Redacção
13.1.11
Complicando
Etiquetas
Revisão
«A dobradiça de uma das portas do armário tinha sido quebrada durante a busca e ela pendia agora torta nos gonzos» (Crimes, Ferdinand von Schirach. Tradução de João Bouza da Costa e revisão de Clara Boléo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2010, p. 83).
Claro que sempre podemos complicar a frase com mais sinónimos: «A dobradiça de uma das portas do armário tinha sido quebrada durante a busca e ela pendia agora torta nos gonzos. As portas, que tinham quatro bisagras, ficariam agora definitivamente desiguais, pois já não se fabricavam borboletas daquelas. A fábrica de charneiras, onde tinha trabalhado um tio, fechara há muito. “Que porra!”, pensou Samir. “Agora vou ter de fazer eu um engonço novo na oficina do meu primo. Se a miúda vê que a chumaceira está partida, estou tramado.” Lembrou-se então que tinha alguns gínglimos na arrecadação, e foi para lá que se dirigiu. Procurou na caixa e não encontrou nenhuma macha-fêmea que se assemelhasse, ainda que vagamente. “No baú!” Encontrou um mancal que não destoava muito. Grato, deu um beijo sonoro no quício.»
[Post 4317]
edit
4 comentários:
Antes de mais, venham lá exemplos clássicos, caro Jorge da Mata, se faz favor.
- Montexto
Mas, realmente, sempre a complicar e a encarecer: «Chancelar a morte do militar em rodapés a correr e baixos de página e atribuírem-se honras de Estado… mediático ao assassinato do cronista (não cronista social como alguns lhe chamam, como se Carlos Castro e Fernão Lopes fossem páginas do mesmo livro) e às incidências macrotrágicas em que foi encontrado o seu corpo […]», António de Sousa Duarte, «Público», de 12.01.2011, p. 33.
«Macrotrágicas!»
Os Gregos a um homem que matou o pai, casou com a mãe, com quem teve filhos, e, ao saber que o assassinado era seu pai, a mulher sua mãe, e os filhos seus irmãos, vazou os olhos e, sendo rei, abdicou e exilou-se, chamaram trágico, simplesmente... Mas os Gregos foram clássicos; nós, eternamente barrocos.
(E deixai lá os venerando manes do velho Fernão Lopes em paz!)
- Montexto
Não sei a que se refere esse pedido de explicação. Na impossibilidade de sair à procura de exemplos, valha-nos, por ora, de muleta, a resposta n.º 16858 do sítio Ciberdúvidas, que tantas vezes foi invocado como argumento de autoridade.
Embora ali não se teçam muitas considerações em defesa da questão, pode-se ver que é mais aceito e difundido do que supunha o Montexto.
Deve ser qualquer coisa relacionada a inserção de endereços eletrônicos.
Enviar um comentário