Palavras concanis

Da Índia

      Nunca encontrei em nenhuma gramática histórica uma lista das palavras concanis em português, como encontro, por exemplo, de palavras do sânscrito, do marata, do hindustani, etc. Do sânscrito, por exemplo, temos avatar, açúcar, brâmane, cânfora, casimira, carmesim, castur, chacra, cornaca, garbanada, gengibre, guna, hindu, jambo, marajá, marani, sândi, rajá, sândalo, rupia, trimúrti, suarabácti, nirvana, xara… Do marata, chale, chaudarim, crós, guinde, launim, lavanissi, marata, zuarte… Do hindustani, cer, gavial, nababo, pijama, xampu… O que se segue é uma primeira tentativa de um glossário de termos com etimologia concani.

Adalí m. (do concani adalí). Planta verbenácea de sabor amargo, empregada como antídoto contra a mordedura da naja (Lippia nodiflora, Rich.).
Advipatel m. (do concani advipati). Imposto que se pagava, em Goa (Novas Conquistas), Índia Portuguesa, pelo pasto consumido pelo gado forasteiro.
Ageru m. (do concani ajeru). Heliotrópio índico.
Alenga f. (do concani alem). Escavação ou cadeira em volta de árvore.
Bataló m. (do concani batló). Hindu poluído ou desacreditado por comer com pessoas de outra casta ou comer coisas proibidas.
Batcar m. (do concani bhatkar). Proprietário rural, na antiga Índia Portuguesa.
Batcarina f. Mulher do batcar.
Bavá f. (do concani bava). Indiano, geralmente da casta dos suaras, que vive insulado da família e se entrega a penitências.
Begarim m. (do concani begari). Trabalhador rural, na antiga Índia Portuguesa.
Betal m. (do concani betal). Divindade indiana que se representa nua e servida por ministros da classe dos sudras.
Bói m. (do concani boy). Na Índia, moço para recados e transporte; serviçal.
Boiá adj. e s. 2 gén. Antiga designação dos portugueses de Goa.
Bondi m. Em Goa, certa carroça comprida.
Borodo m. Terreno alto e pedregoso, no Concão.
Brindão m. (do concani bhirand). Fruto do brindoeiro.
Brindoeiro m. Árvore da antiga Índia Portuguesa (Garcinia indica), de fruto comestível e de cujo caroço se extrai azeite medicinal.
Cajuló m. Aguardente de palmeira, em Goa.
Camotim m. (do concani kamoti). Agrimensor; inspector de campo, na antiga Índia Portuguesa.
Caranda f. (do concani karand). Fruto da carandeira.
Carandeira f. Árvore indiana da família das apocináceas e cujo fruto comestível é a caranda.
Casana ou cazana f. (do concani khazan). Na antiga Índia Portuguesa, várzea à beira de um rio, com valado para impedir a inundação.
Cato m. (do concani khat). Uma goma medicinal, parda, das Índias, aliás terra-japónica.
Cazeró m. (do concani kãzró). Nome de uma árvore da antiga Índia Portuguesa, de cuja semente se extrai a estricnina, empregada como tónico do sistema nervoso.
Cazol m. (do concani kazol do sânscrito kajjala). Colírio de fuligem que as mulheres indianas usam nas pálpebras para apurar a vista e embelezar os olhos.
Chabuco m. (do concani chabuk). Açoute de bestas; chicote.
Chandala m. (do concani chandal). Indivíduo das ínfimas castas da Índia.
Chardina f. Mulher pertencente à casta dos chardós.
Chardó m. (do concani tçardó). Guerreiro, homem da segunda casta indiana, segundo a organização bramânica; xátria.
Chatim m. Negociante pouco escrupuloso, traficante.
Chela f. (do concani chel). Tecido de algodão, usado na Índia e na África Oriental, mais encorpado, menos liso e de cores menos vivas que a chita.
Chirbuliós m. pl. (do concani chirmulyô). Arroz descascado e torrado, na antiga Índia Portuguesa.
Chitela f. (do concani chital). Antílope mosqueado, de pontas muito curtas.
Chito m. (do concani chitt). Na antiga Índia Portuguesa, bilhete; aviso, escrito.
Chole m. (do concani tçoli). Corpete de mulher, na Índia. O m. q. chóli.
Chouri m. (do concani chauri). Rabo de boi usado em solenidades indianas, como enxota-moscas e como insígnia da realeza.
Churta f. (do concani tsudet). Folhas de palmeira, na antiga Índia Portuguesa.
Ciçó ou sissó m. (do concani xisó). Bot. Árvore de madeira preta, muito apreciada na Índia e na Europa.
Cidão m. (do concani xidav). Espécie de foro, em Goa.
Colita m. (do concani). Planta indiana.
