«Tropa», não contável

A tropa-fandanga opõe-se     

      Numa comunicação datada de 27 do corrente, a Fundéu veio esclarecer que o substantivo «tropa» não é contável, como eu já aqui tinha escrito em relação à língua portuguesa. Na definição do Dicionário Terminológico (DT, ex-TLEBS), nomes contáveis são «nomes comuns que se aplicam a objectos ou referentes que podem ser diferenciados como partes singulares ou partes plurais de um conjunto (i). Assim, podem ocorrer em construções de enumeração (ii) e a forma de plural marca uma oposição quantitativa (iii)». Deixo na íntegra o texto da Fundéu:
      «La Fundación del Español Urgente explica que en español no pueden contarse las tropas, sino los soldados, pues la palabra tropa no es un sustantivo contable.
La Fundéu BBVA indica que no se pueden contar «una tropa», «cinco tropas», «trescientas tropas» o «28.000 tropas».
      Tropa, en singular, se refiere a los miembros del ejército que no son mandos con rango de oficial, y comprende a los sargentos, cabos y soldados. Y en plural, tropas, puede utilizarse para mencionar a las de diferentes secciones del Ejército o a las de distintos países: «Desfilaron las tropas del Ejército del Aire y de la Legión»; «Se produjeron escaramuzas entre las tropas de Colombia y Venezuela».
      No son correctas frases como: «Fidel sacó a 3.000 tropas de Haití»; «Llegaron 23.000 tropas de marines enviadas por los EE. UU.»; «…autorizó solo 20.000 tropas para Bosnia». En esos casos debieron usarse las palabras soldados o infantes de marina, respectivamente.
      Así, pues, la Fundéu BBVA advierte que no se puede hablar de las tropas como si se tratara de los individuos que las componen.»

Pronome pessoal «si»

«Isto é para si»!?


      Escreveu João de Araújo Correia na obra A Língua Portuguesa (Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959]): «A troco de evolução, desculpa-se a corrupção e a má-criação. — Esta fita é para si — diz o caixeiro à senhora» (p. 83). «Será lógica esta maneira de pensar, mas, não abona amor de raiz à verdadeira língua portuguesa. Em bom Português, só se admite si referido ao sujeito da proposição. O figo cai por si; o homem caiu em si; a menina voltou a si» (p. 86).

Tradução: «party favor»


Faz-me um desenho


      Um leitor pretende saber como se pode traduzir a locução inglesa «party favor». Como se vê na imagem, trata-se de uma corneta usada nas festas, que, quando soprada, estende várias línguas de papel. Bem, talvez corneta das festas. No sítio da empresa Animeventos, Lda., de onde tirei a imagem que está em cima, aparece com o nome corneta. Como muitas vezes sucede, o contexto poderá indicar ao leitor de que se trata.

Elemento «eco-»

In Diário de Notícias, 28.1.2009, p. 15

Antipedagógico



      Há alguns casos de designações de entidades e programas que não respeitam a ortografia. Pouco se pode fazer contra isso, excepto protestar, chamar a atenção dos responsáveis e não escrever da mesma maneira. Um exemplo é o do Programa Eco-Escolas, de que já aqui falei. Os jornais, como o Diário de Notícias, é que não deviam grafar assim, pois o elemento de composição eco- não se liga com hífen ao elemento seguinte. Logo, ecoescola. Como não deveriam escrever, por exemplo, Rede Europeia Anti-Pobreza.


Sobre «comercial»


Palavras cruzadas


      «Participa em todos os fóruns da TSF e da Antena 1 (pl.).» Com dez letras? Hum… Uma ajudinha: a acepção nem sequer está registada nos dicionários… Desistem? Comerciais. «E o António o que faz?» «Como?» «A sua profissão.» «Sou comercial.»
      É como afirmei: tanto quanto sei, nenhum dicionário regista esta acepção da palavra «comercial». E há centenas e centenas de profissionais que se dizem «comerciais». Será redução do inglês commercial traveler? Ou será por se deslocarem num comercial: automóvel ligeiro destinado ao transporte de mercadorias, também designado utilitário? Embora comercial tenha vindo substituir vendedor, categoria a que pertence caixeiro-viajante, e um comercial pode estar confortavelmente instalado num gabinete de uma empresa e não andar a percorrer o País.

Registos de língua

Uma ideia de ênfase


      A comentar o caso Freeport, ontem à noite na Sic Notícias, Luís Delgado estava tão bem instalado, tão relaxado, que já lhe saíam coisas como estas: o Serious Fraud Office «funciona à séria, funciona muita bem». Que terão a dizer, neste caso, os guardiões da lei ortográfica? Há infracção?

«O que ele é é…»

Agora que o diz…


      A questão da repetição do verbo fez-me lembrar de outra. Quem é que ainda nunca leu uma frase com a estrutura «O que ele é é…»? Por exemplo: «O que ele é é arrogante.» Quantas vezes é que tiveram a sorte de não verem ali uma virgulazinha entre as duas formas verbais, digam lá? Contar-se-ão pelos dedos. É mais um erro abundantíssimo. Vejo-o em livros, jornais e blogues.



Destacar prefixos

In-coerente?


      Caro C. T.: se é recorrente, tem de manter. Há-de ser, concorde ou discorde, estilo do autor. De contrário, deverá sugerir alteração. No século XVIII é que Filinto Elísio escrevia, para acentuar mais a ideia de negação, in-consolado, separando com hífen o prefixo da palavra, a fim de lhe dar mais relevo.

Arquivo do blogue