Tradução: «short-selling»

Opções venda curta

«A actual turbulência dos mercados, com gigantes bolsistas a verem derreter o seu valor em poucos dias, levou a autoridade supervisora dos mercados norte-americanos, a Securities and Exchange Commission (SEC), a alterar as vendas de acções a descoberto (short-selling). Este mecanismo, que permite aos especuladores ganhar dinheiro nos momentos de queda dos mercados, consiste em vender acções que ainda não se detêm, para as recomprar pouco tempo depois, mas mais baratas» («Deixa de ser possível vender acções que não se detêm», Raquel Almeida Correia, Público, 18.09.2008, p. 30).
O Banco Big chama-lhes opções venda curta, como podem ver aqui.

Uso da maiúscula. Basónimos

Pois é

«“O problema do homo sapiens é ser apenas humano. As pessoas e as instituições cometem erros e os cristãos e a igreja não são excepções», admite Malcolm Brown no site da igreja anglicana» («Anglicanos pedem desculpa a Darwin», D. M., Diário de Notícias, 16.09.2008, p. 32). Quanto aos basónimos, estamos conversados, tanto mais que o jornalista parece ter-se limitado a copiar o que se lê no sítio da Igreja Anglicana: «The trouble with homo sapiens is that we’re only human. People, and institutions, make mistakes and Christian people and churches are no exception.» De resto, não acham que faltam ali maiúsculas iniciais?

Léxico: «marketing viral»

Como um vírus

«Qualquer português pode ser capa da revista Caras. Esta é [a] lógica da acção de marketing viral que a revista do social do grupo de Pinto Balsemão lança hoje online» («‘Caras’ dá exclusivo ao seu leitor», P. B., Diário de Notícias, 17.09.2008, p. 62). Viral porque actua como um vírus: as pessoas em contacto com a mensagem acham-na tão apelativa, que a transmitem a terceiros, espalhando-se assim rapidamente.

Ortografia: «megassucesso»

Mais megas

«Ainda não escrevera [Gabriel García Márquez] o megasucesso que haveria de ser Cem Anos de Solidão, ainda não escrevera o emocionante O Amor Nos tempos de Cólera» («Antes de ‘Cem Anos de Solidão’ veio ‘A Hora Má’ agora reeditada», Isabel Lucas, Diário de Notícias, 17.09.2008, p. 51). Muito bem, o elemento nominal de composição mega- solda-se sempre ao elemento seguinte. Contudo, se este começa por s, como é o caso, dobra-se a consoante: megassucesso. Ou não, cara Isabel Lucas?

Nélson e Nelson, de novo

Como calha

Eu disse aqui que o Diário de Notícias escreve sempre «Nélson Évora»? Bem, não é exactamente assim: é mais como calha. «Entre eles, os medalhados olímpicos em Pequim, Nelson Évora, ouro no salto em comprimento, e Vanessa Fernandes, prata no triatlo» («‘Vice’ do Benfica Fernando Tavares pede demissão», Diário de Notícias, 17.09.2008, p. 64).

Ortografia: «comandante-chefe»

Francesias

      «Dois bombardeiros estratégicos russos TU-160 efectuaram patrulhas sobre as águas internacionais da costa oriental da América Latina, anunciou o porta-voz do comandante em chefe da Força Aérea, Vladimir Drik» («Bombardeiros russos sobrevoam América Latina», Diário de Notícias, 17.09.2008, p. 31). Por esta altura, já toda a gente devia saber que em português se escreve comandante-chefe, pois comandante em chefe é galicismo. «En chef. En fonction de chef. Rédacteur, ingénieur, général en chef» (in TLFI).

Tradução do inglês

Isso bem traduzido

Até podemos desconhecer o que se faz na Universidade de Verão do PSD, mas todos sabemos que John McCain was trained as a fighter pilot, tenho a certeza. Mas só o dizemos assim, com o artigo indefinido, em inglês, ou não, caro Hugo Coelho? «McCain era um piloto da Marinha americana no Vietname quando foi preso» («John McCain recebe o inesperado apoio do seu carcereiro comunista», Hugo Coelho, Diário de Notícias, 16.09.2008, p. 28).

Pontuação

Frases espinhosas

Atentem neste pedaço de prosa sobrevirgulada: «Mergulhadores dos bombeiros recuperaram ontem, na Albufeira do Ermal, em Vieira do Minho, o corpo de Bruno Araújo, de 18 anos que, anteontem, desapareceu naquelas águas fluviais» («Mergulhadores resgatam corpo de jovem afogado», Susana Pinheiro, Diário de Notícias, 16.09.2008, p. 24). É como comer uma castanha com o ouriço. Cara Susana Pinheiro: não precisava de tantas vírgulas, acredite. Use somente as necessárias, nem mais uma. No jornal, boa parte do que faço é atirar vírgulas para o caixote do lixo. Ainda ontem: «Os capões recebem, hoje, pelas 16 horas, em jogo-treino, o FC Maia.» E que tal sem nenhuma vírgula? «Os capões recebem hoje pelas 16 horas em jogo-treino o FC Maia.»

Arquivo do blogue