Léxico: «guiné-bissauense»



Porque não?


      Estamos habituados a ver os vocábulos guineense e guinéu, e muito mais aquele do que este, como os únicos gentílicos para as três Guinés. Contudo, acabo de rever um texto em que se lê: «Maria Buinen veio para participar na Maratona de Lisboa. A organização, contudo, inscreveu-a na minimaratona, ao lado de Rosa Mota. Juntas apresentaram aos Portugueses o projecto da ONG VIDA (Voluntariado Internacional para o Desenvolvimento Africano) — www.vida.org.pt —, que recolhe fundos para construir 54 poços de água com bomba e beneficiar 85 mil guinéu-bissauenses.»

[Post 3004]

Tradução: «decoupling»

Em espanhol


      Com excepção do Jornal Económico, na imprensa, e em documentos académicos, não vejo o anglicismo decoupling ser usado em Portugal. Ainda assim, vale a pena estar a par do que recomenda a Fundéu — na ausência de uma entidade congénere em Portugal.
      «La Fundación del Español Urgente recomienda evitar el anglicismo decoupling en las informaciones económicas y usar en su lugar términos como desajuste o desconexión.
      En muchas noticias sobre el nuevo panorama económico internacional, se usa decoupling para referirse a un desajuste o una desconexión entre los mercados, por ejemplo, de las economías emergentes como Rusia, la India y Brasil con respecto de las consolidadas tradicionalmente, como la europea o la norteamericana.
      De este modo, es fácil encontrar en medios de comunicación y en declaraciones de analistas financieros frases como: “¿Es factible considerar un decoupling entre la demanda norteamericana y la de los países emergentes?” o “En los meses previos a la caída de Lehman Brothers y la profunda crisis posterior, los analistas intentaban ver un potencial decoupling”.
      La Fundéu BBVA recomienda que en casos como los citados se usen términos que existen en español, como desajuste, desconexión y se evite este anglicismo innecesario.»

[Post 3003]

«Diário do Governo»

Portugueses


      «A educação nacional visa a formação integral dos Portugueses, preparando-os, pela valorização das faculdades espirituais e físicas, para o cumprimento dos seus deveres morais e cívicos e a realização das finalidades da vida» (Lei n.º 5/73, de 25 de Julho, Base I, n.º 1).
      São as palavras iniciais das bases da Reforma do Sistema Educativo de 1973. Nesta altura, pelo menos no Diário do Governo, ainda se escrevia bem.

[Post 3002]

Léxico: «frontal»


Imagem: stahar.com.br


Carregador frontal


      «Temos todos os equipamentos da Câmara, que são bastantes, adaptados com frontais a fazer de limpa-neves» (Orlando Alves, vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre, noticiário das 10 da manhã, Antena 1).
      Embora muitas vezes usado como substantivo, como na citação, a verdade é que se trata de um adjectivo, encontrado muitas vezes a qualificar o substantivo «carregador».

[Post 3001]

Léxico: «arraçoamento»

Mais animais


      «Ao fazer o arraçoamento (dividir em rações) dos animais, dá-se a estes a quantidade de comida necessária para diminuir as emissões de gases» («Gases da pecuária já são minimizados», Bruno Abreu, Diário de Notícias, 20.12.2009, p. 34).
      Alguns dicionários, como o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, registam o vocábulo: «acto ou efeito de arraçoar», e arraçoar é «dar ou distribuir a ração a; dividir em rações; alimentar».

[Post 3000]

Léxico: «biodigestor»

Vai-se vendo


      «Os Estados Unidos não querem desperdiçar esta energia e têm já biodigestores anaeróbicos um pouco por todo o lado. Estes capturam o biogás do estrume e usam-no para produzir energia» («Gases da pecuária já são minimizados», Bruno Abreu, Diário de Notícias, 20.12.2009, p. 34).
      Tanto quanto pude verificar, não está registado em nenhum dicionário. O VOLP da Academia Brasileira de Letras, porém, acolhe-o.

[Post 2999]

Ortografia: «alentejanização»

Ainda hoje


      «É o grande choque cultural do ano novo. Tornar-se-ão os alentejanos mais cubanos ou os cubanos mais alentejanos? Contra qualquer outro povo, eu apostaria na vitória dos cubanos. Mas ninguém passa algum tempo no Alentejo sem sucumbir a uma profunda alentejenização» («A Cuba alentejana», Miguel Esteves Cardoso, Público, 11.1.2010, p. 31).
      Vejamos. A palavra deveria ter sido formada por alentejano+ização (à semelhança, por exemplo, de africanização, que provém de africano+ização). Logo, nunca daria *alentejenização, mas alentejanização.

[Post 2998]

Pleonasmo

Ainda pior


      «E, no ano passado, em pleno escândalo das despesas dos deputados, indignou-se com as notícias de que ela e o marido gastaram, em quatro anos, 30 mil libras em despesas de alimentação e receberam o reembolso de 160 mil libras gastas com o empréstimo da casa» («O primeiro-ministro, a mulher e o amante dela abrem crise na Irlanda do Norte», Ana Fonseca Pereira, Público, 10.1.2010, p. 12).
      «Gastaram em despesas»? Mais um pleonasmo grosseiro. Bastava mudar o verbo, e é o que se espera de um profissional da comunicação social. Depois de escrever, leia em voz alta.

[Post 2997]

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