Ortografia: «baba-de-camelo»
23.12.08
Imagem: http://oglobo.globo.com/Väkevä glögi e outras coisas
Ontem bebi, pela primeira vez, uma caneca de oloroso e quente glögi, a bebida nacional finlandesa. Contudo, como este blogue não é sobre a minha vida, passo já ao que interessa. A leitora Teresa Silveira quer saber se o doce tradicional português se escreve baba de camelo ou baba-de-camelo, e porquê. Isto é, com ou sem hífens. Estamos claramente perante um composto que forma um sentido único ou uma aderência de sentidos, como exige o Acordo Ortográfico de 1945. Logo, baba-de-camelo. Tal como papo-de-anjo, orelha-de-abade, barriga-de-freira e toucinho-do-céu, por exemplo. A baba de camelo propriamente dita é algo, apesar de tudo, diferente: é a própria secreção do simpático mamífero ruminante. Que nunca vi em nenhum restaurante nem quereria degustar.
edit
9 comentários:
roedor?
Já corrigi. Deve ter sido do glögi. Bom Natal para todos. Bem hajam.
hífens ou hífenes, ou as duas?
Hífens e hífenes, é indiferente.
Tenho visto também «hifens», sem acento, com muita frequência. Teremos aqui um caso de tripla grafia?
Fernando Ferreira
Na forma generalizada como se pronuncia e escreve em Portugal, que reputo correcta.
Rectifico: encontrei a excepção «ámen», cujo plural é «ámens». O Hélder poderia indicar alguma obra onde a palavra «hífen» fosse explicitamente referida como uma excepção? Obrigado,
Fernando Ferreira
Não, não: o plural de ámen é ámenes. O de amém é que é améns. Mas não conta para o caso, é claro. Abdómen, abdómens, leio na MorDebe. Mas será, na perspectiva dos autores, gralha. É, de qualquer modo, um plural mais fácil de pronunciar, e a Base IX, n.º 2, a) do Acordo Ortográfico de 1990 vem consagrá-lo. Sem, contudo, o acento: cármen/cármenes ou carmens; dólmen/dólmenes ou dolmens; éden/édenes ou edens; lúmen/lúmenes ou lumens.
Caro Hélder:
Muito obrigado pela referência ao Acordo Ortográfico de 1990. Quanto ao plural «amens» (sem acento; o acento foi gralha minha no comentário anterior) de «ámen», é referido como excepção na p. 56 do Prontuário Ortográfico de Magnus Bergström e Neves Reis (46.ª edição, de Janeiro de 2004).
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