Pronúncia
8.12.10
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Pronúncia
Rui Pereira, ministro do Interior, perdão, da Administração Interna, estava hoje de manhã em Tomar, «no terreno», para avaliar os danos causados pelo minitornado. O repórter Paulo Brás, da Antena 1, acompanhou a visita e disse que o ministro acabara de fazer um «breve briefing com as autoridades». Rui Pereira quis manifestar o seu apreço pelo trabalho da Protecção Civil e da Câmara Municipal e garantiu que iria ser accionado o fundo de emergência municipal e que iria falar com o ministro da Economia para que o IAPMEI «acorresse a quaisquer necessidades». E como pronunciou o vocábulo «economia»? Pois claro, ¦ikunumía¦. Quem fala assim, por favor, levante o dedo.
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14 comentários:
Não, Fernando, digo ¦ikonumía¦.
Eu digo /ekonomía/ mesmo.
Por lógica queria significar as regras (da fonética) que cada um segue. Apenas isso.
Terceiro Anónimo do dia,
Eu digo ikuluƺía.
E aproveito para perguntar ao Helder qual a razão (eventualmente analógica)do seu diferente tratamento do primeiro e do segundo O átono em ikonumía.
Aqui, suponho que com o visa o O "aberto", habitualmente indicado como ɔ. É que, se não, temos um problema bicudo: o dum O "fechado" átono (não u) no Português Europeu.
Eu também digo ikuluƺía. A forma como profiro as palavras não está inteiramente submetida a esse rigor que me faz ver que o valor das vogais é exactamente igual nas duas palavras em discussão. Não sou um falante isolado, integro-me numa comunidade linguística, e nesta oiço claramente o o (habitualmente indicado como ɔ, sim) na palavra «economia». Aqui está, em toda a sua singeleza, a pedir ser atacada, o motivo por que profiro de forma diferente aquelas palavras. Não me escapa, naturalmente, que alguns falantes — que conto pelos dedos de uma mão — pronunciam ikunumía.
O mesmo se passa, e já aqui dei conta disso, com a palavra euro. Bem sei que há, aqui, outra ordem de razões (mesmo que de uma forma inconsciente) a dividir os falantes, mas quem é que a pronuncia euru, como meras razões analógicas levariam a fazer?
Boa pergunta, Helder.
Quem pronuncia êuru são os brasileiros.
Nós fazemo-lo com O final átono «aberto», à imagem de foto, hétero, homo e semelhantes. Como se de palavra abreviada se tratasse.
Para a petite histoire: em 2001, quando se preparava a entrada do euro, foi feito um filmezinho publicitário (lindo, por sinal), a nível europeu. A voz (off) portuguesa seria a minha (como é, desde há anos, a dum popular sistema GPS). Pois bem, todo eufórico, pronunciei sistematicamente «êuru» na sessão de gravação. Escolheram outra voz... Mas pagaram-me o trabalho.
Na minha opinião, os demais exemplos assinalados (euro, foto, hétero, homo, expo) resultam de truncamentos, e como tal têm a sua "lógica" própria. Quanto a metro, eu pronuncio | métru |, sem hesitar. Os casos de economia e ecologia não caem naquela categoria, e não vai ser por causa de uma eventual maioria pronunciar | ikonumía | que eu também o vou fazer. As regras são para respeitar. Logo, uma vez que pronuncio | ikulugía |, devo pronunciar | ikunumía |. Se fossemos pelas maiorias, estaríamos todos hoje a pronunciar | diospíru | em vez de | dióspiru |, ou | periúdu | em vez de | períudo |, casos que já foram referidos neste blogue. Eu tive de, certamente com alguma dificuldade, forçar-me a mudar a minha pronúncia de certos vocábulos para respeitar um critério lógico (ou regra fonética). Às vezes custa-me. Outras vezes, faz-me impressão. Mas tem de ser, a bem da coerência.
Ao último anónimo: metro é tão truncamento como os demais que referiu. Logo, pelo menos neste caso, segue ordeiramente a maioria e não uma pretensa lógica, com ou sem aspas.
Erro no meu último comentário: ficou «fossemos» em vez de «fôssemos». Peço desculpa.
Em tudo isso, de alguma gravidade para mim há somente aquele «se não» de Venâncio.
— Montexto
Certo. Mas, quanto maior a qualidade da pessoa, maior a nossa exigência.
- Montexto
Helder,
Creio que o Último Anónimo respondeu acertadamente: metro (pron. métru) já existia noutra acepção.
Já expo pronuncio com O «aberto».
Pois respondeu, pelo menos se considerarmos que é assim por mera coincidência da palavra plena com a palavra truncada. Ou não é assim? Quanto a expo, que também pronuncio com o aberto, apenas a referi porque nem todos os falantes a pronunciam da mesma maneira.
Percebe, Venâncio. Mas parece-me que nesses casos se impõe «senão» significativo de «de outra forma», «aliás», «quando não». Há aí um matiz que escapa facilmente. Remeto «brevitatis causa» para a resposta do Ciberdúvidas n.º 22340: «Senão dif. de se não», bastante elucidativa, quanto a mim.
- Montexto
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