7.3.10
A culpa é de Rasputine
Já tínhamos visto guardas-civis, guardas-florestais, guardas-marinhas, guardas-mores, guardas-municipais, guardas-nocturnos, guardas-prisionais e guardas-republicanos, faltavam os guardas-vermelhos: «É verdade, os guardas-vermelhos tinham representado o homem que eles imaginavam que maculara a dinastia e feito desmoronar o império, Grigori Rasputine, a copular com a traidora à pátria, a cabra alemã, a imperatriz Alexandra Fiodorovna» (The Kitchen Boy: Os Últimos Dias dos Romanov, Robert Alexander. Tradução de Helena Ramos e revisão de Ayala Monteiro. Cruz Quebrada: Casa das Letras, 4.ª ed., 2006, p. 132).
Guarda tanto pode ser uma forma do verbo guardar, 3.ª pessoa do presente, guarda-lama, como um substantivo, guarda-fiscal. No primeiro caso, só o último elemento vai para o plural. Mas o plural de guarda-freio é guarda-freios... Pois é, mas Leite de Vasconcelos cita um anúncio de um jornal de 1907: «Associação de classe dos condutores e guardas-freios da viação lisbonense». Escreveu este filólogo: «É preciso fazer a distinção, se se puder. Em guarda-marinha há referência a pessoa, e guarda é nome; em porta-bandeira também se refere a pessoa, e contudo porta é verbo (imperativo)» («Ementas gramaticais para a história da língua portuguesa», in Revista Lusitana, vol. XXXVII, p. 7). E acrescenta: «Quanto a guarda-marinha segue-se a analogia, e poderá dizer-se guarda-marinhas, pois é como se se tivesse perdido a consciência da composição.» E pergunta: «Em guarda-freio é guarda nome ou verbo? Em guarda-portão é guarda nome ou verbo?» E responde: «Era preciso, para se mostrar que era nome, que se tivesse dito outrora guarda-do-portão. Decerto não se disse.» E mais: «Ora guarda-freio é do nosso tempo, nunca houve guarda-do-freio; foi palavra formada por analogia com outra composta de guarda. Entendo que o plural é respectivamente: guarda-freios e guarda-portões.» E no nosso caso? Guarda é nome ou verbo?
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