Definição: «urso-pardo | urso-negro-asiático»

Voltamos aqui


      Porto Editora, ainda manténs as definições de «urso-pardo» e de «urso-negro-asiático»? Então, repara nas incoerências: o urso-pardo é descrito como podendo «atingir cerca de 2,8 metros de comprimento e 1,5 metros de altura». Já o urso-negro-asiático, bem mais pequeno, «pode atingir cerca de 1,8 metros de altura». A questão impõe-se: estão ambas as alturas a referir-se à mesma posição corporal? E por que razão indicam comprimento e altura no primeiro caso, mas apenas altura no segundo? Se o urso-negro tem 1,8 metros de altura, o urso-pardo não pode ter apenas 1,5, a não ser que as medidas não estejam a ser usadas de forma coerente, o que parece ser o caso. Fica ainda por esclarecer se os 2,8 metros de comprimento atribuídos ao urso-pardo não reflectem apenas os maiores espécimes de subespécies como a Kodiak, pouco representativos da espécie no seu conjunto. A maioria das fontes aponta para um comprimento médio entre 1,8 e 2,1 metros. Assim, tanto os valores indicados como os critérios de medição carecem de revisão.

[Texto 22 318]

Léxico: «às boas ou às más»

Metade ficou no tinteiro


      «Trump dice que logrará Groenlandia “por las buenas o por las malas”» (María-Paz-López, La Vanguardia, 11.01.2026, p. 4). Às boas ou às más. Infelizmente, o dicionário da Porto Editora apenas acolhe, no verbete «bom», a locução às boas («amigavelmente»), esquecendo de registar o antónimo, às más, no verbete «mau». Não sei se não se devia registar também «às boas ou às más», porque é assim que normalmente se usa.

[Texto 22 317]

Como se pontua por aí

Um mal ibérico


      «En una tertulia televisiva se burlan de Kiko Rivera porque le ha escrito a una mujer con la que mantiene una relación sentimental una carta sin faltas de ortografía, “incluso con tildes”, lo que atribuyen a que se ayudó de la inteligencia artificial. Mientras los ortógrafos del corazón charlan, en la parte inferior de la imagen aparece este rótulo: “Kiko Rivera, enamora con la IA”. La coma entre el sujeto y el verbo confirma la validez del dicho “No escupas hacia arriba, que te puede caer en la cara”. Y que tire la primera piedra el que nunca haya sido reo de cacografía» («La ortografía у el amor», Francisco Ríos, La Voz de Galicia, 24.01.2026, p. 18). 

      Como hoje mesmo já vi (e corrigi) este erro, tão frequente, num texto, nunca é em vão que aqui, e em português ou em castelhano, se fala nestes erros crassos. Eles são bons é em matérias complexas; em coisas assim comezinhas espalham-se com vergonhosa frequência.

[Texto 22 316]

Léxico: «mineraleiro»

Pesquisada e não encontrada


      «No apogeu da exploração da Mina de São Domingos, iniciada em 1859, subiam o Guadiana navios com 95 metros de comprimento e cinco metros de calado, e chegaram a estacionar no Pomarão, ao mesmo tempo, 20 embarcações de 200 a 1500 toneladas. No dia 4 de Janeiro de 1965, desceu o Guadiana o último navio mineraleiro. Terminara a exploração de pirites na Mina de São Domingos. E nos percursos para passageiros, a última viagem foi efectuada pelo navio Mértola, em Setembro de 1960» («Era o Vendaval que ligava Mértola a Vila Real de Santo António. Acabou num destroço», Carlos Dias, Público, 19.09.2025, p. 22).

[Texto 22 315]


Léxico: «subinspecção»

Na prateleira


      Outra palavra que nos subtraíram foi... ora deixa cá ver a lista com centenas... foi subinspecção. Isto quando não se esqueceram de «subinspector». Assim, os subinspectores ficam sem trabalho.

[Texto 22 314]

Léxico: «síndrome de Truman»

Mas depois passa logo


      Sim, por vezes também me sinto um pouco afectado pela ➔ síndrome de Truman PSICOLOGIA perturbação delirante caracterizada pela convicção de que a própria vida está a ser filmada e transmitida como num reality show, levando o indivíduo a interpretar familiares, amigos ou desconhecidos como actores envolvidos num enredo oculto; denominação criada em 2008 pelos irmãos Joel e Ian Gold para descrever pacientes que acreditavam participar, à sua revelia, num programa que difundia o seu quotidiano, à semelhança do enredo do filme The Truman Show (1998), donde o inglês Truman syndrome. Mas depois passa logo.

[Texto 22 313]


Definição e etimologia: «noosfera»

Ora essa, importa sim


      Se querem saber, também não me parece nada bem que muitos dicionários não indiquem a etimologia correcta de «noosfera» e que definam menos bem o termo. Assim, proponho ➜ noosfera FILOSOFIA, HISTÓRIA DA CIÊNCIA conjunto das manifestações do pensamento humano sobre a Terra, considerado como uma camada ou esfera distinta da biosfera; corresponde à fase evolutiva em que a actividade intelectual consciente se torna força transformadora do planeta, articulando-se com a técnica, a ciência e as dinâmicas sociais e espirituais da humanidade. Quanto à etimologia, vem do francês noosphère (1927), termo cunhado por Édouard Le Roy, do grego noûs, noós, «mente, espírito», + sphaira, «esfera»; desenvolvido por Teilhard de Chardin e Vladimir Vernadsky no contexto da evolução da Terra como sistema.

[Texto 22 312]

Léxico: «grafémico | grafofonémico»

Precisamos destas


      «Não havendo correspondência grafofonémica entre o p de recepção e qualquer pronunciação de /p/ em português europeu (uma inaceitável arbitrariedade introduzida pelo AO90), a recepção passa a receção em português europeu e mantém-se recepção em português do Brasil. Este desprezo dos autores e defensores do AO90 pela realidade ortográfica do português europeu, com, por exemplo, o p de recepção a indicar uma excepção, com funções grafémicas, entre elas, uma função diacrítica, impedindo o fechamento (ou elevação) da vogal (átona) anterior (ou, nas palavras de Rebelo Gonçalves, exercendo “influência no timbre” da vogal anterior), fez com que entretanto se multiplicassem os casos de confusão, quer na leitura, quer na escrita, tanto do ponto de vista económico (“quatro países da Zona Euro entraram em *receção técnica”, CNN Portugal, 11 de Junho de 2023), como científico (“uma rotação para *otimizar a *recessão de luz sobre os painéis solares”, Lusa, 15/11/2014)» («O conhecimento ortográfico», Francisco Miguel Valada, Público, 24.01.2026, 20h00).

[Texto 22 311]

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