Glossário: em forma de...

Em forma de… Com a aparência de… Semelhante a…

Açafate: calatiforme
Ácaro: acaróide
Acúleo: aculeiforme
Ágata: agatóide
Água: hidróide
Agulha: aciforme
Albumina: albuminiforme, albuminóide
Alface: lactúceo
Alfange: acinaciforme
Alga: algóide, ficóide, fucóide
Alvéolo: alveoliforme, alveoraliforme, faviforme
Ameixa: pruniforme
Amêndoa: amigdalóide
Amentilho: amentiforme
Amianto: amiantóide
Amido: amilóide
Amora: muriforme, rubiforme; muriculado
Ampola: buliforme
Anel: aneliforme
Animal: zoóide
Ansa: ansiforme
Antena: anteniforme
Antera: anteriforme
Antraz: antraciforme, antracóide
Apêndice: apendiciforme
Ápice: apiciforme
Ar: aeróide
Arado: aritriforme
Aranha: araneiforme, aracnóide
Arbusto: arbustiforme
Arco: arciforme, arquiforme
Areia: areniforme
Aresta: aristiforme
Argila: argiliforme, argilóide
Arroz: oriziforme, orizóide, orizóideo
Árvore: arboriforme, dendriforme, dendróide, dendromorfo
Asa: aliforme, pterigoídeo
Astrágalo: astragalóide
Aurícula: auriculiforme
Bacia: pelviforme
Báculo:
baculiforme
Baga:
baciforme
Bago:
aciniforme
Bago de uva:
aciniforme, ragóide, ragoídeo
Bainha: vaginiforme, vaginóide
Barba: barbiforme
Barco:
escafóide
Basalto:
basaltiforme
Bastão:
baculiforme
Bexiga:
cistóide, vesiculiforme
Bico de corvo: coracóide
Bico de gralha:
coronóide, coronóideo
Bico: ranfóide, rostriforme
Boca: oriforme
Bolbo:
bolbiforme
Bolota:
balanóide
Bráctea:
bracteiforme
Bubão:
bubunóide
Cabeça:
cefalóide
Cabelo:
capiliforme, criniforme, tricóide
Cacho: racimoso
Cacto:
cactiforme, cactóide
Cadeia: cateniforme; torulóide
Cálice:
caliciforme
Cama:
clinóide
Camadas sucessivas:
estratiforme
Camelo:
cameliforme
Cana:
caniforme, siringóide
Canal:
canaliforme
Cancro:
canceriforme, cancriforme, cancróide
Canoa: cimbiforme
Capuz: cuculiforme; uncinado (Botânica)
Caracol:
cocleiforme, helicoidal, helicóide
Caranguejo: cancriforme
Carena:
careniforme
Caroço:
pirenóide, borbeto
Cartilagem: condróide
Carvão:
carboniforme
Cauda:
uróide
Caule:
cauliforme
Célula:
celuliforme, citóide
Cenoura: dauciforme
Centáurea:
cianóide
Cera:
ceróide
Cercadura:
marginiforme
Cérebro:
cerebriforme, cerebróide, enfefalóide
Cevada: hordeiforme
Cíato: ciatiforme, ciatóide
Cilindro: cilindriforme, cilindróide, teretiforme
Cílio: ciliforme
Címbalo: cimbalóide
Cinto: cestóide
Cintura:
zoniforme
Cinza:
cineriforme
Cipreste:
cupressiforme
Círio:
cereiforme
Cisne:
cicnóide
Cisticerco:
cisticercóide
Clava:
claviforme
Cobra:
anguiforme
Cogumelo: fungiforme
Cola:
coloidal, colóide
Colchete: ancilóide
Cólera:
coleriforme
Colher:
cocleariforme
Colmeia:
colmeiforme
Colmo:
calamiforme
Concha:
