Como se escreve nos jornais
30.4.11
O do triunvirato
«O anúncio do grupo francês surgiu a poucas horas do início da cimeira bilateral entre a Itália e a França, em Roma, que promete ficar ensombrada por esta jogada gaulesa nada desejada pelo Governo romano» («Lactalis lança OPA à Parmalat para reagir a lei de Berlusconi», Carla Aguiar, Diário de Notícias, 27.04.2011, p. 34).
«Governo romano»: pensamos logo em Marco António, em Lépido e em Octávio, por exemplo. É uma figura de estilo, bem sei, mas vai a par do uso imoderado do termo «luso» na imprensa gratuita. «Jogada gaulesa» é outro produto do excesso de imaginação.
[Post 4736]
edit
4 comentários:
Mais: no livro da viagem de Edith Wharton por Marrocos, publicado pela Europa-América, nem uma só vez atinam com a grafia do topónimo.
O erro a fazer lei, como aliás sempre costumou, e ao presente se reforçou.
- Mont.
Na Enciclopédia Portuguesa e Brasileira ainda se escreve Marráquexe, mas em quase todos os prontuários e enciclopédias recentes o acento evaporou-se. O Novo Prontuário Ortográfico, de José M. Castro Pinto, na edição de 2010, regista Marraquexe, e numa nota refere-se a «variante» Marráquexe e a informação de que a tendência é para usar aquela e não esta. A Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, «Edição Século XXI», só regista Marraquexe. A 50.ª edição do Prontuário Ortográfico de Neves Reis e Magnus Bergström, da Casa das Letras, agora já adaptado para a nova ortografia, só regista Marraquexe.
Mas, apesar de moderno, ainda vai havendo quem de vez em quando lembre e se lembre das formas correctas:
«. INCORRECTO Marrakesch, Marrakex /ké/
. CORRECTO Marráquexe /rrá/ (R[ebelo] G[onçalves])».
«Prontuário», de D'Sivas Filho, Texto Editores, 2000, 3.ª ed., p. 68.
- Mont.
E mais: «Marráquexe»: Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, Bertrand, 1996, 25.ª ed., p. 2753.
— Montexto
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