Símbolo do grama


Mais uma

Lembram-se do texto em que falei do meio de transporte chamado americano? Vá lá, não mintam, já nos conhecemos há muito tempo. Este selo, que os CTT emitiram no ano passado, pretende lembrá-lo. Não é, contudo, este o propósito deste texto. Vejam bem (ampliem a imagem): 20 grs. Sim: plural e ponto de abreviação. Nada mais errado, pois devia ter-se escrito o símbolo de grama, que é g, e sem plural, pois os símbolos, sinais convencionais e invariáveis utilizados para facilitar e universalizar a escrita e a leitura das unidades SI, não o têm. Também eu me pergunto: quem é o responsável destas inépcias? Não há-de ser a empresa de artes gráficas.

Evolução linguística

Podemos contá-las

«Aqui há dias, reencontrei o Moura, um antigo condiscípulo do liceu (duas palavras, entre tantas, que estão a desaparecer do nosso vocabulário: “condiscípulo” e “liceu”)» («O Moura que não usava capacete», Eurico de Barros, Diário de Notícias/DN Gente, 27.09.2008, p. 23). A estas, recordadas por Eurico de Barros, poderíamos juntar umas quantas outras, mas não muitas. O período temporal da vida humana é demasiado breve para podermos assistir a uma renovação significativa da língua. Ainda assim, alguns termos e expressões vão caindo em desuso, muitas vezes por força da própria lei. Há dias, um adolescente perguntava-me o que é «ir às sortes», esse autêntico ritual de iniciação, que por vezes implicava, por exemplo, viajar de comboio pela primeira vez ou afastar-se dos pais. Pois é, por alteração recente da Lei do Serviço Militar, actualmente nem sequer é necessário fazer o recenseamento presencialmente.

Aparelho fonador

Imagem: http://i93.photobucket.com/

Que ciência?




      Na última edição de Os Dias do Futuro, programa da Antena 1, Clara Pinto Correia disse, a propósito das salamandras-dos-poços, que também o embrião humano tem inicialmente guelras externas, que depois se transformam na faringe e no sistema… «fonético». Espera lá, mas até as gramáticas mais elementares falam em aparelho fonador. Fonético diz respeito à fonética; fonador diz respeito à formação de som ou voz.

Léxico: «coorte»

Coisa da estatística

Caro Pedro Pires: de facto, o termo «coorte» (do lat. cohorte-, décima parte da legião), usado correntemente em estatística, não está registado nos dicionários mais comuns. Aliás, o próprio Dicionário Houaiss apenas regista a acepção como pertencendo à Economia. É um termo técnico que designa o grupo de indivíduos que partilham um determinado acontecimento num certo período temporal, como seja o grupo dos indivíduos nascido no mesmo ano, o grupo de solteiras em 2008, etc. É, ao contrário do que escreve, do género feminino.

Informação


Curso de Técnicas de Revisão


      Entre amanhã e 23 de Outubro, vou estar novamente, ao final da tarde, na Booktailors, ao Chiado, como docente de Técnicas de Revisão (terceiro curso de formação inicial). Se quiser aparecer (há lanchinho no intervalo), inscreva-se. Mais informações aqui.

Tradução do inglês

Misérias

Esta frase até estava perfeitamente traduzida, mas serve para exemplificar o que pretendo dizer: «The comparative affluence of the preindustrial worker […].» Ultimamente, leio demasiadas vezes aquele affluence traduzido por «afluência». Sim, sim, todos os dias aprendemos, com modéstia ou sem ela, mas não podemos ser aprendizes a vida inteira. No caso, seria: «A riqueza comparativa do trabalhador pré-industrial […].» Traduzir-se-á quase sempre por prosperidade, riqueza, abundância, opulência… Sim, alguma vez o termo certo será «afluência», «afluxo», mas nunca vi. Quando vir, aviso.

Ortografia: cardeal-patriarca

Não é bem assim

      No caso, cara Luísa Pinto, não estamos de acordo: o caso parece-me abrangido pelo que estabelece a Base XXVIII do Acordo Ortográfico de 1945. E não, não «é coisa dos últimos anos». Aposto que tenho muitos leitores nascidos depois de 1979, ano de que data a obra de onde extraio a seguinte citação: «João Gilberto vê a Isabel a um canto, sentada a ler o jornal, vai ter com ela (vê-se a ir ter com ela). “O pároco de Belém removido das suas funções por decreto assinado pelo cardeal-patriarca de Lisboa”» (Sem Tecto, entre Ruínas, Augusto Abelaira. Lisboa: Livraria Bertrand, 1979, p. 230).

Ortografia

Como se escreve?...

É o segundo vídeo aqui no Assim Mesmo, e tão interessante, por outros motivos, como o primeiro. E tem alguma relação com aquele: foi-me também enviado por Amélia Pais, a quem agradeço. Ainda está para vir o acordo ortográfico que simplifique de facto a maneira como escrevemos.


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