Combalenga f. (do concani kumvaló). Espécie de abóbora-chila.
Concanó m. Gentio do Concão.
Cormaró m. (do concani karmaló). Planta labiada, odorífera, da Índia.
Cotubana f. (do concani kotuban). Na antiga Índia Portuguesa, aforamento perpétuo.
Coulo m. (do concani kaul). Carta de seguro, passada pela autoridade superior a alguém sob condição de determinada contribuição.
Coxivarado m. (do concani koxvarado). Tributo que as antigas comunidades indianas pagavam ao rei do Canará e depois aos dominadores mouros e maratas, para os ajudar contra os salteadores; foro.
Cuculim m. (do concani kudali). Espécie de sachola ou sacho grande.
Cucume f. (do concani kunkum). Cosmético que as mulheres indianas aplicam na testa.
Cudo m. (do concani kud). Habitação em comum, em terra estranha, dos indivíduos de uma mesma freguesia, casta ou profissão.
Cudolim m. (do concani kudali). Espécie de sachola ou sacho grande, na antiga Índia Portuguesa.
Culna f. (do concani kuln). Terreno alto, susceptível de cultura.
Cumbo m. (do concani kumbh). Medida de capacidade indiana, equivalente a trinta e dois hectolitros.
Cumbolém m. (do concani kumblém). Arroz que os tendeiros pagam aos senhorios, na antiga Índia Portuguesa.
Cumerim m. (do concani kumeri). Queima, desbaste, corte de mato, para se cultivar a terra onde ele cresceu.
Cunto m. (do concani kunt). Certo direito que o tabaco e as embarcações pagavam em Goa.
Cupa m. (do concani kupa, sebe, cercado). Espécie de sal de Goa, leve e finíssimo, destinado exclusivamente ao mercado de Bombaim. Obtém-se fraccionando os tabuleiros em pequenas subdivisões.
Curtarém m. (do concani kudtarem). Espécie de toucado das bailadeiras indianas.
Curumim m. (do concani kumbi). Servo, criado.
Curvadi m. (do concani kulvadi). Agricultor, lavrador.
Cutudém m. (do concani kuntdem). Imposto sobre o corte de lenha nas matas públicas das Novas conquistas de Goa.
Dali m. (do concani dali). Espécie de açafate de cordas de bambu, na antiga Índia Portuguesa.
Damã m. (do concani dhaman). Árvore indiana.
Damni m. (do concani dhomon). Árvore da antiga Índia Portuguesa, de madeira muito empregada em eixos de carros, etc.
Dangui m. (do concani dangi). Antigo funcionário aduaneiro que declarava os direitos a que estavam sujeitas as mercadorias nas Novas Conquistas (antiga Índia Portuguesa).
Desporobo m. (do concani dexperabh). Autoridade local, na antiga Índia Portuguesa.
Dessai m. (do concani desay). Antigo chefe ou administrador de concelho ou de aldeia, no Concã; hoje, mero título honorífico em algumas famílias principais.
Dessaiado m. Território, ofício ou jurisdição do dessai.
Dessaína f. Mulher do dessai.
Dodó m. (do concani dhadó). Peso equivalente a sete arráteis, na antiga Índia Portuguesa.
Donez m. (do concani). Toro, cepo, na antiga Índia Portuguesa.
Dorobo m. (do concani darabh). Espécie de essa, em que os Indianos colocam o cadáver, durante os serviços religiosos que precedem o enterramento.
Dovorne, dovórni m. (do concani davarnem). Pedra que serve de marco miliário, de quilómetro em quilómetro, e em que os viandantes carregados podem colocar as suas cargas sem auxílio estranho.
Duduquém m. (do concani dudhkem). Espécie de cabaça grande ou de vaso de abóbora-carneira, em que na Índia se guarda a sura.
Dutró, duturó m. (do concani dhutro). O m. q. datura.
Duvol m. (do concani davló). Antiga moeda indiana.
Gorbaga f. Casa sem quintal, em Goa.
Gramacorcho m. (do concani gramakhartç). Contribuição para as despesas extraordinárias de uma aldeia.
Guirmarique m. (do concani girmarik). Árbitro, nomeado anualmente pela comunidade, em Goa, para julgamento de cargas e transportes.
Gulala f. (do concani gulal). Pó vermelho, com que se pintam os indianos, cristãos e gentios, no Entrudo.
Gulgul m. (do concani gugul). Na antiga Índia Portuguesa, nome que se dá à goma-arábica.
Gumata f. (do concani ghumat). Instrumento, que também se conhece por batuque, na ex-Índia Portuguesa.
Lotingó m. No Concão, toro de madeira, roliço, não serrado longitudinalmente.
Mandaré m. Em Goa, canudinho de farinha e azeite de coco; espécie de coscorão.
