Judeu/judaico

Museu Judaico de Berlim


      Já foram várias as vezes que aqui escrevi sobre a diferença entre «judeu» e «judaico». O erro persiste. Pelo que pude averiguar, o erro já vem da agência Lusa. Os jornais limitam-se a — acefalamente — reproduzi-lo, como fez o Meia Hora: «O Museu Judeu de Berlim voltou a superar em 2007 o seu recorde anual de visitantes, com 733 mil pessoas, mais 18 mil do que no ano anterior» («Museu Judeu de Berlim supera número de visitas», Meia Hora, 7.1.2008, p. 13). Alguns jornais ainda têm a desculpa de que não têm revisão, mas este tem: a ficha técnica diz que a revisora é Sílvia Lobo.




O futebolês nas traduções

Mister

Ontem à noite, dei uma olhadela ao canal Hollywood. Passava o filme Os Três Desejos (Three Wishes no original). Estavam três personagens sentadas à mesa a tomar o pequeno-almoço. Quando entra uma quarta personagem, e foi aqui que eu comecei a ver, a personagem desempenhada por Patrick Swayze levanta-se e diz: «Coach…» A tradutora (e tive de esperar até ao fim para ver quem tinha traduzido), Susana Bénard, achou que ficaria bem traduzir «coach» por «mister», palavra bem portuguesa, como sabemos. Talvez alguma «massa associativa» ache bem, eu acho simplesmente ridículo.

Léxico contrastivo: «drogadição»

Adições e subtracções

      «A educação moral no lar é o recurso mais próprio para evitar-se a contaminação dessa pandemia — a drogadição —, ensejando segurança emocional e afetiva ao ser inquieto e inseguro no processo da sua reencarnação, trabalhando-lhe os tesouros morais que serão estimulados para a luta e para o equilíbrio» («Drogadição na família», Divaldo P. Franco, O Povo, 6.1.2008, p. 29). Entre nós, diz-se «toxicodependência» e, por vezes, «adição». Em relação a esta última, condeno, os meus leitores já o sabem, o seu uso nesta acepção. «Vício» não chegará? «Cientistas norte-americanos do Baylor College of Medicine, em Houston, estão a desenvolver uma vacina que dizem ser o primeiro fármaco utilizado para combater o vício da cocaína. “Para quem quer parar de consumir [cocaína], a vacina poderia ser muito útil”, explicou Tom Kosten, citado pelo diário Folha de São Paulo» («Vacina vai ajudar no combate ao vício da cocaína», Meia Hora, 7.1.2008, p. 12).

Ortografia: Árctico e Antárctico

Guarda-factos

      É muito raro encontrar correctamente grafados os topónimos Árctico e Antárctico. «O aumento das temperaturas no Ártico tem sido, nas últimas décadas, quase duas vezes mais rápido do que no resto do planeta mas os cientistas não sabem se esse aumento se deve à acção humana ou a ciclos naturais, segundo artigos ontem publicados na Nature» («Aumento da temperatura mais rápido», Global, 4.1.2008, p. 14).

Léxico contrastivo: «moisés»

Bebé a bordo

«Pode parecer exagero de americano, mas faz sentido. Há uma discussão em torno da segurança real das crianças pequenas, que viajam de avião com os pais. Pelas regras da Transportation Safety Administration (TSA), bebês com idades abaixo de 2 anos voam no colo, sem bilhetes ou assentos próprios, identificação na maior parte dos arquivos das companhias ou qualquer outro tipo de proteção. São os únicos passageiros dispensados nos EUA da checagem que a tripulação de cabine faz dos cintos de segurança na decolagem e no pouso. Tudo de que dispõem para a própria segurança é o braço de quem os está carregando. Há quem defenda por lá a obrigatoriedade de os pequenos viajarem em berços, moisés ou cadeirinhas atadas aos bancos, para reduzir riscos» («Os cuidados com bebês que viajam no colo», Marcelo Ambrósio, Jornal do Brasil, 6.1.2008, p. E7). Os moisés brasileiros são as nossas alcofas para bebés. Actualmente, em Portugal, o sistema mais usado não é este, mas sim o ovo.

Léxico contrastivo: «tipóia»

Imagem: http://portal.ua.pt/

Vai um coche?


      Aprendi a fazer, num curso de primeiros socorros, com alguma proficiência já demonstrada num caso real, a manobra de Heimlich. Contudo, se estivesse no Brasil e, perante a suspeita de fractura da clavícula de alguém, me dissessem que tinha de amparar o antebraço da vítima com uma tipóia, não saberia que fazer. Ou perguntaria se um coche também servia. Até ontem. Agora sei. Na verdade, uma tipóia — é mais um brasileirismo — é qualquer lenço ou tira de pano que se prende ao pescoço, para descanso do braço fracturado ou ferido. Apenas conhecia o termo charpa para designar o mesmo.

Prefixo sub-


Secrets des bas-fonds

Júlia Durand tem 13 anos e é escritora. O lançamento da sua obra Segredos do Sub-Mundo realizou-se, como se pode ver na imagem, no dia 10 de Dezembro. Vi, entrevi, uma entrevista na televisão. Está tudo muito bem. Mas o revisor também tem 13 anos? É que o prefixo sub só tem hífen antes de palavras iniciadas por b (sub-base) ou r (sub-região). Logo, submundo.

Tradução: «perré»

Perré, pitching, enrocamento

Por vezes ouve-se falar em perré. Por exemplo, o aterro formado pelo perré da Junqueira, inserido no Plano Geral dos Melhoramentos do Porto de Lisboa de 1886. Os dicionários bilingues francês-português dividem-se: uns dão a definição, erro crasso já aqui abordado, e não o termo correspondente em português; outros dão como definição «muro de contenção». A partir da definição francesa (Perré m. Dans le domaine des trav. publ. Revêtement en pierres sèches ou en maçonnerie, destiné à renforcer un remblai, les rives d’un fleuve, les parois d’un canal, etc.│Rivage de la mer couvert de pierres ou de galets), podemos chegar a um termo português, que é enrocamento. E, para os meus leitores que não são engenheiros, devo dizer o que é um enrocamento: conjunto de pedras toscas que servem de alicerces nas obras hidráulicas. Em inglês diz-se stone pitching e em espanhol encachado.

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