22.1.26
Os primeiros nesta nova casa
«Mais de um terço dos médicos com horas extras tinha atingido limite anual em Novembro» (Ana Maia, Público, 15.01.2026, 7h01).
[Texto 22 278]
Estão desactualizados
«El problema es real y el futuro, angustioso. ¿Qué hacer? Además de reducir la ingesta de antibióticos, prosiguen las investigaciones para hallar un arma contra estas superbacterias. Y aquí aparecen unos virus buenos, los fagos, que “destruyen” a las poderosas bacterias. ¿Cómo? Desde dentro, infectándolas. [...] Además, [María del Mar] Tomás [da Sociedad Española de Enfermedades Infecciosas y Microbiología Clínica (SEIMC)] señala que la fagoterapia presenta una baja toxicidad y que puede utilizarse como adyuvante del tratamiento antibiótico, pues los fagos tienen una acción sinérgica con los antibióticos» («Recuperan los fagos, virus descubiertos el siglo pasado, para matar superbacterias», Celeste Lopéz, La Vanguardia, 10.01.2026, p. 26).
Este excerto mostra bem como podemos enriquecer e descomplexificar a definição de ➔ fago BIOLOGIA vírus que infecta exclusivamente bactérias, introduzindo o seu genoma no interior da célula hospedeira e recorrendo aos mecanismos de transcrição e tradução bacterianos para produzir novas partículas virais; a infecção pode seguir um ciclo lítico (com lise celular) ou lisogénico (com integração do genoma viral no cromossoma bacteriano). E é evidente que se tem de registar uma primeira acepção, a moderna, de ➔ fagoterapia 1. MEDICINA tratamento de infecções bacterianas mediante a utilização de vírus bacteriófagos (ou fagos), seleccionados por atacarem especificamente a bactéria causadora da infecção.
[Texto 22 277]
Ninguém pensa neles
«É tudo verdade. Em 1981, a Beselga tinha 556 habitantes, e a queda tem sido contínua. Os censos de 2021 registaram 270 beselguenses: dez crianças até aos 14 anos, e 11 vezes mais idosos. Desde então, até 2024, morreram 19 residentes. Nasceram dois» («“Vale mais ganhar 800 euros aqui do que 2.000 em Lisboa”. Penedono pede empregos para não perder mais jovens», Beatriz Pereira e João Pedro Quesado, Rádio Renascença, 14.01.2026, 6h30).
[Texto 22 276]
Só isto
«Na mesma sessão, foi apresentado o relatório final do estudo técnico para avaliação de danos ambientais e medidas de mitigação, adjudicado pela AdCL ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (Cesam) da Universidade de Aveiro. O documento propõe a redundância operacional de infra-estruturas, nomeadamente de drenagem e elevação, a requalificação hidromorfológica e ecológica do rio, a redução de pressões sobre a qualidade da água e a implementação de um plano de monitorização abrangente e mais vasto» («ETAR junto ao rio Lis recebe dois milhões de euros para melhorar tratamentos, mas problema está a montante», Público, 16.01.2026, 17h36).
[Texto 22 275]
Depois da gripe, constipação
«Muitas pessoas de várias culturas crescem a ouvir que o frio nos deixa doentes. Sair de casa sem casaco, respirar ar frio, dormir num quarto frio, ser apanhado na chuva fria ou na neve, ou simplesmente sentir-se com frio são, frequentemente, responsabilizados por causar constipações ou gripe. [...] Constipações e gripes são causadas por vírus, não por ar frio. Vírus como os rinovírus, que causam o constipado comum, e os vírus da gripe transmitem-se de pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias ou contacto físico, independentemente da temperatura exterior» («Por que é que há tantas infeções no inverno se o frio não provoca gripe?», Rádio Renascença, 17.01.2026, 10h00).
Temos de começar por tirar esta ideia errónea dos dicionários, o que também contribuirá, pouco que seja, para que acabe por sair da cabeça das pessoas. Assim, proponho ➔ constipação MEDICINA infecção viral benigna das vias respiratórias superiores, especialmente da mucosa nasal e faríngea, geralmente causada por rinovírus ou coronavírus sazonais, caracterizada por congestão nasal, espirros, corrimento e obstrução nasais, dor de garganta, tosse ligeira e sensação de mal-estar geral; tem duração limitada (3 a 10 dias), contágio elevado e ocorrência mais frequente nos meses frios, não por acção directa do frio, mas por factores comportamentais e imunológicos associados; resfriado comum.
[Texto 22 274]
É todos os dias
Apesar de já constar nos dicionários como adjectivo relacionado com posse ou titularidade, o termo «proprietário» ganhou, nas últimas décadas, um uso técnico muito específico nos domínios da informática e da electrónica de consumo. Multiplicam-se os exemplos nos meios de comunicação (acabei de o ouvir na Rádio Observador) e na linguagem corrente — carregador proprietário, software proprietário, formato proprietário —, com um sentido que não se confunde com o da mera propriedade legal. Trata-se, antes, de produtos cuja utilização é limitada pela entidade que os desenvolve, impedindo a compatibilidade com sistemas ou dispositivos concorrentes. Essa acepção, hoje banal, continua ausente dos dicionários gerais da nossa língua. Assim, proponho ➔ proprietário adjectivo INFORMÁTICA, TECNOLOGIA (software, sistema, carregador, etc.) desenvolvido por uma empresa que impõe restrições ao uso, modificação ou compatibilidade, impedindo a interoperabilidade com produtos concorrentes; opõe‑se a «aberto» ou «normalizado».
[Texto 22 273]
Ia jurar que o tinhas
«As páginas digitalizadas são incorruptíveis, mas também imortais demais para se nos imporem. São a memória depois da memória, e talvez seja esse o sinal do tempo: já não procuramos algo que está para lá das nossas previsões, já não entramos na biblioteca para sermos absorvidos, mas para confirmar que o que existe é recuperável, arquivável, imediatamente disponível» («A Biblioteca Joanina dos dois lados do espelho», Diogo Vaz Pinto, «Versa»/Nascer do Sol, 17.10.2025, p. 15).
[Texto 22 272]
Vamos explicar isto melhor
«In weather science, ‘visibility’ is a colloquial term for a quantity called the meteorological optical range. It’s defined as the distance a beam of light can travel through the atmosphere before its intensity drops to 5% of its original value» («Visibility: light’s right of way», Vasudevan Mukunth, The Hindu, 19.01.2026, p. 11).
Lá temos de aprender com os Indianos o que é visibilidade neste sentido, que a Porto Editora define assim: «qualidade da atmosfera que permite ver a uma distância maior ou menor». Qualidade? Sendo assim, proponho ➔ visibilidade METEOROLOGIA distância máxima a que um observador consegue distinguir um objecto suficientemente contrastante contra o horizonte, em condições normais de iluminação, ou distância a que a intensidade de um feixe de luz se reduz para 5 % do valor original ao atravessar a atmosfera; parâmetro que reflecte a transparência do ar e é afectado por fenómenos como nevoeiro, fumo, poeiras ou poluição, podendo ser determinado por métodos visuais ou instrumentais.
[Texto 22 271]