27.10.10
Caladinho
A imprensa francesa pergunta: «Dérapage verbale ou préjugé raciste?» O eco da polémica chegou ao Público: «Foram no mínimo pouco felizes as palavras do empresário Jean-Paul Guerlain que, numa entrevista ao canal público France 2, se queixou de ter “trabalhado como um negro” para desenvolver o último perfume da marca. As declarações levaram à realização de manifestações nas ruas de Paris no fim-de-semana e estão na origem de um abaixo-assinado defendendo o boicote aos produtos de Guerlain. Até a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, veio a público dizer que as palavras do empresário eram “patéticas”. Para serenar os ânimos, Guerlain retractou-se, dizendo que aquilo que tinha dito não reflectia a sua forma de pensar. Uma explicação em que nem todos acreditam, até porque esta não é a primeira vez que aquele que é um dos homens mais ricos de França diz algo polémico. Em 2002, quando confrontado com uma denúncia de trabalho clandestino nas suas plantações na colónia francesa de Mayotte, a sua resposta também gerou grande polémica: “Toda a gente sabe que aqui a mão-de-obra clandestina é um mal endémico.” Não admira portanto que as suas mais recentes declarações tenham sido recebidas com vivas acusações de racismo. Também o grupo LVMH, ao qual Guerlain permanece vinculado como conselheiro de tendências olfactivas, fez questão de se demarcar das afirmações no centro de toda esta polémica, dizendo que sempre condenou energicamente “todas as formas de racismo”» («Boicote. Acusações de racismo abalam Guerlain», «P2»/Público, 27.10.2010, p. 15). Depois dos ciganos, os negros. Claro que é ridículo falar-se de racismo neste caso.
[Post 4018]
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