29.1.26
Na prateleira
Outra palavra que nos subtraíram foi... ora deixa cá ver a lista com centenas... foi subinspecção. Isto quando não se esqueceram de «subinspector». Assim, os subinspectores ficam sem trabalho.
[Texto 22 314]
Mas depois passa logo
Sim, por vezes também me sinto um pouco afectado pela ➔ síndrome de Truman PSICOLOGIA perturbação delirante caracterizada pela convicção de que a própria vida está a ser filmada e transmitida como num reality show, levando o indivíduo a interpretar familiares, amigos ou desconhecidos como actores envolvidos num enredo oculto; denominação criada em 2008 pelos irmãos Joel e Ian Gold para descrever pacientes que acreditavam participar, à sua revelia, num programa que difundia o seu quotidiano, à semelhança do enredo do filme The Truman Show (1998), donde o inglês Truman syndrome. Mas depois passa logo.
[Texto 22 313]
Ora essa, importa sim
Se querem saber, também não me parece nada bem que muitos dicionários não indiquem a etimologia correcta de «noosfera» e que definam menos bem o termo. Assim, proponho ➜ noosfera FILOSOFIA, HISTÓRIA DA CIÊNCIA conjunto das manifestações do pensamento humano sobre a Terra, considerado como uma camada ou esfera distinta da biosfera; corresponde à fase evolutiva em que a actividade intelectual consciente se torna força transformadora do planeta, articulando-se com a técnica, a ciência e as dinâmicas sociais e espirituais da humanidade. Quanto à etimologia, vem do francês noosphère (1927), termo cunhado por Édouard Le Roy, do grego noûs, noós, «mente, espírito», + sphaira, «esfera»; desenvolvido por Teilhard de Chardin e Vladimir Vernadsky no contexto da evolução da Terra como sistema.
[Texto 22 312]
Precisamos destas
«Não havendo correspondência grafofonémica entre o p de recepção e qualquer pronunciação de /p/ em português europeu (uma inaceitável arbitrariedade introduzida pelo AO90), a recepção passa a receção em português europeu e mantém-se recepção em português do Brasil. Este desprezo dos autores e defensores do AO90 pela realidade ortográfica do português europeu, com, por exemplo, o p de recepção a indicar uma excepção, com funções grafémicas, entre elas, uma função diacrítica, impedindo o fechamento (ou elevação) da vogal (átona) anterior (ou, nas palavras de Rebelo Gonçalves, exercendo “influência no timbre” da vogal anterior), fez com que entretanto se multiplicassem os casos de confusão, quer na leitura, quer na escrita, tanto do ponto de vista económico (“quatro países da Zona Euro entraram em *receção técnica”, CNN Portugal, 11 de Junho de 2023), como científico (“uma rotação para *otimizar a *recessão de luz sobre os painéis solares”, Lusa, 15/11/2014)» («O conhecimento ortográfico», Francisco Miguel Valada, Público, 24.01.2026, 20h00).
[Texto 22 311]
Culpas
«Outro momento central do nosso dia é o atendimento no cartório paroquial. As pessoas vêm para se confessar ou simplesmente em busca de conselho ou de uma palavra de esperança» («Acompanhar com proximidade e ternura», Alessio Geraci [missionário comboniano italiano], Além-Mar, Fevereiro de 2026, p. 45).
Também não tens este «cartório», Porto Editora?! Não pode ser. Não pode continuar a ser assim, pelo que proponho ➜ cartório RELIGIÃO dependência da casa paroquial onde se realizam os atendimentos administrativos e pastorais da paróquia, como emissão de certidões, acolhimento de fiéis, escuta espiritual e aconselhamento; funciona também como arquivo de registos paroquiais.
