Definição: «urso-pardo | urso-negro-asiático»

Nada de exageros


      «La población de plantígrados de Japón se ha cuadruplicado desde el 2012 y se eleva a unos 55.000, siendo la mayoría osos negros asiáticos que pesan hasta 130 kilos, y unos 12.000 pardos, más voluminosos (pueden alcanzar los 400 kilos). A su incremento ha contribuido el hecho de que hay cada vez menos cazadores con licencia para matarlos, debido al envejecimiento de la población y a que los jóvenes se van del campo a las ciudades» («Los osos japoneses no son cariñosos», Rafael Ramos, La Vanguardia, 9.01.2026, p. 11). 

      Estão ambos os verbetes a precisar de uns reajustes no dicionário da Porto Editora, como poderão comprovar, sobretudo para eliminar os manifestos exageros quanto ao urso-pardo. Assim, proponho ➔ urso-pardo ZOOLOGIA (Ursus arctos) espécie de urso de grande porte, com várias subespécies distribuídas pela Europa, Ásia e América do Norte, de pelagem castanha em tons variados (do bege ao castanho-escuro); apresenta hábitos solitários e alimentação omnívora, podendo atingir entre 1,8 e 2,1 metros de comprimento e pesar em média cerca de 200 quilos, embora os maiores espécimes ultrapassem os 600. Quanto ao ➔ urso-negro-asiático ZOOLOGIA (Ursus thibetanus) espécie de urso de médio porte, com distribuição alargada pela Ásia temperada e tropical, do Irão ao Japão e Sudeste Asiático, de pelagem negra com mancha branca em forma de V no peito; apresenta hábitos solitários e alimentação omnívora, podendo atingir até 1,8 metros de comprimento e pesar entre 100 e 150 quilos.

[Texto 22 284]


Definição: «extrema-direita»

Vamos lá abrir os olhos


      «A escassos dias de ser detido, a 14 de Janeiro de 2025, o então deputado do partido populista de direita radical enviou a Ana Arruda fotos de umas sapatilhas Adidas, de um par de sapatos de vela e de umas botas de salto baixo que tinha encontrado numa mala verde, cujo conteúdo haveria mais tarde de ser avaliado em perto de 5500 euros» («Miguel Arruda acusado de 21 crimes. Mulher bem o avisou: “Sabes que há câmaras nos aeroportos?”», Ana Henriques, Público, 9.01.2026, p. 15).

      Este debate já decorreu noutras sociedades: como definir extrema-direita? A definição da Porto Editora — «corrente política de valores conservadores radicais» — é insatisfatória porque reduz a extrema-direita a uma intensificação do conservadorismo, sem referir aspectos fundamentais como o autoritarismo, o nacionalismo étnico ou a exclusão de minorias. Assim formulada, torna-se quase indistinguível de outras correntes ideológicas que também podem ser radicais mas não partilham o mesmo pendor antiliberal ou reaccionário, como o ultraconservadorismo religioso, o libertarismo económico extremo ou o tradicionalismo moral. Ao evitar qualquer referência ao autoritarismo, à rejeição do pluralismo ou à hostilidade identitária, a definição esvazia o conceito e impede o seu reconhecimento enquanto fenómeno político concreto e historicamente documentado. Antes que eles tomem conta disto tudo, proponho ➔ extrema-direita POLÍTICA corrente ideológica ou movimento político caracterizado pela rejeição da democracia liberal, pela exaltação da autoridade, pela hostilidade em relação às minorias e aos estrangeiros, pela glorificação da nação ou da raça, e pelo recurso sistemático a discursos de exclusão ou de medo.

[Texto 22 283]


Léxico: «lampreia | à bordalesa»

O chefe manda


      Disseram-me, que eu não vi, que um chefe (também conhecido como chef por certos portugueses) foi à Praça da Alegria, na RTP1, ensinar a fazer lampreia à bordalesa e que definiu este simpático ciclóstomo como nem os lexicógrafos, assim ➔ lampreia/lampreia-de-rio ZOOLOGIA (Lampetra fluviatilis) espécie de peixe ciclóstomo anádromo da família Petromyzontidae, com corpo alongado, cilíndrico e sem escamas, pele viscosa de coloração acastanhada com tons esverdeados, boca em ventosa circular com dentes córneos e sem barbatanas pares; durante a fase larvar (amocete), vive enterrada nos sedimentos dos rios como filtrador; após a metamorfose, desloca-se para o mar ou zonas estuarinas, onde parasita outros peixes, fixando-se à sua pele para se alimentar de sangue e tecidos; atinge entre 25 e 40 cm de comprimento, podendo excepcionalmente ultrapassar esse valor, e regressa aos rios para desovar, após o que geralmente morre.

