«Evocar/invocar»
12.1.11
Culpem a polícia
Etiquetas
Confusões
«Por fim, combinámos que eu informava a polícia sobre a recuperação da taça e dos relógios. Naturalmente, Tanata não me perguntou quem tinham sido os autores, assim como eu me abstive de lhe perguntar sobre Pocol e Wagner. Só a polícia colocou questões; eu pude evocar a minha obrigação profissional de guardar segredo para proteger os meus clientes» (Crimes, Ferdinand von Schirach. Tradução de João Bouza da Costa e revisão de Clara Boléo. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2010, p. 39).
A polícia às vezes faz grandes estupidezes, e essa de «colocar as questões» é mais uma. Se isto já chegou aos livros revistos, é porque estamos mesmo perdidos. E o narrador, que é advogado, a «evocar a obrigação profissional de guardar segredo», também não é coisa inesperada — só errada. E palavrosa. Invocar, queriam o tradutor e a revisora escrever. E aqui o segredo pode transmutar-se em sigilo.
[Post 4313]
edit
3 comentários:
Ora aqui está, bem a propósito: «Nada de Cultura», programa inaugural a passar agora mesmo na TVI 24, 13.01.2011, 1 hora e pouco da manhã: acabo de ouvir a Francisco José Viegas: «A mesma questão coloquei ao ...», etc.
Bem sei que foi em diálogo, mas na escrita e nos artigos e nos livros é a mesma coisa: fartam-se de «colocar». Todos «colocam», como dantes disse o velho Francisco de Quevedo das galinhas e das mulheres: que todas põem, umas ovos, outras cornos.
- Montexto
Dou-me já por sortalhudo quando o Viegas e quejandos colocam a questão. O que me desepera é que a idiotia vigente já chegue a ponto de não atribuir ou atribuir, nem (vá lá) sequer colocar recursos, e em vez disso dê em alocar.
Cumpts.
... atribuir ou distribuir...
Cumpts.
Enviar um comentário