10.3.11
Outros ilhéus
«As ilhas surgiram no Porto, no início do século XIX, e são uma tipologia específica de habitação operária, onde o espaço privado quase não se distingue do público. Espaços colectivos, fechados sobre si mesmos, com infra-estruturas deficientes, que tiveram a sua génese na necessidade de albergar a população carenciada e que persistem até aos nossos dias. Ninguém sabe ao certo quantas existem, mas um estudo de 2001 apontava para 1300» («‘Ilha’ quer receber tribos urbanas», Joana de Belém, Diário de Notícias, 6.03.2011, p. 27).
Já aqui falei uma vez deste conceito. Volto ao assunto, agora pelas palavras de Agostinho de Campos: «¿E o sentido portuense da palavra ilha = “espécie de bêco cercado de pequenas habitações para gente de poucas posses”? Gonçalves Viana menciona-o sem o explicar, limitando-se a classificá-lo de significado particularíssimo.
Particularíssimo, de-certo. Mas parece que também antiquíssimo, e de boa estirpe latina. Pompeius Festus, lexicógrafo venerável que viveu no século III, atribui a insula o sentido de casa isolada; Cícero, no De Senectude, emprega insula com a significação de casa (ou grupo de casas) de aluguer, e fala em insularum domini como quem diz donos ou senhorios de ilhas — de ilhas à moda do Pôrto, para habitação de gente pobre» («Os belos charutos e as míseras “ilhas” do Pôrto», in Língua e Má Língua. Lisboa: Livraria Bertrand, 1944, p. 34).
[Post 4548]
➤
5 comentários: