17.9.11
Já vem dos Gregos
«Só os diospiros, este ano, cumpriram a ordem contemplada. Tão doce como maldita e mal amada. Espero a mesma ortodoxia por parte das romãs. Têm a virtude de ficarem bem em casa, sem perigo de serem comidas» («Dá Deus nozes», Miguel Esteves Cardoso, Público, 17.09.2011, p. 39).
É assim que muita gente diz e escreve — mas mal, pois é vocábulo proparoxítono, embora na página 1264 o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa ache que é indiferente. E como a primeira forma que registada neste dicionário é «diospiro», estará por aí explicada a prevalência. Mais avisado andou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, que só regista a forma esdrúxula.
(«O Atlas Linguístico de Portugal deveria começar precisamente por estas investigações in loco, que têm a virtude de ser mais completas e até por vezes exaustivas» (Miscelânea de Língua e Literatura Portuguesa Medieval, Manuel Rodrigues Lapa. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1982, p. 406)).
[Texto 490]
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