Léxico: «rinoceronte-lanudo»

Já temos a sequência genómica


      «O genoma de um rinoceronte-lanudo com 14.400 anos foi recuperado a partir de uma amostra de tecido muscular encontrada no estômago de uma cria de lobo da Idade do Gelo, cujos restos mortais se encontravam preservados numa camada de solo rochoso congelado na Sibéria» («Genoma do rinoceronte-lanudo recuperado a partir do estômago de um lobo da Idade do Gelo», Filipa Almeida Mendes, Público, 15.01.2026, p. 27).

      Vamos lá ressuscitá-lo para os dicionários, tanto mais que o encontramos num texto de apoio da Infopédia, mas não, como devia, no dicionário. Assim, proponho ➔ rinoceronte lanudo PALEONTOLOGIA (Coelodonta antiquitatis) rinoceronte extinto que habitou as regiões frias da Eurásia durante o Pleistocénico Superior (até cerca de 14 000 anos atrás), de grande porte (cerca de 4 metros de comprimento, 2 de altura e mais de 3 toneladas), membro da megafauna adaptada às estepes geladas da Idade do Gelo, semelhante ao rinoceronte‑branco (Ceratotherium simum), caracterizado por adaptações ao frio como pelagem espessa, chifres desenvolvidos e camada subcutânea de gordura.

[Texto 22 262]

Léxico: «neotemperança»

Coisas novas


      «Andrew Langer, director do Centro para a Liberdade Regulatória da Fundação da Conferência Política Conservadora, classificou as novas directrizes como uma “posição de compromisso” entre “o movimento neo-temperança, que diz que as pessoas não devem beber nada, e outro grupo, que diz que o Governo dos EUA não deve fazer declarações sobre o álcool”» («Administração Trump elimina proposta para introduzir limites ao consumo de álcool em directrizes», Público, 9.01.2026, 14h56). 

      Já anda por aí desde a década de 1980, pelo que proponho  neotemperança SOCIOLOGIA atitude ou movimento contemporâneo que defende a abstenção total de bebidas alcoólicas, retomando princípios do movimento da temperança do século XIX mas enquadrando-os em preocupações actuais com a saúde pública, os riscos do álcool e o papel do Estado na regulação de comportamentos individuais; distingue-se da temperança histórica pelo afastamento de fundamentos religiosos ou morais e pela ênfase em evidência científica e políticas de saúde.

[Texto 22 261]

Léxico: «merogueiro | merogo»

Dicionários fora dos dicionários


      Não estão nos dicionários, mas depois o país real conhece-as e usa-as diariamente, essa é que é essa: «É que numa das bancas da feira Isaltino [Morais] encontrou a fórmula para a vitória do candidato nestas presidenciais: “Merogueiro ‘prà’ próstata.” Porque se a coisa não vai lá com ervas medicinais, então não vai com nada. Mas se der resultado, daqui para a frente é sempre a subir!» («Gouviagra e Melo», Sónia Dias, Correio da Manhã, 14.01.2026, p. 22).

[Texto 22 260]


Léxico: «cereulide»

Recomecemos aqui


      «Nestlé est retombé dans des eaux très agitées depuis une semaine. A la suite d'une anomalie dans plus de dix de ses usines, notamment aux Pays-Bas et en Allemagne, liée à un problème de qualité sur un ingrédient d’un de ses fournisseurs, le géant suisse de l’agroalimentaire a procédé tout début janvier à un rappel volontaire de certains de ses laits pour nourrissons. La raison? La présence potentielle d’une substance d’origine bactérienne : la céréulide. Celle-ci est susceptible de provoquer chez les bébés des troubles digestifs, comme des diarrhées et vomissements» («Chez Nestlé, les rappels de laits infantiles virent au cauchemar», Olivia Détroyat, Le Figaro, 13.01.2026, p. 23).

      Apareceu, logo proponho  cereulide BIOQUÍMICA toxina peptídica termoestável produzida por certas estirpes da bactéria Bacillus cereus, responsável por intoxicações alimentares do tipo emético (com vómitos) associadas sobretudo ao consumo de arroz, massas ou leite contaminados; actua como ionóforo de potássio nas mitocôndrias, induzindo disfunções metabólicas e distúrbios gastrointestinais agudos, incluindo náuseas, vómitos e, em casos graves, danos hepáticos. 

      Quanto à etimologia, vem do latim científico [Bacillus] cereus, nome da bactéria em que a substância foi identificada, com o sufixo ‑ide usado para compostos químicos e bioquímicos.

[Texto 22 259]


Livro

      Já está disponível, desde ontem o meu livro, Em Português, Se Faz Favor.


Latim

Tinha de ser

      A repórter Arlinda Brandão, da RTP, foi ouvir Vítor Ferreira, o organizador da exposição O Mundo dos Dinossauros, na Cordoaria Nacional. «Aqui de novo o Velociraptor, não é, e um dos animais, que era o Spinosaurus, um dos animais mais violentos da altura, apesar de não ser dos maiores, porque, como pode ver pela dentição, era uma dentição onde encaixava [sic] os dentes perfeitamente e entrava uns dentro dos outros e portanto a vítima era esmagada.» E como é que o entrevistado pronunciou o nome do dinossauro? À inglesa, pois claro.
[Texto 600]

Acordo Ortográfico

Mal começou

«Ajudara-o a levantar-se e tinham caminhado juntos pela 24 de julho, em direção às docas.»
A aplicação cega das regras do Acordo Ortográfico também dá nisto. Como o AOLP90 manda grafar com minúscula inicial os nomes dos dias, meses e estações do ano e permite escrever Avenida 24 de Julho ou avenida 24 de Julho, vai tudo a eito.

[Texto 599]

«À boca calada»

Bocas

      «Foram estas forças que faltaram e à boca calada se atribui a responsabilidade a Joffre» (É a Guerra, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1934, p. 161). É expressão sinónima da outra: dizer à boca pequena, que é o mesmo que dizer em privado ou em voz baixa. O contrário é dizer à boca cheia, que significa dizer publicamente.

[Texto 598]

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