Massur m. (do concani masur). Bot. Lentilha da Índia.
Mundcaria f. (do concani mundcar, colono, serventuário rural). Instituição social de Goa, ou condição especial, de indivíduos que vivem na propriedade do senhor das terras ou batcar, a quem prestam serviços, lavaram e vigiam os terrenos, e de quem recebem habitação, protecção e por vezes salário.
Nadém m. (do concani nadem). Certo tecido, em Goa. O m. q. goni.
Naru m. (do concani naru). Espécie de filaria, que também se chama verme-da-guiné, que habita no tecido celular subcutâneo do homem, especialmente nas pernas.
Ordetanga f. Moeda de Goa que valia metade de uma tanga.
Ordevintém m. Moeda de Goa que tinha o valor de quatro réis e meio provinciais.
Orida f. (do concani udid). Bot. Certa planta leguminosa de Diu.
Otomba f. (do concani vont). O fruto da otombeira.
Otombeira f. Bot. Árvore da ex-Índia Portuguesa.
Patém m. (do concani patê). Na ex-Índia Portuguesa, o m. q. piteira.
Patinga f. (do concani pat). Na ex-Índia Portuguesa, toro ou trave não serrada.
Pinaca f. (do concani pinak). Na ex-Índia Portuguesa, resíduo ou bagaço de coco e de gergelim, depois de extraído o óleo.
Pongueró m. (do concani pongeró). Planta leguminosa da ex-Índia Portuguesa. O m. q. ponguiró.
Potó m. (do concani pattó). Espada de dois gumes, usada na Índia em certas festividades.
Pudvém m. Pano que os homens da ex-Índia Portuguesa enrolam à volta dos quadris, como saiote. O m. q. pudivão.
Queire m. (do concani khair). Na ex-Índia Portuguesa, o m. q. pau-ferro.
Quésri m. (do concani Kesri). Nome que se dá em Goa à planta que no Brasil é conhecida por urucu.
Sabaio m. Designação do governador de Goa, antes do domínio português.
Rontó m. (do concani ronto). Lavra indiana que ataca as palmeiras, coqueiros e mangueiras, perfurando-lhes longitudinalmente o caule.
Saguate m. (do concani saguvat). Presente, oferta, donativo.
Sandana m. (do concani sandnam). Bolo de farinha de arroz, levedada com sura e cozida no vapor de água a ferver.
Sangotim m. (do concani xigonti). Ant. Imposto que se pagava em Goa por gado vacum e búfalos.
Sanvori m. (do concani sanvari). Bot. Planta da Índia, também chamada panheira.
Saudó m. (do concani saudó). Espécie de embarcação indiana.
Selim m. (do concani selem). Cacho de cocos.
Sendur m. (do concani xendur). Designação do deutóxido de chumbo.
Sigmó m. (do concani xigmó). Festividade gentílica do Concão, semelhante ao nosso Carnaval.
Surá m. (do concani sura). Tecido de seda cruzada, macio e leve, fabricado na Índia.
Surana f. (do concani suran). Nome de uma planta arácea da Índia de raízes bulbosas e de flores que exalam o cheiro de animal em decomposição.
Suranga f. (do concani surang). Nome dado à flor da surangueira.
Surangueira f. Nome de uma árvore indiana de flores miúdas, branco-amarelas, muito aromáticas.
Talapate m. Ant. Imposto que pagavam, na Índia, os boticários, ourives, etc.
Tambió m. (do concani tambyó). Cântaro ou bilha em Goa.
Tamom m. (do concani taman). Bot. Árvore da ex-Índia Portuguesa, também chamada catapinaca-das-serras.
Tanga f. (do concani tang). Moeda divisionária de pequeno valor, usada em vários países da Ásia, incluindo a ex-Índia Portuguesa, nesta desde final do século XVI, no valor de 60 réis, tendo sido primitivamente de prata e depois de cobre.
Terlo m. Vigia das várzeas e dos palmares, em Goa.
Vangana f. (do concani vamygan). Em Goa, a sementeira do arroz em tempo de seca, impropriamente chamado Verão, que vai de Novembro a Março seguinte.
Vângor m. (do concani vandaga). Subdivisão territorial das comunidades indianas.│Denominação reservada a uma só família ou grupo de famílias, na nomenclatura aldeã da Índia, que representam uma unidade activa nos interesses agrícolas da comunidade da aldeia; agrupamento de famílias; parentela.
Xendi m. (do concani xendi). Trança solta de cabelo usada pelos iogues da Índia.
Xivanti m. (do concani xivanti). Formosa plana indiana, muito cultivada em jardins.
Xivor m. Em Goa, cacho de cocos desembaraçado do envoltório.
Zagor m. Em Goa, teatro onde se representam peças licenciosas e grosseiras.

