Pronúncia: «líderes»

Abram!

Manuela Moura Guedes, no Jornal Nacional de sexta-feira, usou a palavra «líderes», e a pronúncia foi aquela a que já nos vamos habituando: /lídres/. Com o emudecimento completo, quase desaparecimento, na verdade, do e da segunda sílaba. A sílaba tónica, de facto, é a primeira, -lí-, mas a penúltima é acentuada, pois não há aqui nenhum fenómeno fonético como a metafonia. Basta lembrarmo-nos de palavras semelhantes, com a mesma vogal: cadáver(es), cárter(es), díspar(es), dólar(es), éter(es), repórter(es), revólver(es)… Como pronuncia Manuela Moura Guedes o plural destas palavras? Ora aí está. Uma jornalista tem obrigação de saber estas coisas sobre o seu instrumento de trabalho, a língua. Como vêem, não é preciso o Acordo Ortográfico para desvirtuar a língua.

Recursos

Dicionário de râguebi

Em catalão, temos em linha o Diccionari de rugbi, que recolhe 216 termos com a respectiva definição em catalão e os equivalentes em espanhol, francês e inglês. Os termos procedem do Diccionari general de l’esport, que o TERMCAT prevê publicar ainda este ano. Em português, tanto quanto sei, não há nada.

Nomes de personagens


Primeiro estranha-se

Não é exactamente como afirma, cara Luísa Pinto, pois há nomes de personagens de obras estrangeiras, livros e filmes, que foram adaptados ou traduzidos. De momento, apenas me recordo do Dr. Strangelove. Esta personagem, que pertence ao filme homónimo (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, de 1964) de Stanley Kubrick, é mais conhecida em Portugal como Dr. Estranhoamor. (No Brasil, a personagem chama-se Doutor Fantástico, tal como o filme.) Neste caso, como os nomes são também inventados na língua original, acho bem que sejam traduzidos ou adaptados, desde que se encontre, como foi o caso, um equivalente eufónico. Neste filme, de resto, muitas das personagens tinham nomes assim construídos: general Jack D. Ripper, embaixador de Sadesky, general Turgidson...

Elemento «mega-»


Megalomanias

Já aqui falei, mais de uma vez, da verdadeira mania de usar o elemento de composição mega nos últimos tempos. Uma praga, é o que é. E, pior ainda, por vezes incorrectamente escrito. O exemplo de hoje é o pior dos piores: deixa o elemento pendurado na frase. Não é segredo nenhum que não é assim que se escreve, mas megaconferência.
Entretanto, se quiserem ir ao Pavilhão Atlântico, no dia 18, ouvir um dos co-autores de O Segredo, o filósofo, escritor e orador motivacional (motivational speaker) Bob Proctor, ainda estão a tempo. Só têm de pagar 30 euros pelo bilhete, mas deve valer a pena, já que Bob Proctor afirma: «Posso mostrar-vos como ganhar o dinheiro que precisam, para as coisas que querem, para viver da maneira que preferirem viver.» Ele sabe do que fala (ao contrário de quem traduziu a frase, num português pouco escorreito), pois afinal só em Portugal venderam-se, em 2007, 1450 exemplares da obra por dia, segundo dados do Bibliotecário de Babel…

Pontuação

Gramática em crise

A crise também já chegou à RTP. Só já tem um jornalista! Não acredita? Leia esta notícia do jornal gratuito Destak: «A jornalista da RTP, Fátima Campos Ferreira, vai ser homenageada pela Fundação Bernardo Coutinho com a medalha de ouro em Newark, EUA» («Televisão», Destak, 4.6.2008, p. 28). E que tal uma reciclagem em gramática, senhor jornalista?

Recursos

Futura ortografia

As alterações introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 1990 estão já contempladas na edição digital da Infopédia, publicada pela Porto Editora, com acesso livre aqui. Poderão confirmar, por exemplo, que neorrealismo é um vocábulo dAC, «depois do Acordo Ortográfico»...

Recursos

Desportos náuticos

Também em linha temos o Diccionari d’esports nàutics, catalão, com 963 termos, com a respectiva definição e equivalentes em espanhol, francês e inglês.

«Endireita», «algebrista»

O endireita


      Se querem mesmo uma antecipação a sério, sem nenhum objectivo enviesado, das regras do Acordo Ortográfico de 1990, podem descarregar o livro de contos O Endireita, de Edson Athayde. Segundo a notícia do Público, o autor afirma que «é “o primeiro livro do mundo” publicado segundo as regras do novo acordo ortográfico». «O conto que dá o nome ao livro», ainda segundo o Público, «“O endireita”, lança um desafio particular para o público brasileiro, uma vez que o termo, que Edson Athayde confessa que achou “maravilhoso”, não tem paralelo no Brasil. “Endireita não tem significado no Brasil. A primeira vez que ouvi a palavra foi em Portugal. Achei maravilhosa. Acho maravilhoso quando a peça for montada no Brasil, ter este léxico tão português”, diz Edson que quis que esta obra fosse um teste ao novo acordo ortográfico». Um sinónimo é «algebrista», que os dicionários brasileiros também não registam. O Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo, regista que algebrista é «aquelle que medica fracturas de ossos, ou ossos deslocados».

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