Léxico: «braquete»

Imagem da Orthodontic Care

Agora já sabemos


      «Dito isto volta a escancarar um sorriso feito de braquetes» («Queremos um emprego para os nossos pais!», Bernardo Mendonça, Única/Expresso, 30.1.2010, p. 55).
      Os dicionários que consultei ainda não registam este vocábulo, aportuguesamento do inglês bracket. Designa as pequenas peças de metal ou de cerâmica usadas, presas num arco de arame, para posicionar os dentes nos tratamentos ortodônticos.

[Post 3173]

Ortografia: «torna-viagem»

Não sei porquê


      «A ideia era tentar reproduzir os célebres Torna Viagem, moscatéis que, no séc. XIX, eram enviados para o Brasil em casco e que por falta de comprador, regressavam» («Moscatel à boleia da Sagres», João Paulo Martins, Única/Expresso, 30.1.2010, p. 83).
      Bem, talvez os cascos tenham inscrito «Torna Viagem», mas nas garrafas que são comercializadas lê-se «Torna-Viagem» (vejam aqui). E, é claro, a ortografia do vocábulo, substantivo e adjectivo, é torna-viagem. Como torna-boda, torna-boi, torna-e-torna, torna-fio, torna-jeira, torna-torna e torna-vaca.

[Post 3172]

Uso da minúscula inicial

Vão na Sagres


      «Com tanta chuva e frio os dias custam mais a passar e as férias de Verão parecem uma miragem. Por isso propomos que tire uns dias de descanso no hemisfério sul, aproveitando a energia do sol que se instalou por aquelas paragens» («África de luxo», Alexandra Simões de Abreu, Única/Expresso, 30.1.2010, p. 77). Muito bem: hemisfério sul. Contudo, seis páginas mais à frente, eis um mau exemplo: «Todo o balanço do navio e os calores do Equador operavam milagres e o vinho regressava muito melhor do que tinha ido» («Moscatel à boleia da Sagres», João Paulo Martins, Única/Expresso, 30.1.2010, p. 83). E a famosa revisão do Expresso, onde estava?

[Post 3171]

Formas pronominais –lo, –la

Ainda na escola


      «Irrita-lo a ênfase no futuro: “Eu não sou futuro. Somos presente e temos de educar todos para serem presente. Porque não fazemos nada para mudar amanhã, mas para ir mudando hoje.”» («Juventude inquieta», Christiana Martins, Única/Expresso, 30.1.2010, p. 39). Lapso? Talvez não: «A sombra num oásis, que é a tradução do seu nome, acompanha-la» (ibidem, idem, p. 40).
      Então os pronomes enclíticos da terceira pessoa -lo, -la, -los, -las não se usam apenas quando o verbo termina em consoante (seja r, s ou z), que cai? Onde está a consoante final nas formas verbais irrita e acompanha?

[Post 3170]

«Liceu», um vocábulo perene

Lyceu Camões


      Relacionado com o que afirmei aqui, eis mais um exemplo de como as antigas designações teimam — mesmo na escrita de profissionais — em persistir. Há quantos anos não há liceus? Há tantos que os dicionários já tiveram tempo de se actualizar e registar que se trata de um vocábulo «antiquado» (como regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Pois vejam este exemplo: «Mas a onda que então começou ainda está longe de rebentar. Pedro [Feijó] é hoje presidente da Associação de Estudantes do Liceu Camões e não exclui dar mais um passo: conquistar um assento no Conselho Nacional de Educação, como representante de todos os alunos do Ensino Secundário» («Juventude inquieta», Christiana Martins, Única/Expresso, 30.1.2010, p. 38). E não pensem que foi caso único: ao longo da reportagem, a jornalista escreveu sempre «liceu».

[Post 3169]

Ortografia: «trotsquista»

Abaixo o capa!


      «O irmão de Christopher Hitchens chama-se Peter Hitchens e é um reaccionário-robô, sem imaginação ou esperança, que escreve estúpidas profecias apocalípticas no Daily Mail. Christopher é amaldiçoado pela esquerda trotsquista que o formou por ter ideias malquistas sobre as benquerenças ideológicas da esquerda sobre o Islão, o Irão e a invasão do Iraque» («Dois irmãos», Miguel Esteves Cardoso, Público, 21.2.2010, p. 33).
      É reconfortante ver Miguel Esteves Cardoso renunciar ao uso da letra capa. Temos tempo de usá-la quando adoptarmos o Acordo Ortográfico de 1990.

[Post 3168]

Léxico: «endoprótese»

Porquê?


      «O seu cardiologista, Allan Schwartz, afirmou que Clinton “está animado”, depois de ter sido submetido a uma intervenção na qual lhe forma introduzidas [sic] dois stents (tubos ou endopróteses) para abrir a artéria e manter o fluxo sanguíneo» («Clinton operado de novo com êxito», F. J. Gonçalves, Correio da Manhã, 13.2.2010, p. 34).
      Se os dicionários registam outras –teses, não sei porque ignoram esta, que é o nome que se dá à prótese colocada no interior do organismo, de modo geral para substituir definitivamente um segmento de osso, de vaso, uma válvula cardíaca, etc.

[Post 3167]

Léxico: «ortoréxico»

Comida correcta


      «Na verdade, não há povo que se preocupe mais com as consequências dos alimentos ao nível da saúde do que nós, os Americanos — e nenhum povo sofre mais de doenças relacionadas com a dieta alimentar. Estamos a tornar-nos numa nação de ortoréxicos: pessoas com uma obsessão doentia pela alimentação saudável» (Em Defesa da Comida, Michael Pollan. Tradução de Sónia Oliveira e revisão de Eda Lyra. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2009, p. 20).
      Não conhecia o vocábulo ortoréxico, o que não é muito de surpreender, pois, de acordo com uma nota de rodapé, o «termo foi usado pela primeira vez em 1996 pelo médico americano Steven Bratman», e não deve circular muito por aí. 


[Post 3166]

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