18.10.06

Neste anúncio da Portugal Telecom, que está a ser publicado, em página inteira, em vários jornais, podemos ler: «Chamadas grátis para sempre? Épa, inventam tudo!» Não terão antes pretendido escrever «EPA», abreviatura de Escola Prática de Artilharia? Então, está o acento agudo a mais. Estou a brincar. E, o que é pior, parece que também eles estão a brincar. Vejamos. «Épa» não existe, mas ninguém — a PT, os Gato Fedorento, a agência de publicidade — se deu ao trabalho de consultar um dicionário. Para quê, não é? Se isto tem tudo tanta graça, mas tanta… Deveriam ter escrito, já todos os meus leitores viram isso, desta forma: «Chamadas grátis para sempre? Eh, pá, inventam tudo!» «Eh», no caso, é uma interjeição que exprime surpresa. «Pá» é a forma abreviada de «rapaz», usada como interlocutório pessoal. Tornou-se, depois do 25 de Abril, bordão de linguagem, marcando o tratamento nas relações sociais. Lembro-me sempre, quando penso em «pá», de Otelo Saraiva de Carvalho, que ainda hoje, passados mais de trinta anos, profere «pá» com uma frequência estonteante. Parece uma G3: pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá-pá…
