Plural: «navajos»

Índios e aurículas


      Na página dos obituários, sob a fotografia de um velhote com cara de rato, lia-se o seguinte: «Foi um dos 29 índios navajo que eram operadores de rádio na frente do Pacífico, na II Guerra Mundial. Eles comunicavam no seu próprio dialecto, o que enganou os adversários japoneses que pensavam tratar-se de uma língua codificada ou encriptada» («Allen Dale June», Diário de Notícias, 12.09.2010, p. 49).
      Não acham que ficava melhor escrever «índios navajos»? Há menos tempo os estudantes de Teologia afegãos, mais dados a empunhar as armas que a sobraçar os livros, contaminam a Terra e já vocês lhes chamam talibãs. Ao que parece, o uso do dialecto só enganou os adversários japoneses que pensavam tratar-se de uma língua codificada ou encriptada. Não enganou os outros, japoneses ou não. Demasiado subtil? Fica com a etiqueta «pontuação».
      A propósito de estudantes de Teologia, gostaria de poder dizer alguma coisa sobre aquela obra de ficção em que se pergunta: «Do not nasty little seminarians still refer to a woman’s sine qua non as auricula—the ear?» Mas ainda não posso. Isto a propósito de emprenhar pelos ouvidos.

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1 comentário:

R.A. disse...

À primeira vista duvidei. Depois lembrei-me de "cooperação" e de "cooptar" e já não me pareceu tão chocante que o prefixo eco- ficasse com duplo "o" junto à oficina.
É por isso que gosto de ler este glogue.

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