conchiforme, conchóide, concóide, concoidal, conquiforme, conquilióide, testaceiforme
Côndilo: condilóide
Cone:
coniforme, conóide
Copo: acetabuliforme, ciatóide, copuliforme
Coqueluche: coqueluchóide
Coração:
cardióide, cordiforme
Coração invertido: obcordiforme
Coral:
coraliforme, coralóide
Cordão: funiforme
Coreia:
coreiforme
Corimbo:
corimbiforme
Corno:
corniforme, corniculiforme
Coroa: coroniforme
Corola:
coroliforme
Corpo:
corporiforme
Cortiça:
corticiforme, suberiforme
Coscorão: crustuliforme
Costela:
costiforme
Cótilo:
cotilóide
Couro:
dermatóide
Coxim: pulviniforme
Crânio: cranióide
Cratera:
crateriforme
Cristal:
cristalóide
Crivo:
cribiforme, cribriforme, criviforme
Cruz: cruciforme
Cubo:
cubiforme, cubóide
Cunha: cuneiforme, esfenóide
Cúpula: cupuliforme
Dedal:
digitaliforme
Dedo:
digitiforme
Delta (forma triangular de):
deltóide
Dente:
dentiforme, odontóide
Deus: deiforme
Diamante:
diamantóide
Disco:
disciforme, discoforme, discóide
Drusa: drusiforme
Eczema:
eczematiforme
Eixo:
axóide
Elefante:
elefantóide
Elipse:
elipsoidal, elipsóide
Enguia: anguiliforme, anguilóide
Epiderme: epidermóide
Epilepsia:
epileptiforme, epileptóide
Epitélio: epitelióide
Eritema:
eritemóide
Erva:
herbiforme
Ervilha:
pisiforme
Escama:
escamiforme
Escarlatina:
escarlatiforme
Escorpião:
escorpióide
Escudo:
clipeiforme
Esfera:
esferóide
Espada:
xifóide, ensiforme
Espiga: espiciforme
Espinho:
espiniforme
Espiral:
espiróide
Esponja:
espongiforme
Esporão de navio:
rostral
Estalactite:
estalactiforme
Estilete: estiliforme, estilóide, grafióide
Estrela: asteriforme, asteróide, astróide
Fava: ciamóide, fabiforme
Favo: faviforme
Fécula:
feculóideo
Feldspato:
feldspatóide
Fenda:
fissiforme
Fenda estreita:
rimiforme
Fezes:
fecalóide
Fibras:
fibróide
Figo:
ficiforme
Filamento:
bissóide
Fio:
filiforme, nematóide
Fita: cestóide
Flagelo:
flageliforme
Flor:
floriforme
Foice:
falciforme, fouciforme
Folha: filóide, foliforme
Forma achatada: homalóide, planiforme
Forma circular: ciclóide
Forma comprida:
dolicóide
Forma direita:
rectiforme
Forma igual:
pariforme
Forma imprecisa (ou ausência de forma):
informe
Forma que muda frequentemente:
proteiforme
Forma variável:
diversiforme, pluriforme
Framboesa: rubiforme
Fruto:
frutiforme
Fuco:
fuciforme, fucóide
Fungo: fungiforme
Funil:
infundibuliforme
Fuso:
fusiforme, fusóide
Gália: galeiforme
Galo:
galiforme
Gancho:
unciforme, ancilóide, anciróide
Gânglio: gangliforme
Ganso:
anseriforme
Garrafa: ampulóide
Gás: gaseiforme
Gelatina:
galatiniforme
Gládio:
gladiforme
Glande:
glandiforme
Glândula:
glanduliforme
Globo:
globiforme
Gordura:
lipóide
Gráfio: grafióide
Gramínea: graminiforme
Granito:
granitóide
Grânulo:
granuliforme
