Conjugador de verbos

A explorar


      Surgiu agora um conjugador verbal para o espanhol com características únicas. Chama-se Onoma e conjuga qualquer verbo em espanhol, existente e reconhecido ou inventado, com a única condição de que a palavra seja reconhecida como um infinitivo. Informa sobre as irregularidades que o verbo contém, com uma explicação pormenorizada sobre as mesmas, e, dada uma forma verbal, informa a que verbo pertence e indica o modo, tempo, pessoa e número. É um projecto da empresa Molino de Ideas, que tem outros projectos relacionados com o processamento da linguagem natural. Claro que não temos muito a invejar, pois temos o Lx Conjugator.

[Post 3189]

Televisão

Pretendedores


      Ontem, no programa Operação Especial, o debate entre António Reis, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), e Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real (não confundir com a Casa Real...), era subordinado ao tema o centenário da República. António Reis, historiador, afirmou que só houve duas Repúblicas, e Carlos Pinto Coelho queria à viva força que houvesse polémica por causa da afirmação. Não houve, e não é nada de novo.
      A propósito do Protocolo de Estado, António Reis lembrou que algumas câmaras municipais nem sequer consideram D. Duarte Pio. Estamos a falar de Protocolo de Estado, objectou, com o entono que lhe é conhecido, o moderador, Carlos Pinto Coelho. Pois estamos, devia ter respondido António Reis. Então a Lei das precedências do Protocolo do Estado Português não se aplica em todo o território nacional e até mesmo nas representações diplomáticas e consulares de Portugal no estrangeiro?
      Quando Carlos Pinto Coelho se referiu a D. Duarte Pio como pretendente ao Trono, logo Paulo Teixeira Pinto contrapôs que D. Duarte Pio «não pretende nada. Os monárquicos é que pretendem». Realmente, ele apresenta-se ou é apresentado como pretendente ao Trono? D. Duarte de Bragança é o chefe da autodenominada Casa Real Portuguesa, e se o regime é republicano (embora, a meu ver, se devesse alterar a alínea b) do artigo 288.º da Constituição para permitir que haja um referendo à monarquia), não há Trono. É dos dicionários: pretendente é o designativo de um príncipe que pretende ter direitos a um trono vago ou ocupado por outrem.

[Post 3188]

Actualização em 1.3.2010

      Mais um exemplo: «O que reflecte o estado geral de deliquescência da Segunda República, quase 36 anos depois da queda do Estado Novo» («E depois da borrasca?», J.-M. Nobre-Correia, Diário de Notícias, 20.2.210, p. 65).

Feminino de «bispo»

Nada feminista


      «Margot Kässmann, de 51 anos, era até há poucos dias bispo de Hanôver e presidente do conselho nacional da Igreja Evangélica, que conta com cerca de 25 milhões de fiéis na Alemanha. Tinha 41 anos quando, em 1999, foi nomeada, tornando-se a bispo mais jovem no país. Em Outubro do ano passado chegou ao topo da Igreja Evangélica alemã e fez história a ser a primeira mulher a ocupar o lugar» («Margot Kässmann», Carla H. Quevedo, Metro, 26.2.2010, p. 9).
      Errado: o feminino de bispo é episcopisa. E os dicionários, que são todos, que registam que episcopisa era a «mulher que nos princípios do cristianismo desempenhava certas funções sacerdotais sem jurisdição episcopal» também precisam de reformular a definição. A propósito de feminino, o semanário Expresso lá continua denodadamente a usar chancelerina: «Indiferente aos protestos das autoridades suíças que falaram em receptação de informação roubada, a chancelerina Angela Merkel recuperou por esta via 200 milhões de euros (valor que já inclui as multas a aplicar aos infractores)» («A honra perdida de uma Suíça orgulhosamente só», Rui Martins, Expresso, 6.2.2010, p. 32).
      Na imprensa alemã, o nome da episcopisa é grafado com a letra ß (scharfes S ou Eszett), Käßmann, habitualmente substituída, em países não germanófonos, por ss.

[Post 3187]

Lições de Legística

E eles lêem?