      O chefe não explicou (nem os dicionários o fazem) o que significa «à bordalesa», mas explicamos nós assim ➔ à bordalesa GASTRONOMIA diz-se do modo de confeccionar a lampreia com vinho tinto, cebola e sangue, inspirado na tradição culinária de Bordéus.

[Texto 22 282]


Léxico: «ceira»

Mas veio em boa hora


      Mas os erros também nos fazem avançar; pessoalmente, prefiro aprender com os erros dos outros, e neste aspecto tenho tido sorte. É verdade que «ceira» já foi sinónimo de «seira», mas apenas, como se lê, e bem, no Houaiss, até ao século XVIII. Mas há outra acepção de «ceira», e aquele dicionário também a acolhe, que importa continuar a estar registada nos dicionários (a Porto Editora diz estar brevemente disponível) de hoje em dia ➔ ceira METROLOGIA (Índia) unidade tradicional de massa usada no subcontinente indiano, correspondente ao termo inglês seer (do hindi sīr), com valor variável segundo a região e a época (cerca de 0,93 kg no período colonial britânico); encontra-se atestada com esta grafia no Glossário Luso-Asiático de Dalgado (1919), com a forma portuguesa arcaica cer.

[Texto 22 281]

Léxico: «seireiro»

Com dois, mais erros


      «A mudança desse método em meados do século passado levou a produção a cair, e fez os ceireiros [sic] — os artesãos da junça — sair da Beselga à procura de trabalho» («“Vale mais ganhar 800 euros aqui do que 2.000 em Lisboa”. Penedono pede empregos para não perder mais jovens», Beatriz Pereira e João Pedro Quesado, Rádio Renascença, 14.01.2026, 6h30).

[Texto 22 280]

Léxico: «seta de Moylan»

E se aprendêssemos alguma coisa nova?


      Isto conta-se numa penada: certo dia, James N. Moylan (1944-2025), engenheiro da Ford, parou para abastecer e não sabia de que lado ficava o depósito. De volta ao trabalho, esboçou a solução: um pequeno símbolo no painel, junto ao ícone do combustível, que indicasse o lado certo. Propôs a ideia em Abril de 1986, primeiro com o desenho de um carro visto de cima, e a equipa transformou-o numa seta simples. Em 1989, os primeiros modelos com o novo sinal chegaram ao mercado. Assim, proponho ➔ seta de Moylan AUTOMOBILISMO pequeno triângulo ou seta junto ao ícone do depósito de combustível no painel de instrumentos de muitos automóveis modernos, indicando de que lado (esquerdo ou direito) se encontra o bocal de abastecimento; embora menos comum em veículos eléctricos, pode também surgir junto ao indicador de carga para assinalar o lado da porta de carregamento.

[Texto 22 279]

Extras! Extras! Extras!

Os primeiros nesta nova casa


      «Mais de um terço dos médicos com horas extras tinha atingido limite anual em Novembro» (Ana Maia, Público, 15.01.2026, 7h01).

[Texto 22 278]

Léxico: «fago | fagoterapia»

Estão desactualizados


      «El problema es real y el futuro, angustioso. ¿Qué hacer? Además de reducir la ingesta de antibióticos, prosiguen las investigaciones para hallar un arma contra estas superbacterias. Y aquí aparecen unos virus buenos, los fagos, que “destruyen” a las poderosas bacterias. ¿Cómo? Desde dentro, infectándolas. [...] Además, [María del Mar] Tomás [da Sociedad Española de Enfermedades Infecciosas y Microbiología Clínica (SEIMC)] señala que la fagoterapia presenta una baja toxicidad y que puede utilizarse como adyuvante del tratamiento antibiótico, pues los fagos tienen una acción sinérgica con los antibióticos» («Recuperan los fagos, virus descubiertos el siglo pasado, para matar superbacterias», Celeste Lopéz, La Vanguardia, 10.01.2026, p. 26). 

      Este excerto mostra bem como podemos enriquecer e descomplexificar a definição de ➔ fago BIOLOGIA vírus que infecta exclusivamente bactérias, introduzindo o seu genoma no interior da célula hospedeira e recorrendo aos mecanismos de transcrição e tradução bacterianos para produzir novas partículas virais; a infecção pode seguir um ciclo lítico (com lise celular) ou lisogénico (com integração do genoma viral no cromossoma bacteriano). E é evidente que se tem de registar uma primeira acepção, a moderna, de ➔ fagoterapia 1. MEDICINA tratamento de infecções bacterianas mediante a utilização de vírus bacteriófagos (ou fagos), seleccionados por atacarem especificamente a bactéria causadora da infecção.

[Texto 22 277]

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