Léxico: patilhão

O melhor dicionário

      Por vezes, encontramos na imprensa definições que superam em precisão as que encontramos nos dicionários. Ora atente-se no seguinte caso. «Um patilhão é uma quilha artificial que as embarcações à vela têm para evitar a deriva, explica o comandante Reis Ágoas, da Zona Marítima do Sul. O vento nem sempre sopra na direcção desejada. O patilhão oferece resistência ao vento, faz com que a embarcação siga em frente, em vez de andar para os lados. “E ajuda o barco a não se virar, porque baixa o centro de gravidade”» («“Manhas” do trimarã terão dificultado fuga dos franceses», Ana Cristina Pereira, Público, 25.08.2006, p. 24). Se o Dicionário da Academia — que nem sequer regista este vocábulo — tivesse abonações como esta, seria muito mais útil e preciso.

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Munta brutos

      Pinchado, mas lá está, imponente e erróneo, na 2.ª Circular: «Os nossos gatos são muita graaa…aandes!» «Muita», hein? Até apetece percorrer mais quilómetros e ir ao Badoca Safari Park. Dado que este anúncio do Jardim Zoológico tem como público-alvo as crianças, serão também elas, mais impreparadas, tabulae rasae, que irão absorver estes erros. (A quem invocar o argumento de que se trata de criatividade, o que decerto acontecerá, direi que é possível ser-se criativo atendo-nos às regras da gramática; de qualquer modo, convenho, a subversão dessas regras por quem conhece bem a língua, e isso não é para todos, cria como que uma nova norma.) Quando souber de alguma criança que insista que se diz «muita grandes» e não «muito grandes» — invocando o exemplo do Zoo —, farei qualquer coisa. Greve de fome, uma manifestação junto do Parlamento ou um abaixo-assinado. Vou soltar as minhas feras… Como afirmou certa vez Agustina Bessa-Luís, indigna-me a incapacidade de as pessoas se indignarem.