Grão:
graniforme
Grés:
gresiforme
Haste:
hastiforme
Hélice:
helicoidal, helicóide
Helminta:
helmintóide
Hemisfério:
hemisferoidal, hemisferóide
Hera: cissóide, hederiforme
Hipérbole: hiperboliforme, hiperbolóide
Histeria: histeriforme
Homem:
andróide, antropóide, humanóide
Icterícia: icteróide
Insecto:
insectiforme
Invólucro:
involucriforme
Ipsílon:
ipsilóide
Labirinto:
labirintiforme
Lagarta:
eruciforme
Lagarto:
lacertiforme
Lambda:
lambdóide
Lamela:
lameliforme
Lâmina de faca:
cultriforme
Lança:
hastiforme, lanciforme
Lardo: lardiforme
Larva:
larviforme
Legume:
leguminiforme
Leite:
lacteiforme, lactiforme
Lente:
lentiforme
Lentilha:
facóide, lentiforme
Leque: flabeliforme
Lesma: limaciforme
Lígula: liguliforme
Lima:
limiforme
Linfa:
linfóide
Língua:
glossóide, linguiforme
Língula: lingulóide
Líquen: liquenóide
Lira: liriforme
Lódão: lotiforme
Lombriga: lombriciforme, lombricoidal, lombricóide
Lua (e as suas fases): luniforme
Maça:
claviforme
Maçã:
maliforme
Macaco:
pitecóide
Machadinha:
securiforme
Madeira:
ligniforme, xilóide
Madrepérola:
madreporiforme
Mama:
mameliforme, mamiforme
Mamilo: mamiliforme, mastóide
Mancha pequena: maculiforme
Mandíbula:
mandibuliforme
Mão:
maniforme
Margarina: margaróide
Mármore: marmoriforme
Martelo:
maleiforme
Maxila:
maxiliforme
Medula dos ossos:
mielóide
Medusa:
medusiforme, medusóide
Melão: meloniforme
Menisco:
meniscóide, meniscóideo
Metal: metaliforme, metalóide
Milfolhada: aquileóide
Mirto (folha):
mirtiforme, mirtóide
Mitra: mitriforme
Moeda:
monetiforme
Molar (dente):
molariforme
Molusco:
moluscóide
Morango:
fragiforme
Mosquito:
culiciforme
Muco:
muciforme, mixóide
Mulher: feminiforme
Musgo:
muscóide
Nabo:
napiforme
Nádegas:
natiforme
Narciso:
narcisóide
Nastro:
nastriforme
Náutilo:
nautilóide
Navio:
naviforme
Negro (raça):
negróide
Neve:
niviforme
Ninfa:
ninfóide
Ninho:
nidiforme
Noz:
nuciforme
Octaedro:
octaedriforme
Odre:
utriforme
Ogiva:
ogival
Olho:
oculiforme
Opérculo:
operculiforme
Orelha:
auriculiforme, auriforme
Osso:
ossiforme, osteóide
Ostra: ostreiforme
Ouriço:
equinóide, erinaciforme
Ovo:
oval, ovalar, oviforme, ovóide
Ovo invertido:
oboval, obovalado, obóveo, obovóide
Óvulo: ovuliforme
Palha:
paleiforme
Palma:
palmiforme
Palmeira: dactiliforme
Papel: papiriforme
Papiro:
papiriforme
Pápula:
papuliforme
Parábola:
parabolóide
Parede:
septiforme
Pastilha comprimida:
tablóide
Patela:
pateliforme
Pé:
pedaliforme, pediforme
Pedra: litóide
Peixe:
ictióide, pisciforme
Pele: dermatóide, dermóide
Pêlo: piliforme, tricóide
Pêlo rígido: setiforme
Pelta (pequeno escudo):
peltiforme
Pena:
peniforme, plumiforme, plumuliforme
Penacho: papiforme
Pente:
ctenóide, pectíneo
