O feminino de «todo-poderoso»
1.5.11
Quem fez isto?
Talvez F. V. Peixoto da Fonseca tivesse razão: o feminino (e o plural) oficial de «todo-poderoso» é um disparate. «Todo» é advérbio? Recuamos e o que se lê sempre é (esqueçamos agora o hífen) todo poderoso, todo poderosos, toda poderosa, todas poderosas. Temos de esperar que se legisle noutro sentido.
[Post 4737]
edit
9 comentários:
Outro dia, um Napoleão na sua Waterloo; hoje, um Peixoto fora de água.
Conste pois que «there are more things in portuguese language, F. V. Peixoto da Fonseca, than are dreamt of in your philosophy».
- Montexto
Eça de Queirós não contará, e muito menos David Mourão-Ferreira, Jorge de Sena, Urbano Tavares Rodrigues, mas vejo aqui em António Pereira de Figueiredo e Fr. Tomé de Jesus, por exemplo, toda poderosa/todas poderosas. São, decerto, mistérios da língua, mas não muito antigos, ao que parece.
E nos Sermões do P. António Vieira também se lê «toda poderosa», mas não ponho as mãos no lume, pois é numa edição de 1951 que o estou a ver.
Nestas matérias não se crê nem se descrê. Estas matérias dirimem-se à luz da gramática e dos factos da língua.
- Mont.
Concluindo: afinal Peixoto não andou fora de água.
Irrepreensível conclusão! Mas é bem verdade: «non omnia possumus omnes».
- Mont.
p. 250, em vez da 245, digo.
- Mont.
Todo vestido de azul podem achar-me. Porém, a sugerir eu, por suposição, à sr.ª embaixatriz para se arranjar «todo vestida» de azul ou lá na cor que seja, não me apanham. Pode arranjar-se toda vestida de azul que fica muito bem e eu assimilo. E a gramática também, tal como faz com o feminino de «embaixador» e sem se meter com quem seja casada a sr.ª embaixatriz ou se vai toda bem ou mal vestida.
Cumpts.
«Ad libitum.»
- Mont.
Enviar um comentário