Ortografia: semi-submerso

Mais estudo, menos invenção

      Há aspectos da língua, e não são poucos, que não estão previstos nas gramáticas e sobre os quais, legitimamente, os falantes poderão ter opiniões diversas. Não é isso que acontece, porém, com o uso do elemento de composição semi-, como se sabe. «Uma jovem americana grávida, que deu à luz o seu bebé dentro de uma viatura acidentada semissubmersa num canal em Pahokee, na Florida, deu o nome de “Myracle” à sua filha» («Jovem deu à luz num carro acidentado», Diário de Notícias, 15.08.2006, p. 44). Se se escreve, e qualquer dicionário o regista, semi-sábio, semi-sagitado, semi-savânico, semi-secular, semi-sedentário, semi-segredo, semi-selvagem, semi-selvático, semi-senhorial, semi-septenário, semi-sério, semi-serpente, semi-serrano, semi-silvestre, semi-soberania, semi-soberano, semi-som, etc., por que motivo se puseram a inventar? A regra diz que o elemento semi- é seguido de hífen quando o segundo elemento começa por h, i, r ou s.

Glossário: palavras em -tude

Embrulha

      A quem me disse certa vez que apenas temos, em português, meia dúzia de palavras terminadas em -tude, deixo aqui o capital e os juros. E lembro-lhe: pelo menos nove destas 49 palavras uso ou leio todos os dias.

acritude
altitude
amaritude
ambitude
amplitude
angelitude
aptitude
arctitude
atitude
beatitude
celsitude
co-latitude
completitude
completude
crassitude
decrepitude
dessuetude
desvirtude
dissimilitude
excelsitude
finitude
fortitude
hebetude
ilicitude
incompletude
inquietude
irrequietude
juventude
lassitude
latitude
licitude
lipitude
longitude
magnitude
mansuetude
negritude
placitude
platitude
plenitude
pulcritude
quietude
rectitude
senectude
serenitude
similitude
sobrevirtude
solicitude
torpetude
verosimilitude
vicissitude
virtude




Depreciativos e burlescos

Aqui d’el-rei!

      Não deixa de espantar o número de palavras depreciativas que temos para os termos «rei» e «príncipe». Mas não para «rainha», que a Lei da Paridade ainda não tinha sido… parida. Concebida, congeminada, engendrada, gerada, urdida… A República, mais tarde, amansou-nos, e o vocábulo «presidente» não tem, que eu conheça, nenhum derivado burlesco. Rei, pois: reizete, regulete, régulo… Príncipe: principelho, principete, principículo, principote… Foram muitos séculos.

Fenómeno fonético: imela

I... quê?

      «Há um fenômeno», explica Ismael de Lima Coutinho na obra Pontos de Gramática Histórica, «peculiar à fonética árabe, denominado imela*, segundo o qual o a tônico passa a e ou i. É o que explica a transformação de Tagu> Tejo, Pace, ou melhor Paca> Beja, *Hispalia por Hispalis> Isbilia, hoje Sevilha» (p. 192).

* Do árabe clássico الاِستِعلَاءُ, imālah (inflexão). Este fenómeno fonético foi frequente na Espanha muçulmana. A propósito, calcula-se que o espanhol tenha cerca de 4 mil palavras de origem árabe.

Blog ou blogue?

Opções

      O leitor JRC pergunta se se deve escrever «blog» ou «blogue». Bem, começo por dizer que adoptei desde a primeira hora a forma «blogue», que vejo que tem um uso muito difundido. Vamos às razões. Seria difícil encontrar um termo novo ou já existente na língua portuguesa que passasse a designar esta realidade nova. A força avassaladora do inglês provém, naturalmente, do facto de ser no seio desta cultura que se inventam as realidades a que se impõe dar nome. Assim, dado que há uma relação aproximada grafema/som entre o inglês «blog» e o aportuguesamento «blogue» — como poucas vezes acontece, pense-se em tentativas de aportuguesamento como «icebergue» e «surfe», para não referir outras —, é preferível usarmos o estrangeirismo «blogue» ao empréstimo «blog». E já se sabe: quem empresta nunca melhora.

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