Com os pés assente na terra
«La primera pieza del dominó que ahora mismo empuja a todas las demás se encuentra en la alta atmósfera del Ártico, donde se sitúa el vórtice polar. “Se trata de una zona de aire muy frío que queda confinada tanto en la troposfera como en la estratosfera debido a los fuertes vientos que circulan alrededor de las regiones polares”, explica Juan Taboada, de MeteoGalicia» («La rotura del vórtice polar alimenta las borrascas profundas que llegan a Galicia», Xavier Fonseca, La Voz de Galicia, 24.01.2026, p. 10).
A Porto Editora define assim este fenómeno: «ciclone (centro de baixa pressão atmosférica) persistente localizado junto a um dos pólos de um planeta». Então, em que se distingue de um mero ciclone polar? Embora haja registo de vórtices polares noutros corpos do Sistema Solar, como Marte, Saturno, Vénus ou mesmo o satélite Titã, é no caso terrestre que a designação «vórtice polar» adquiriu relevo linguístico, jornalístico e científico próprio, dada a sua relação directa com os fenómenos meteorológicos extremos que afectam latitudes médias. Assim, proponho que a definição privilegie a realidade terrestre, é aqui que vivemos, remetendo para usos planetários numa acepção secundária.
Assim, cá vai ➔ vórtice polar 1. METEOROLOGIA circulação ciclónica persistente e de larga escala que se forma sobre o Árctico ou a Antárctida durante o inverno, nas camadas superiores da troposfera e na estratosfera, devido ao forte gradiente térmico entre o ar polar e o ar das latitudes médias; mantém o ar frio confinado às regiões polares, mas o seu enfraquecimento ou fragmentação pode provocar descidas abruptas de ar gelado para latitudes mais baixas, originando vagas de frio ou outras perturbações meteorológicas extremas; 2. ASTRONOMIA fenómeno atmosférico observado noutros planetas do Sistema Solar, como Marte, Saturno ou Vénus, caracterizado pela formação de uma circulação ciclónica persistente junto a um dos pólos, envolvendo massas de ar muito frio.
[Texto 22 309]
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P. S.: A ruptura do vórtice polar, a que o título do diário galego se refere, geralmente associada a um aquecimento súbito da estratosfera, pode desencadear a libertação de ar polar para latitudes médias, provocando vagas de frio e instabilidade atmosférica significativa. É o que está a acontecer por estes dias.