O Doutor explica
Na redacção. Na secção de desporto (ficam assim a saber que não é um desportivo), um jornalista escreveu isto na programação televisiva: «Beira-Mar—Sporting de Braga, 20.h15m. (SportTV1).» Começando pelo fim: há espaço, sim: Sport TV1. As horas já aqui vimos: escrevi (apesar de a minha opção no blogue ser outra) 20h15. E agora o princípio e o principal: «Beira-Mar—Sporting de Braga»?
Aqui ao lado, Cláudio Moreno pontifica: «O travessão já é vinho de outra pipa; ele serve (1) para indicar, num diálogo, o início da fala de um personagem; (2) para, exatamente como os parênteses, indicar a intercalação de um elemento na frase (como eu próprio fiz, no último período do parágrafo anterior); (3) para introduzir, ao final de um argumento ou de uma enumeração, uma síntese ou conclusão (“Imagine um entardecer de domingo, escuro e frio, debaixo de uma chuva fina, numa estaçãozinha de trens do interior do estado — uma verdadeira desolação!”; (4) para indicar o ponto inicial e final de um percurso ou de um espaço de tempo: a ponte Rio — Niterói; a obra de Tobias Barreto (1839—1869).» Será assim (?) no Brasil, não em Portugal. Base XXXII do Acordo Ortográfico de 1945 (e o mesmo se encontra estabelecido no último acordo): «É o hífen que se emprega, e não o travessão, para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos compostos, mas encadeamentos vocabulares: a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade; a estrada Rio de Janeiro-Petrópolis; o desafio de xadrez Inglaterra-França; o percurso Lisboa-Coimbra-Porto.»
Quanto às datas, faço, e nem sempre, o mesmo (ou quase: uso meia-risca), mas, como os acordos ortográficos não focam essa questão, fica, por ora, de fora. Mas a ela voltaremos.
Resumindo: «Beira-Mar-Sporting de Braga, 20h15 (Sport TV1). O Doutor esqueceu-se dos encontros desportivos. Mas qualquer dia chega lá.
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