Tradução: «climate proxies»

Ficamos a saber


      «Sem termómetros, tudo o que os cientistas têm à mão são indicadores climáticos indirectos (proxies, no jargão académico). Documentos históricos são um deles. Registos escritos, muitos feitos nos mosteiros, de colheitas, de observação do tempo, de catástrofes meteorológicas, de épocas de floração, ajudam a reconstituir o clima. O mesmo vale para imagens. É na própria natureza, porém, que estão as maiores fontes. Amostras de gelo das regiões polares guardam testemunhos milenares sobre a precipitação, sobre a fusão periódica da cobertura gelada, sobre a composição da atmosfera. De corais do Pacífico também se extraem dados climáticos» («Calor, secas, cheias. Bem-vindos à Idade Média», Ricardo Garcia, «P2»/Público, 21.10.2010, p. 4).

[Post 3996]

Como se fala na rádio

Ora essa


      Alexandre David no noticiário das 10 horas da Antena 1, no fecho de uma notícia: «Algo que os auditores de contas não concordam em absoluto.» E outra: «Hoje começa mais um peditório nacional da AMI. Perante a crise, seria de esperar que a resposta das pessoas fosse pouco dispendiosa, mas Ilda Costa, da Assistência Médica Internacional, já disse esta manhã à Antena 1 que nos últimos dois anos tem acontecido precisamente o contrário.»

[Post 3995]

«Dama» e «sir»?

Excelência


      Damas e... Damas e... A comunicação social está a noticiar que a pintora Paula Rego se dirigiu ontem ao Palácio de Buckingham para receber o título de dama oficial da Ordem do Império Britânico. Se se tratasse de um homem, nunca diriam que lhe tinha sido atribuído o título de «cavalheiro», pois não?

[Post 3994]

Sobre «freguês»

Diga, não tenha receio


      «Diamantino Amaral dos Santos (PSD), presidente daquela junta [freguesia de Coração de Jesus, concelho de Viseu], diz que o equipamento se enquadra na “modernização administrativa” que tem sido promovida “pelo actual Governo”. Porém, o PS de Viseu criticou este investimento, classificando-o de “absurdo, desnecessário e desrespeitoso pelos fregueses”» («Freguesia gasta 5000 euros para controlar dois funcionários», Nuno P. Chorão, Público, 17.10.2010, p. 27).
      Muito bem: freguês. Apesar de o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa registar que freguês é o «habitante de uma freguesia (em relação ao pároco)». Não é, ou não apenas: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acerta: «habitante de uma freguesia; paroquiano».

[Post 3993]

Selecção vocabular

Inapto


      «CIA admite falhas na recruta de um informante», é um título da página 17 da edição de hoje do Público. A primeira frase, porém, desmente logo a propriedade no uso do vocábulo «recruta»: «A CIA reconheceu ter dado passos em falso e simplificado a entrada de um informante que em Dezembro se fez explodir numa base no Afeganistão, matando sete agentes.» Recruta é a instrução militar básica dada a quem foi convocado para serviço militar ou para instituições semelhantes. O jornalista deveria ter escrito recrutamento, que é a escolha, a selecção de candidatos.

[Post 3992]

Léxico: «editoria»

Cresce e aparece


      «Em segundo lugar, a coordenação interna entre o trabalho para o sítio na Internet e para a edição em papel. Não faz sentido, neste caso, que a editoria do Público Online não soubesse que iria contar com uma peça própria da redacção sobre a reunião no Funchal. Ou que o jornalista no terreno não fosse confrontado com a escolha de um título que se adivinharia controverso» («Que esteve a dizer-nos Passos Coelho?», José Queirós, Público, 17.10.2010, p. 43).
      Nem o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa registam o vocábulo. Só recorrendo ao Dicionário Houaiss é que o leitor que o desconheça ficará a saber que editoria é o «conjunto das secções de uma publicação que estão a cargo de um editor». O Flip 7 acha que quero escrever «editorai», e corrige-me. Cresce.

[Post 3991]

Revisão

Conhecer os conhecimentos


      «Deste estudo surgiram ideias para futuras linhas de trabalho que permitirão conhecer melhor os conhecimentos que os conteúdos e instruções dos manuais escolares permitem adquirir.» Mostrei a frase ao revisor antibrasileiro, dada a propensão quase patológica que revela para não deixar passar repetições. Saiu, com muitas desculpas e que podia ser pior a emenda, etc., isto: «Deste estudo surgiram ideias para futuras linhas de trabalho que permitirão adquirir melhor os conhecimentos que os conteúdos e instruções dos manuais escolares permitem adquirir.» Hã?! Nem sempre é possível fazer a poda que ele imagina. E agora?

[Post 3990]

Léxico: «hemangioma»

Desta vez não resvalaram


      «Apesar de nunca ter sido consultado por José Mestre, segundo explica, este tipo de problema  um angioma vascular  é detectado à nascença e raramente se desenvolve até este grau» («Cirurgiões nos EUA removeram tumor de mais de cinco quilos a “homem sem rosto”», Andrea Cunha Freitas, Público, 20.10.2010, p. 8).
      Em certa altura, há cerca de doze anos, quando passava diariamente pelo Rossio, evitava sempre olhar para onde ele estava, e uma vez tive mesmo um pesadelo em que o Homem sem Rosto me apareceu. Já então me perguntava se a ciência médica não podia fazer nada. O facto de ser testemunha de Jeová, soube-o agora, será uma explicação. No sítio da TVI 24 li agora que se trata de um «hemangioma cavernoso», o que parece ser o mesmo, embora, à partida, tivesse ficado de pé atrás, pois ainda ontem ouvi neste canal uma voz off, a propósito de tráfico humano, falar em «escravataria». O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa não regista o termo «hemangioma». Resolvam lá isso.

[Post 3989]

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