Colchetes
6.1.11
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«Antes dele, o snooker [bilhar] era um jogo sombrio, disputado debaixo de muito fumo e álcool, em clubes nocturnos de qualidade duvidosa» («O polémico ‘Furacão’ que se tornou estrela de ‘snooker’», Rui Marques Simões, Diário de Notícias, 26.07.2010, p. 41).
Os colchetes são de Rui Marques Simões? Sim? Então foram indevidamente utilizados. E, por outro lado, a explicação não devia dizer que o snooker é uma variedade de bilhar? E o sinuca é uma variedade de snooker, como se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ou uma variedade de bilhar? Sinuca, como aportuguesamento de snooker, faz lembrar chulipa, aportuguesamento de sleeper, e chumeco, aportuguesamento de shoemaker.
[Post 4281]
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2 comentários:
Eu diria que sinuca é propriamente um abrasileiramento de snooker. Os brasileiros em geral, por força de hábitos prosódicos, têm alguma dificuldade em reproduzir certas sequências consonânticas do inglês, tendendo a dissolvê-las por meio da inserção de uma vogal. Daí os abrasileiramentos do género de esnobe, estresse, estafe e outros que tais. Não é incomum ouvir-se essa prosódia quando um brasileiro fala em inglês, pronunciando por exemplo estríti em vez de street. Um aportuguesamento de snooker no Portugal atual daria porventura senúquer ou snúquer, nunca sinuca.
Nos velhos tempos em que eu jogava bilhar com alguma assiduidade, havia apenas o snooker (com 15 bolas vermelhas, 7 numeradas, e 1 branca), o bilhar livre e o bilhar às três tabelas. Mais tarde, apareceu em Portugal uma modalidade de bilhar a que se chamou nessa altura bilhar/snooker americano, com duas séries de bolas todas numeradas, vulgo as grandes e as pequenas conforme a respetiva numeração, e que era jogado numa mesa de bilhar de dimensões reduzidas relativamente à mesa do snooker tradicional. Atualmente, não sei qual seja a nomenclatura usada entre os bilharistas.
- Alberto Sousa
Diga-se porém que sempre foi próprio do aportuguesamento de palavras como «stress» e «snob» o acrescento do «e» inicial, e os Brasileiros, dizendo «estresse» e «esnobe», só estão a seguir o pendor e génio do idioma, ao invés de nós, que nestas e noutras muitas o afrontamos.
Hoje praticamente nos rendemos aos exotismos, mormente às ingresias, que figuram intocáveis e tais quais nos nossos dicionários como empréstimos, o que demonstra (se preciso fosse) à saciedade (e à sociedade) que já carecemos de defesas, digamos, orgânicas e de força para os absorver, transformar e adaptar à índole da língua.
— Montexto
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