Pepino: cucumiforme
Pêra:
periforme, piriforme
Pescoço: coliforme
Pétala:
petaliforme, petalóide
Pião: turbiniforme
Pilão:
pistiliforme
Pinça: queliforme
Pinha: piniforme, pinhiforme
Pirite: piritiforme
Placa:
placóide
Planta:
fitóide
Pluma:
plumiforme, plumuliforme
Pó: pulveriforme
Pomo:
pomiforme
Ponta (pequena):
cuspidiforme
Ponto:
punctiforme
Porco: suiforme
Prancha: pinacóide
Prato:
pateliforme
Prisma:
prismóide
Pus:
puriforme
Pústula vacinal:
vaciniforme
Quatro formas:
quadriforme
Queijo:
caseiforme
Quilha:
careniforme
Rã:
batracóide
Raiz:
rizóide, radiciforme
Ramo:
ramiforme
Rato:
ratiforme
Rede:
plexiforme, retiforme, textiforme
Remo: remiforme
Resina:
resiniforme
Réstia:
restiforme
Reumatismo:
reumatóide
Rim:
nefróide, reniforme
Roda: rotiforme, trocóide, trocóideo
Rombo: rômbico, rombiforme, romboidal, rombóide
Rosário: moniliforme
Rostro:
rostriforme
Ruínas:
ruiniforme
S (letra):
sigmoidal, sigmóide
Sabão:
saponiforme
Saco:
saciforme, saculiforme
Saco (pequeno): saceliforme, saculiforme
Sangue (cor): hematóide, hemóide
Sarampo:
sarampiforme
Sela:
clinóide
Sépala:
sepalóide
Septo:
septiforme
Serpente:
anguiforme, ofióide, ofióideo, serpentiforme
Serradura: escobiculado, escobiforme
Sésamo: sesamóide, sesamóideo
Seta:
sagital
Sifão:
sifóide, sifonóide
Sílex: silexiforme
Silícula: siliculiforme
Silíqua:
siliquiforme
Sulco:
sulciforme
Taça:
acetabuliforme, pelviforme
Tecido: textiforme
Tecido glandular:
adenóide
Teixo:
taxiforme
Ténia:
teniforme, tenióide
Tentáculo:
tantaculiforme
Terra (planeta):
geóide
Tétano:
tetaniforme
Tifo:
tifóide
Tigre:
tigróide
Todas as formas:
omniforme
Tonel:
doliforme, pitomorfo
Toro:
tórico
Toupeira: talpiforme
Touro:
tauriforme
Trapézio:
trapeziforme, trapezóide
Traquito: traquitóide
Três formas:
triforme
Trombo (coágulo):
trombóide
Túbera:
tuberiforme, tuberóide
Tubérculo: tuberculiforme, tuberculóide
Tubo: tubiforme
Tubo (pequeno):
tubuliforme
Úlcera:
ulceriforme, ulceróide
Uma só forma: uniforme
Umbela:
umbeliforme, umbraculiforme
Unha: unguiforme
Úrceo:
urceiforme
Urcéolo:
urceiforme
Útero:
uteriforme
Utrículo:
utriculariforme, utriculiforme
Uva: uviforme
Uva (cacho):
botrióide, racemiforme, racemoso, racimiforme, uviforme
Úvula: uvuliforme
Vacina:
vacinóide
Vagina:
vagiforme, vaginiforme
Vale: valifome, valóide
Valva: valviforme
Varinha:
baciliforme
Varíola:
varioliforme, variolóide
Varizes: cirsóide
Vaso: vasiforme
Vela:
veliforme
Verme:
vermiforme
Verruga:
verruciforme
Verruma: cirriforme
Vesícula: cistóide, vesiculiforme
Vesícula de água: hidatiforme
Vidro:
hialóide
Vulcão:
vulcaniforme
Xisto:
xistóide
Zebra:
zebróide
Zona:
zoniforme
Zoófito:
zoofitóide


