Pronúncia: «tóxico»

Cs... cs... cs... cs...


      Manuel Alegre, sempre poeta e durante mais de três décadas deputado, está a ser entrevistado na Antena 1 por Maria Flor Pedroso e acaba de usar a palavra «tóxico» — pronunciando «tóchico». Vai perder mais alguns votos...

[Post 4301]

«Sucedido/acontecido»

A propósito


      É impressão minha ou o substantivo acontecido (o que aconteceu; ocorrência; acontecimento) é muito menos usado do que sucedido? Lembrei-me agora ao ler a tradução desta frase inglesa: «Even those who did speak of it did so with great difficulty.» Será por desconhecimento? Uma questão de gosto?

[Post 4300]

Anglicismo

A língua também foi vítima


      Um dos Capitães de Abril, Vítor Alves, morreu hoje †. Demos a palavra a Jorge Correia, da Antena 1: «Vítor Alves foi um dos coordenadores dos textos políticos escritos antes do 25 de Abril e que deram suporte à Revolução de 1974.»

[Post 4299]

Aonde/onde/donde

Por onde vais?


      A distinção onde/aonde/donde (deixo adonde de fora) pertence apenas à norma culta da língua e tem poucos anos. E, com tantos amadores, nem todos os revisores, como já aqui vimos mais de uma vez, a fazem respeitar, como seria aconselhável. Aonde quase desapareceu. Quanto a donde, os ignorantes, julgando-o incorrecto, desfazem-lhe sempre a contracção e ficam a preposição e o advérbio em evidência (no Brasil, porém, prefere-se a locução). Até tenho dúvidas de que os professores de Português usem e ensinem afoitamente as três formas do advérbio. Nos clássicos, também não se observava a referida distinção, donde a língua evoluiu. D. Francisco Manuel de Melo, na Carta de Guia de Casados: «Não se vê o bom alfaiate donde há muito pano, nem o bom cocheiro nas ruas largas.» Nesta obra, por exemplo, há 39 ocorrências de «donde», 4 de «onde» e nenhuma de «aonde».

[Post 4298]

Como se escreve nos jornais

Graves deficiências


      «O presidente da República Cavaco Silva vetou, ontem, o diploma que desjudicializa a mudança de sexo e do nome próprio no Registo Civil, alegando “graves insuficiências de natureza técnico-jurídica” naquele texto, aprovado na Assembleia da República com os votos favoráveis da Esquerda e de 12 deputados do PSD» («Cavaco veta mudança de sexo e de nome no Registo», Nuno Miguel Ropio, Jornal de Notícias, 7.01.2011, p. 10).
      Talvez nenhum dicionário registe o neologismo desjudicializar. Os mais comuns, como o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o mais próximo que registam é desjuizar ⇒ desajuizar, tirar o juízo a; endoidar; entontecer. É o que aquela forma de escrever faz aos leitores, tira-lhes o juízo, endoida-os, entontece-os. Talvez o sentido geral não lhes escape, mas os pormenores perdem-se pelos interstícios da gramática rarefeita e do léxico contrafeito.

[Post 4297]

«Estudante/aluno»

Agora sim


      Todos temos mais ou menos a noção de que os vocábulos «aluno» e «estudante» não são intermutáveis em todas as circunstâncias. No entanto, ultimamente tenho visto grandes confusões. Exemplifiquemos com uma frase. Digam-me qual dos vocábulos usariam na seguinte frase: «Segundo o seu único ___________ sobrevivente, Luís Seixas, o Professor Brotas era um leitor compulsivo de obras sobre música.»
      Um pouco a propósito: parece que no Brasil se ensina em algumas escolas que «aluno» provém do latim a + lun, este adulteração de lumen,inis, «luz». Ou seja, «sem luz». Que disparate vergonhoso! Alumnis, em latim, significa criança de peito, e ter-se-á formado a partir do verbo alere, «alimentar». Mais tarde, sem surpresa nenhuma, passou a significar, em sentido figurado, pupilo.

[Post 4296]

Léxico: «legiferante»

«Eles», os legíferos


      A propósito de «material circulante». Lia-se na edição de ontem do Jornal de Notícias: «Só há três maneiras de resolver o problema dos cortes salariais: ou na rua, com a revolução, ou nos tribunais, ou nos órgãos de soberania legiferantes» («Salários e juízes», Nuno Rogeiro, Jornal de Notícias, 7.01.2011, p. 11).
      Não queria que os meus leitores perdessem esta oportunidade. Habitualmente, é a locução «órgãos legislativos» que se usa. Está, contudo, certíssimo (mas nem todos os dicionários o acolhem). Legiferante, legiferação, legiferar...

[Post 4295]

«Interruptor homem-morto»

Imagem tirada daqui

Ora aí está


      Caro M. R., o sistema a que se refere chama-se interruptor homem-morto (dead-man’s switch, em inglês). Não interessa se em documentos da REFER se lê «sistema “Homem — Morto”». Afinal, quando há alguma avaria na linha ou no «material circulante», não me chamam a mim. Porque teríamos de contar com aquela empresa para nos dizer como se escreve? Cada macaco no seu galho.

[Post 4294]

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