Definição: «gorila-das-montanhas»

Só que pode estar melhor


      «The mountain gorillas were already restricted to a handful of forest fragments. Hunting alone caused the Virunga gorilla population to drop from 400-500 individuals in 1960 to 260-290 during Amin's regime» («Gorillas are what we want to be, says Gladys Kalema-Zikusoka», M. Nobinraja, The Hindu, 3.02.2026, p. II). 

      Só esta informação, entre outros dados do artigo, já contribuirá para melhorar a definição de ➜ gorila-das-montanhas ZOOLOGIA (Gorilla beringei beringei) subespécie do gorila-do-oriente que habita florestas montanhosas entre 2200 e 3900 metros de altitude, nas regiões de Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo; distingue-se pela pelagem espessa, negra e comprida, e por viver em grupos familiares coesos; é a mais rara das subespécies de gorila, com uma população inferior a mil indivíduos.

[Texto 22 349]

AOLP90 ainda por assimilar

Oh, Luís, que desilusão


      «Foi no gabinete de José Guerreiro que alguém abriu a boca e propôs o nome que agora é maldito. Parecia inofensivo, era internacional e ninguém se chatearia. Ao presidente do IPMA pareceu-lhe bem. Ligou aos colegas europeus e todos aprovaram que seria menina a tempestade que os meteorologistas do sul da Europa previram que chegaria mais pujante a Portugal do que a qualquer outro lugar. O “K” não é letra do alfabeto que conheçamos, mas é rabisco obrigatório em quase todo o lado e funcionou como álibi, assim ninguém se chatearia por ter o seu nome associado a uma vingança... mesmo que da natureza» («O pai de Kristin é português», Luís Osório, Diário de Notícias, 3.02.2026, p. 4).

      E é logo um adepto desta ortografia avariada que vem dizer isto, que o k (porquê a maiúscula?) não faz parte do nosso alfabeto. Estude lá bem isto. Não por causa da mudança da grafia, mas da imigração, é ver agora a lista de nomes permitidos do Instituto dos Registos e do Notariado começados por k

[Texto 22 348]

Léxico: «exame de Montreal»

Está a precisar de MoCA 


      «Trump, de 79 anos, insiste ter obtido resultados “perfeitos” num teste cognitivo “exigente”, a última vez em 2025. O republicano nunca refere o teste pelo nome, mas a descrição dos exercícios de identificação e de ordenação de imagens indicia que será o exame de Montreal, uma ferramenta de diagnóstico de Alzheimer» («De Washington a Bruxelas pergunta-se se Donald Trump está bem», Pedro Guerreiro, Público, 2.02.2026, p. 20). 

      É melhor guardá-lo no sítio certo ➜ exame de Montreal MEDICINA nome comum do Montreal Cognitive Assessment (MoCA), instrumento breve de avaliação criado em 1996 para detectar défices cognitivos ligeiros, especialmente em casos de suspeita de Alzheimer; inclui provas de linguagem, memória, orientação, atenção e funções executivas, como a identificação de imagens, cópia de figuras, repetição de palavras e ordenação de elementos.

[Texto 22 347]

Léxico: «heterogerido»

Este é da economia


      «“Tratando-se de um organismo de investimento colectivo heterogerido, não dispõe de órgãos sociais, cabendo a sua gestão à entidade gestora (a FundBox)”, indica a CMVM. Ou seja, os gestores da Oeno não são gestores do fundo, não é avaliada a sua idoneidade. A supervisão é feita por via da gestora, a FundBox» («Sociedade autorizada pela CMVM para vender fundo de vinho não suspeitou da Oeno», Diogo Cavaleiro, Público, 1.02.2026, 6h00).

[Texto 22 346]

Léxico: «comboio [de tempestades, problemas, parvoíces...]»

Fico no próximo apeadeiro


      Anda na boca de muitos, sobretudo de meteorologistas, pelo menos na rádio e na televisão: vem aí, avisavam, um comboio de tempestades: Ingrid, Josef, Kristin, Leonardo... E não é que veio mesmo? Estou tão fartinho desta merda de tempo... mas para onde vou eu? Ainda aqui não tinha trazido esta tão peculiar forma de dizer porque eu próprio tenho tido um comboio de problemas. Ainda estou embarcado.

[Texto 22 345]

Léxico: «motosserrista»

Já aqui os temos de dentes afiados


      «O Exército, conforme fez questão de revelar em comunicado, tem ainda em prontidão três destacamentos de engenharia, oito módulos de energia, capacidade de mil alojamentos distribuída por 10 unidades militares, 17 equipas de limpeza e desobstrução, dois módulos de alojamento (100 pessoas cada), um módulo de alimentação (para 100 pessoas) e nove equipas de motosserristas» («Protecção Civil só pediu ao Exército ajuda de quatro militares no dia a seguir à tempestade», Helena Pereira, Público, 1.02.2026, 7h01).

[Texto 22 344]

Irritações: véspera e dia anterior

Esta deixa-me doente


      Não sei se já disse isto nos vinte anos de blogue, mas, como todos os dias nascem tradutores, não fará mal, pelo contrário: por favor, não escrevam tantas vezes «no dia anterior». De certeza que conhecem, já ouviram da boca de pais, avós (mas devia ser «avôs), vizinhos, a palavra «véspera». Usem-na.

[Texto 22 343]

Léxico: «matemático»

Imitemo-los


      «“É um estilo de Papa completamente diferente do Papa Francisco”, afirma, explicando que Bergoglio era um Papa “discursivo”, “emotivo” e “efusivo” – enquanto Prevost, “um Papa americano”, é “muito racional”, com “ideias muito organizadas” e “mais matemático”. Leão XIV é para o Presidente da República “uma pessoa superiormente inteligente”, mas “fala curto” e, por isso mesmo, Marcelo preparou uma intervenção que se compatibilizasse com tal estilo. Foram 25 minutos a sós, na Biblioteca privada papal, situada no segundo piso do Palácio Apostólico» («O Papa americano, “mais matemático”, recebeu convite para Fátima em 2027», João Maldonado, Rádio Renascença, 2.02.2026, 15h08). Curto foi, desta vez, o nosso quase, quase ex-presidente, que não explicou o que pretendia dizer com aquele «matemático». A não ser que a curteza se deva toda, não ao PR, mas ao enviado especial da RR. Seja como for, certo é que há dicionários que atribuem — e bem! — mais acepções a «matemático».

[Texto 22 342]

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