[Glossário em construção: 442 entradas]

Ortografia: «montanha-russa»

Tectónica da ortografia

      Que cataclismo, que movimento tectónico arrastou uma montanha russa para o Algarve? Lemos no Diário de Notícias: «Três minutos de adrenalina na maior montanha russa de água» (Paula Martinheira, «Boa Vida», p. IV). Não deveria então ter escrito «montanha de água russa»? Estou a brincar. «Montanha russa» surge quatro vezes no corpo do artigo. Contudo, na chamada da primeira página, lemos: «Maior montanha-russa de água da Europa está em Quarteira». Quem escreve não percebe que uma montanha russa não é o mesmo que uma montanha-russa? Que displicência estival é esta? Agora querem competir com o Público, é?

Infinitivo pessoal: mitos e regras

Intuição, sim, mas com estudo

      Há entre nós a ideia, que alguns erigem em dogma, de que o infinitivo impessoal ou não flexionado apenas se usa quando a frase apresentar um só sujeito e, a contrario, o infinitivo pessoal se usa nas frases com dois sujeitos. É a chamada doutrina Soares Barbosa, que por influxo directo veio da Gramática Filosófica* alojar-se nos nossos cérebros. Jerónimo Soares Barbosa (1737-1816), um gramático racionalista, inventou, baseado em escassos exemplos, essa regra prática. Vejamos, contudo, o que diz o filólogo M. Said Ali na obra Dificuldades da Língua Portuguesa: «Quando Soares Barbosa estatui que, para se usar o infinitivo impessoal, é preciso ter ele o mesmo sujeito que o verbo da oração regente, e exemplifica com eu quero fazer, tu quiseste fazer, nós queremos fazer, há realmente uma cousa que deve assombrar ao filósofo moderno. Desde quando a frase eu quero fazer comporta dois sujeitos, um para cada verbo? Desde quando há aí duas orações, uma regente, outra regida?» Depois de aduzir dezenas de exemplos facilmente comprováveis, que um dia aqui darei, Said Ali resume a sua análise nas seguintes regras:

      «Infinitivo SEM FLEXÃO:
1.º sempre que o verbo indicar a acção em geral, como se fora um nome abstracto, ou quando não se cogita da pessoa, ex.: estudar (= o estudo) aproveita. É o caso mais comum.
2.º nas linguagens compostas e perifrásticas, sendo apenas lícita a flexão no caso de vir o infinitivo afastado de seu auxiliar a ponto de tornar-se obscuro o sentido se esse auxiliar não for lembrado novamente pela flexão.
      Infinitivo FLEXIONADO:
1.º sempre que o infinitivo estiver acompanhado de um nominativo sujeito, nome ou pronome (quer igual ao de outro verbo, quer diferente).
2.º sempre que se tornar necessário destacar o agente, e referir a acção especialmente a um sujeito, seja para evitar confusão, seja para tornar mais claro o pensamento. O infinitivo concordará com o sujeito que temos em mente.
3.º quando o autor intencionalmente põe em relevo a pessoa a que o verbo se refere.
Por outros termos: determinam o uso do infinitivo flexionado: a presença do nominativo sujeito, e, portanto, a simples concordância obrigatória; o realce necessário do sujeito para facilitar a compreensão (infinitivo de clareza) e, finalmente, o realce intencional para pôr em relevo a pessoa de quem se trata (infinitivo enfático).»

* Pode descarregar aqui a edição original da Gramática Filosófica. A análise do infinitivo pessoal encontra-se nas páginas 208 e ss. De qualquer modo, transcrevo, actualizando a ortografia, como fiz com a citação da obra, a 6.ª edição, de Said Ali (uma oferta do leitor JRC, a quem renovo o meu agradecimento), o passo que mais interessa: «Este infinitivo pessoal é outro substantivo apelativo verbal com as mesmas propriedades que o impessoal; e o que tem de particular é o enunciar a coexistência de um atributo em um sujeito diferente do da oração antecedente (p. 208).»

Utilidades

Imagem: http://educom3.sce.fct.unl.pt/
Aprender mais

      A Biblioteca Digital Camões tem, agora sim, alguns textos e obras interessantes que se podem descarregar. Veja aqui.

Tradução: «invertir»

Até um catarríneo sem cauda

      Um dos erros mais confrangedores nas traduções de espanhol para português é o de ignorar — como se faltasse contexto — que o verbo «invertir» e palavras da mesma família também significam «investir». Vejamos dois exemplos do mesmo tradutor, na mesma obra mas num lapso temporal alargado. «Un cuadro de Van Gogh es ahora sinónimo de inversión.» Que traduziu assim: «Um quadro de Van Gogh é agora sinónimo de inversão.» Depois de ter aprendido, com a revisão, que tinha feito um trabalho completamente inepto, surgiu-lhe, por infausto acaso, outra frase com o mesmo verbo: «El idealismo de Hegel fue invertido por la dialéctica materialista de Feuerbach y el materialismo histórico de Marx y Engels lo transformó en el programa de acción del socialismo revolucionario y del movimiento obrero a partir de la I Internacional.» Ah, agora o tradutor já não iria ser expungido pelo ominoso deleatur do revisor! E vá de traduzir: «O idealista Hegel foi investido pela dialéctica materialista de Feuerbach e o materialismo histórico de Marx e Engels transformou-o no programa de acção do socialismo revolucionário e do movimento operário a partir da I Internacional.»