[Texto 22 310]
Com os pés assente na terra
«La primera pieza del dominó que ahora mismo empuja a todas las demás se encuentra en la alta atmósfera del Ártico, donde se sitúa el vórtice polar. “Se trata de una zona de aire muy frío que queda confinada tanto en la troposfera como en la estratosfera debido a los fuertes vientos que circulan alrededor de las regiones polares”, explica Juan Taboada, de MeteoGalicia» («La rotura del vórtice polar alimenta las borrascas profundas que llegan a Galicia», Xavier Fonseca, La Voz de Galicia, 24.01.2026, p. 10).
A Porto Editora define assim este fenómeno: «ciclone (centro de baixa pressão atmosférica) persistente localizado junto a um dos pólos de um planeta». Então, em que se distingue de um mero ciclone polar? Embora haja registo de vórtices polares noutros corpos do Sistema Solar, como Marte, Saturno, Vénus ou mesmo o satélite Titã, é no caso terrestre que a designação «vórtice polar» adquiriu relevo linguístico, jornalístico e científico próprio, dada a sua relação directa com os fenómenos meteorológicos extremos que afectam latitudes médias. Assim, proponho que a definição privilegie a realidade terrestre, é aqui que vivemos, remetendo para usos planetários numa acepção secundária.
Assim, cá vai ➔ vórtice polar 1. METEOROLOGIA circulação ciclónica persistente e de larga escala que se forma sobre o Árctico ou a Antárctida durante o inverno, nas camadas superiores da troposfera e na estratosfera, devido ao forte gradiente térmico entre o ar polar e o ar das latitudes médias; mantém o ar frio confinado às regiões polares, mas o seu enfraquecimento ou fragmentação pode provocar descidas abruptas de ar gelado para latitudes mais baixas, originando vagas de frio ou outras perturbações meteorológicas extremas; 2. ASTRONOMIA fenómeno atmosférico observado noutros planetas do Sistema Solar, como Marte, Saturno ou Vénus, caracterizado pela formação de uma circulação ciclónica persistente junto a um dos pólos, envolvendo massas de ar muito frio.
[Texto 22 309]
⋅ ── ✩ ── ⋅
P. S.: A ruptura do vórtice polar, a que o título do diário galego se refere, geralmente associada a um aquecimento súbito da estratosfera, pode desencadear a libertação de ar polar para latitudes médias, provocando vagas de frio e instabilidade atmosférica significativa. É o que está a acontecer por estes dias.
Morte súbita
Alguma coisa de grave terá acontecido quando a Porto Editora definiu assim «poupa-eurasiática»: «ORNITOLOGIA (Upupa epops) ave da família dos Upupídeos». Vamos lá acabar o trabalho propondo ➜ poupa-eurasiática ORNITOLOGIA (Upupa epops) ave da família dos Upupídeos, de plumagem alaranjada com asas listadas de preto e branco, crista eréctil e bico longo e curvo; distribui-se pela Europa, Norte de África e Ásia Ocidental; é maioritariamente insectívora, com especial apetite pelas pupas da processionária-dos-pinhos (Thaumetopoea pityocampa), mas pode também ingerir pequenos vertebrados ou sementes; nidifica em cavidades e distingue-se pelo chamamento repetitivo que inspirou o nome comum.
[Texto 22 308]
A prova do algodão
«Acontece que o pragmatismo de Otis e da respectiva familia também é muito norte-americano, pelo que as sucessivas tentativas do fantasma de Lord Canterville em assustá-los esbarram numa parede: os filhos gémeos atacam o fantasma com almofadas, o senhor Otis oferece lubrificante ao fantasma para aplicar nas suas correntes e, assim, não fazer barulho quando se desloca pelos corredores do castelo, as manchas de sangue que reaparecem todos os dias junto à lareira são limpas com um removedor trazido dos Estados Unidos» («O conflito cultural EUA-Europa de Oscar Wilde nos Primeiros Sintomas», Gonçalo Frota, Público, 15.01.2026, p. 28).
Removedor trazido dos Estados Unidos. Para a Porto Editora, o removedor é todo trazido do Brasil, vá-se lá saber porquê. Sabotagem?
[Texto 22 307]