      «Relativamente ao vocabulário geográfico, nomeadamente toponímico, deve utilizar-se, como regra geral, a palavra portuguesa, mesmo nos casos menos conhecidos (exemplo: cidade de Francoforte), a menos que a palavra portuguesa possa tornar-se incompreensível para a generalidade dos destinatários, pelo que, nestes casos, deve escrever-se a palavra estrangeira entre parênteses e em itálico [exemplo: na cidade de Lila (Lille)].» Onde é que isto está escrito? Na página 25 da obra Regras de Legística a Observar na Elaboração de Actos Normativos da Assembleia da República, da autoria de Luísa Colaço e Maria da Luz Araújo, e publicada pela Divisão de Edições da Assembleia da República em 2008. Vale a pena descarregar e ler.

[Post 3186]

Anglicismos e etc.

Português na Quinta Vigia


      Vi Alberto João Jardim na Grande Entrevista com Judite de Sousa. Alguns momentos baixos: «O gabinete de operações está aqui na Quinta Vigia [residência oficial do presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira], eu comando aqui as operações, obviamente com grande suporte da Protecção Civil.» Nesta acepção, suporte é anglicismo. Qual é a dimensão exacta dos prejuízos? «Nas contas do Governo, vamos já em mil milhões de euros, e para cima.» Isso é muito dinheiro. «Eu penso que vamos ir a uma coisa paradoxal: o volume, o custo, igual ao que é o orçamento anual da Região Autónoma.» Ou seja? «O orçamento anual da Região Autónoma é um bilião e meio de euros.» «O Sr. Dr. carrega essa mágoa de não ter tido uma vaga de fundo, nomeadamente há dois anos, para que o seu nome pudesse ser lançado?» Vaga de fundo é uma metáfora, muito do agrado da nova classe política, e, como se vê, de alguns jornalistas, que muito poucos telespectadores entenderão.

[Post 3185]

Acertos e erros na televisão

Pobres criancinhas


      Quase um terço das crianças portuguesas, soube-se ontem com a divulgação de um estudo da Deco, passa mais de nove horas por dia nas creches e a esmagadora maioria ocupa parte do tempo a ver televisão em jardins-de-infância. E mais: 27 por cento de pais com filhos entre 1 e 2 anos (creches) e 10 por cento com crianças nos jardins-de-infância (entre 3 e 5 anos) afirmam que gostariam que as instituições abrissem ao sábado. Em vez de empregados, as instituições têm televisões. Ainda há poucos minutos, no canal Disney, passava um episódio da série de desenhos animados A Nova Escola do Imperador. Uma das personagens (Kronk?) dizia: «Foi o tipo que nos deteu.»

[Post 3184]

Acertos e erros na televisão

Não é mais, não


      No programa de hoje, o apresentador do concurso Falaescreveacertaganha quis saber porque é que uma equipa que frequenta o Colégio de Gaia tinha o nome Bijagós. «Desculpem, mas não resisto. Em relação ao nome Bijagós. Porquê o nome Bijagós?» «Porque a professora... Os Bijagós são uma raça de negros que vêm da Guiné, e a professora...» «Os Bijagós são até mais aqueles ilhéus e aquelas ilhas ali na Guiné-Bissau. Mas sim, diz.» «... e a professora costuma chamar-nos isso muito nas aulas.» «Eu imagino porquê.» (Não perpassa por aqui uma sugestão de racismo?) Vejamos. Se Bijagós designa tanto o povo autóctone que habita o arquipélago de Bijagós, na Guiné-Bissau, como o próprio arquipélago, porque é que é mais este? Na verdade, inicialmente era só etnónimo.

[Post 3183]

Acertos e erros na televisão

Divertido ou perverso?


      «Qual é o feminino de comboio?», perguntou ontem o apresentador do concurso Falaescreveacertaganha. Só por pura perversidade se pode fazer uma pergunta destas a uma criança de 10 anos. E para quê? Sara, da equipa Rápidos e Ladinos, ficou embasbacada. Porque não se metem com crescidos, como eu, por exemplo? Na prova «Ler É Aprender», o apresentador disse: «O João [João Castro, actor que integrava, na altura, o elenco da peça Breve Sumário da História de Deus, no Teatro Nacional D. Maria II] vai ser quem nos vai ajudar a avaliar a prestação dos dois elementos, que penso que nesta altura já estarão escolhidos e destacados por cada uma das equipas para ler.» É este «o programa que mima a língua portuguesa»? Vá Pedro Castro por esse País fora e teste se as pessoas conhecem essa infeliz acepção do vocábulo «prestação». E deixe-se de colocações: «Coloca a frase “É para já!” no plural.» É ridículo.

[Post 3182]

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