Invertir (Del lat. invertĕre). 1. tr. Cambiar, sustituyéndolos por sus contrarios, la posición, el orden o el sentido de las cosas. U. t. en sent. fig. Invertir una tendencia. 2. tr. Emplear, gastar, colocar un caudal. 3. tr. Emplear u ocupar el tiempo. 4. tr. Mat. En una razón, intercambiar numerador y denominador.

Divagações

Quando souberem, avisem-me

      «DIAP tem inquérito-crime sobre o caso Infante Santo», Carlos Rodrigues Lima e Filipe Morais, Diário de Notícias, 27.07.2006, p. 26.
      «Sob [sic] os dois autarcas, que asseguram a gestão do município alentejano entre 2001 e 2004, recaem indícios de crimes de peculato, peculato de uso e abuso de poder. O relatório da auditoria da IGF, que fora pedida [sic] em Janeiro de 2005 pelo actual presidente da câmara, Pedro do Carmo, foi já remetido ao Ministério Público do Tribunal de Ourique, para a abertura de inquérito crime» («Inspecção de Finanças diz que houve crime e desvio de fundos em Ourique», Paula Sanchez, Diário de Notícias (edição online), 17.07.2006).
      «Tribunais a meio-gás com 40% dos juízes de férias», Inês David Bastos, Diário de Notícias, 27.07.2006, p. 2.
      «Melanie C e James Blunt a meio gás», Paula Martinheira, Diário de Notícias (edição online), 19.06.2006.

Rossio ao sul do Tejo

Desnorte

      «Nascido a 1 de Março de 1915 em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes), António Rosa Casaco ingressou na Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) em 1937, com apenas 21 anos, como agente praticante» («Rosa Casaco secreto até na morte», Expresso, 22.07.2006, p. 28). As palavras que ligam compostos toponímicos grafam-se com minúscula se forem locuções com palavras invariáveis: Viana a par de Alvito e Rossio ao sul do Tejo, por exemplo. Castro Pinto, no seu Novo Prontuário Ortográfico, também regista «Rossio ao Sul do Tejo». Não regista, contudo, o topónimo Viana a par de Alvito, o que não lhe deu oportunidade de pôr em paralelo ambos os topónimos e concluir da necessidade de, em ambos os casos, as locuções serem grafadas em minúscula.

Acertos e desacertos

Está mal

      «A colónia de monachus monachus, nome científico destes animais simpáticos e brincalhões, ascende neste momento na Madeira a 30 exemplares e tem registado nos últimos cinco anos um crescimento constante», «Lobos-marinhos da Madeira crescem e também aparecem», Ana Basílio, Diário de Notícias, 26.07.2006, p. 21.

      «O índice de raios ultravioleta (UV) para as restantes regiões do país vai estar “muito alto”, com grau 10 em quase todo o país», «Amanhã há níveis extremos de radiação ultravioleta», Público, 15.07.2006, p. 28.


Está bem

      «Quase ao pôr do Sol de 21 de Novembro, o tenente Robert Maynard, comandando duas chalupas e 60 homens, encontrou Teach ancorado em Ocracoke», «O mito do Barba-Negra», Joel K. Bourne, Jr., National Geographic, Julho de 2006, p. 80.

      «Há 50 anos, a crise do Suez marcou o fim da era dos impérios e a entrada do Médio Oriente na lógica de equilíbrio de poderes da Guerra Fria», «Crise do Suez marca fim da era dos impérios», Luís Naves, Diário de Notícias, 26.07.2006, p. 12.

Arquivo do blogue