeadamente em contextos políticos ou institucionais (ex.: juiz capturável; sistema regulador capturável).

[Texto 22 322]

Léxico: «semiurgia»

Pois se o usamos


      «O livro tornou-se uma espécie de refém, algo que não tem já qualquer ação em si mesmo, que foi ocupado e soçobrou ao destino da mercadoria, incapaz de mover os ânimos e lhe opor qualquer resistência. Nesse movimento de estetização do mundo, o texto desagrega-se facilitando a sua transformação em imagens, a sua organização semiológica. Como nos avisava Baudrillard, “o que estamos a testemunhar, para além do materialismo mercantil, é uma semiurgia de todas as coisas através da publicidade, dos meios de comunicação social, das imagens. Até o mais marginal e o mais banal, inclusive o mais obsceno, é estetizado, culturalizado, museificado”» («Rentrée. O mutismo dos livros frente à orgia publicitária editorial», Diogo Vaz Pinto, «Versa»/Nascer do Sol, 26.09.2025, p. 16). 

      Podemos encontrá-lo em várias obras e por isso acho que está na hora de o dicionarizarmos. Assim, proponho ➜ semiurgia LINGUÍSTICA, SEMIÓTICA, TEORIA DA COMUNICAÇÃO actividade de produção de sentido mediante signos; operação discursiva, mediática ou simbólica que cria ou organiza um universo de significação próprio, por vezes autonomizado em relação à realidade empírica; processo através do qual discursos, imagens ou códigos constroem regimes de sentido e modelam a percepção do mundo.

[Texto 22 321]

Léxico: «falerística | farologia»

Outro perdido nas mudanças


      «Atualmente, além das reuniões dos associados nas secções de cada tema (Geografia, Cartografia, Migrações, História, Genealogia, Heráldica e Falerística, Ciências Militares, Estudos de Património, entre outras), das conferências, debates e almoços no restaurante que funciona nas instalações da SGL, pouco mais se sabe da atividade da Sociedade» («A casa que o tempo esqueceu», Christiana Martins, «Revista E»/Expresso, 31.10.2025, p. 29). 

      Mais uma lacuna nos nossos dicionários, pelo que, sem arrazoados ou delongas, proponho ➜ falerística HISTÓRIA, HERÁLDICA estudo sistemático das ordens honoríficas, condecorações, medalhas e demais distinções honoríficas, civis ou militares, quanto à sua origem, evolução histórica, simbolismo, critérios de atribuição e valor iconográfico. 

      Sem relação alguma com a anterior, mas importada do francês e bem implantada é ➜ farologia estudo técnico, histórico e patrimonial dos faróis, da sua arquitectura, funcionamento, evolução tecnológica e papel na navegação marítima.

[Texto 22 320]

Léxico: «bóia-torpedo»

Tão característica


      No Portugal em Rede, na RTP1, de segunda-feira, um nadador-salvador falou nos vários tipos de bóias que usa para realizar salvamentos, e entre elas estava a tão característica ➜ bóia-torpedo NÁUTICA, SOCORRISMO dispositivo de salvamento individual, geralmente de forma alongada e hidrodinâmica, fabricado em material plástico flutuante (como polietileno de alta densidade), com correias ou cordas para fixação ao corpo do nadador-salvador; é utilizado sobretudo em intervenções rápidas no mar ou em piscinas para alcançar e rebocar vítimas conscientes, permitindo ao socorrista manter as mãos livres para nadar e proporcionando estabilidade e flutuabilidade à vítima durante o resgate.

[Texto 22 319]

Definição: «urso-pardo | urso-negro-asiático»

Voltamos aqui


      Porto Editora, ainda manténs as definições de «urso-pardo» e de «urso-negro-asiático»? Então, repara nas incoerências: o urso-pardo é descrito como podendo «atingir cerca de 2,8 metros de comprimento e 1,5 metros de altura». Já o urso-negro-asiático, bem mais pequeno, «pode atingir cerca de 1,8 metros de altura». A questão impõe-se: estão ambas as alturas a referir-se à mesma posição corporal? E por que razão indicam comprimento e altura no primeiro caso, mas apenas altura no segundo? Se o urso-negro tem 1,8 metros de altura, o urso-pardo não pode ter apenas 1,5, a não ser que as medidas não estejam a ser usadas de forma coerente, o que parece ser o caso. Fica ainda por esclarecer se os 2,8 metros de comprimento atribuídos ao urso-pardo não reflectem apenas os maiores espécimes de subespécies como a Kodiak, pouco representativos da espécie no seu conjunto. A maioria das fontes aponta para um comprimento médio entre 1,8 e 2,1 metros. Assim, tanto os valores indicados como os critérios de medição carecem de revisão.

[Texto 22 318]

Arquivo do blogue