«Embaixadora/embaixatriz»

É a crise

      «O Ministério dos Negócios Estrangeiros suspendeu desde janeiro o pagamento de complementos de reforma a viúvas de ex-embaixadores e antigos funcionários. Em resultado, cerca de vinte ex-embaixatrizes — a quem era reconhecido um trabalho de utilidade pública — ficaram reduzidas a pensões de sobrevivência de valor muito escasso, que em alguns casos não alcançam mais de 70 euros» («MNE suspende pensão a viúvas de embaixadores», Expresso, 16.04.2011, p. 48).
      Já é pacífico que houve especialização de sentido, e que embaixatriz é apenas a esposa de embaixador? E já viram a definição de «embaixador» no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa? Ei-la: «Representante do chefe de um Estado numa corte estrangeira.» E na Sexta-Feira Santa não trabalham, claro.
      «Só quem ha tratado com exemplares da especie pode avaliar a dose de impafia que incha o peito constellado da farda de um embaixador de carreira. Não ha na creação animal mais vaidoso... a não ser uma embaixatriz» (Cousas Diplomaticas, Oliveira Lima. Lisboa: A Editora, 1908, p. 259).
[Post 4714]

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3 comentários:

Bic Laranja disse...

Não é pacífico. «Embaixatriz» é apenas e só o feminino de «embaixador». Com quem ela é casada não é com a Gramática.
...
Cristalizou num tempo antes mesmo de existir, no tempo do Diccionario Pribérão da Lingoa Portugueza.
Cumpts.

Paulo Araujo disse...

E ainda pode ser mais complicado se ambos(as) forem bissexuais. E bem mais se ambos(as) forem transexuais e se comportarem bissexualmente.

Venâncio disse...

Desculpe, Paulo, se pareci um pouco fundamentalista. Mas penso que já chega de casamentos hétero de fachada, exactamente em meios diplomáticos.

Na própria supertolerante Holanda, até há pouco a rainha (sim, a minha rainha) proibia, ao corpo diplomático, o comparecimento de cônjuges do mesmo sexo em cerimónias, recepções etc. Teve de levantar a proibição, sob a pressão do Parlamento.

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