«Esplanada/terraço»
26.2.11
Era assim
«John Galliano foi detido pelas autoridades francesas na sequência de um incidente ocorrido no bairro judaico de Marais, situado em Paris. Várias testemunhas presenciaram o momento em que o famoso criador da Casa Dior se dirigiu a um casal, que se encontrava no terraço de um café parisiense, com expressões racistas e anti-semitas» («Dior suspende Galliano por comentários racistas», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 26.02.2011, p. 69).
Não sei quando se passou a designar por «esplanada» o que a jornalista chama «terraço», mas nas primeiras décadas do século XX era esta última a única que se usava. Seja como for, vêm ambas, directa ou indirectamente, do francês, mas «esplanada» não traz nenhuma ambiguidade. A jornalista usou o vocábulo pela mais óbvia das razões: a imprensa de língua inglesa que refere o incidente usou a palavra «terrace». Um mero exemplo, no Guardian: «The flamboyant designer, who is head of the French couture house Dior, was arrested in the Marais district after allegedly verbally accosting a couple sitting on a cafe terrace.» Já temos sorte que não tenha escrito «estilista flamboiã»…
[Post 4492]
edit
1 comentário:
Não trocaria minha língua e a de meus antepassados (todos) por nenhuma outra, mormente o inglês, a mais deturpada das germânicas e, por isso, a de menos identidade. Quis apenas mostrar como é difícil não absorver empréstimos, adaptando-os ou não à nossa língua. Quanto a esplanada, basta ver a acepção 3 do Houaiss, a vossa, e a acepção 1, a nossa. E The Guardian não me daria emprego; meu inglês é macarrônico (vocábulo da língua portuguesa desde 1593).
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