Léxico: «sabrina»


Nem dicionários nem lojistas


      Fui inscrever a minha filha em aulas de Dança. Perguntei à professora que calçado devia levar. «Sabrinas.» Dirigi-me a uma loja de artigos desportivos. Os donos da loja, um casal já idoso, não sabiam de que se tratava. «Mas para a dança costumamos vender isto.» Isto era um par de sapatos brancos, leves e flexíveis, de pele e salto raso — como se lê na definição que se encontra no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O Dicionário Houaiss e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa ignoram (como também desconhecem outro vocábulo ali nas imediações da ordem alfabética — sabrista, mas venham cá perguntar-me, que pratiquei esgrima, e levam uma estocada num flanco). Os Espanhóis também lhes dão o nome de sabrinas, ou manoletinas, ou toreras. Comecemos pelo fim: toreras porque há séculos que os toureiros usam sapatos semelhantes. Manoletinas como homenagem ao toureiro cordovês Manuel Rodríguez Sánchez (1917―1947), conhecido como Manolete. E sabrinas, finalmente, de onde vem? Do filme homónimo de Billy Wilder, realizado em 1954, e com o papel da protagonista desempenhado por Audrey Hepburn. Vejam a imagem em cima: calças e calçado à toureiro. (E Sabrina venceu, lembro, o Óscar na categoria de melhor guarda-roupa em 1955.)

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