«Adega» e «trisneto»

Não haja dúvidas

      E por falar em Bic Laranja. Num comentário, assinado por Maria (mas, no cabeçalho, [s. n.]) a um texto sobre a pronúncia «adêga», lê-se: «Ainda bem que trás este tema a debate.» Prosseguiu, escrevendo: «Há uns dez anos, escrevi para um jornal sobre justamente estas aberrações fonéticas indesculpáveis.» O comentário tem data de anteontem, mas podia ter sido escrito antes de 1973: «sintàcticamente», «tònicamente», «òbviamente». Para remate, isto: «No mesmo canal [TVI24], creio que no mesmo dia, uma voz feminina pronunciou também em off: “... TRISNETOS”!!! Lindo, não haja dúvidas.»
      Pois é. «Adêga» não é pronúncia antiga nem aberrante. Vão por essas Beiras e ouçam as pessoas. Falem com a minha sogra ou com a minha mulher. (Não, agora não, é tarde.) Abram aí o Vocabulário da Língua Portuguesa, de F. Rebelo Gonçalves, na página 1030: estão a ver «trisneto» na coluna do meio? Será difícil perceber que, por analogia com «bisneto», se formou «trisneto»? Que tem como variante «tresneto» (registada na página 1025). Três, tris.
[Texto 981]
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