Sobre ADN mitocondrial

E, no entanto


      «[...] but pretty useful as supportive evidence if the mtDNA matched his.» […] seria muito útil como prova de apoio caso o ADNmt fosse coincidente.» Trata-se do chamado ADN mitocondrial. A dúvida é se se deve grafar daquela forma, ADNmt. Quanto a mim, acho que não. Não é uma sigla composta.
      É conhecido, durante o século XIX, o uso exagerado de abreviaturas, e algumas pessoais, não generalizadas. Quem não se lembra do nome dos meses abreviado em Camilo, por exemplo? Setembro era 7bro, Outubro era 8bro, etc. Estas abreviaturas numéricas, de que actualmente só usamos nos numerais ordinais, 1.º, 2.º..., não deixam de ser curiosas, mas nem sempre são claras.

[Post 4399]

Sobre «pdf/pdfs»

Vai ter imitadores


      «O formato da Amazon é simples e leve, pelo que quarenta livros ocupam tanto espaço como um livro em pdf. A grande vantagem deste novo Kindle sobre o anterior é ser fácil carregá-lo de pdfs e lê-los com maior nitidez do que outros leitores de e-books. O meu velho BeBook, lamento dizer, morreu de vez. Bem feito» («Aleluia, Kindle», Miguel Esteves Cardoso, Público, 19.01.2011, p. 35).
       Assim, pdfs, toda grafada em minúsculas, disfarça muito bem o s... Mas trata-se de uma sigla, e as siglas são habitualmente escritas em maiúsculas e sem marca de plural.

[Post 4351]

Sigla SIV

Mais um trabalho


      A propósito do RIP, lembrei-me de mais uma sigla equívoca que anda agora por aí nos jornais: «Uma conclusão a partir depois de um estudo genético ao vírus da imunodeficiência símia (SIV) encontrado em macacos na ilha africana de Bioko e que ficou separada do continente depois da glaciação. Há mais de 10 mil anos» («Vírus da sida tem 32 mil a 75 mil anos», Diário de Notícias, 20.09.2010, p. 27).
      Foi preciso anos até os jornalistas escreverem VIH em vez de HIV. Agora, vão ser necessários outros tantos para que escrevam VIS em vez de SIV. É um trabalho, não hercúleo, mas infindável.

[Post 3894]

Sigla OTAN


Muito bem!


      Não somos todos carneiros: há quem siga o que sabe ser o mais correcto, independentemente de maiorias acéfalas: «Os militares portugueses integram ainda outros contingentes internacionais no âmbito da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da ONU (Organização das Nações Unidas), em diversos pontos do mundo, como o Líbano, Timor, no Congo. Afeganistão ou Kosovo (ver mapa)» («GNR abandona missão militar da UE na Bósnia», Jornal de Notícias, 7.09.2010, p. 9).

[Post 3856]

AEP e não PSA


Falemos da próstata

          Se nos preocupamos, quem se preocupa, com siglas — já ninguém diz ou escreve AIDS —, porque continuamos a escrever PSA? Não deveríamos optar por escrever AEP? PSA é a sigla de prostata specific antigen, que se traduz por antigénio específico da próstata. A nossa sigla só pode ser AEP.

[Post 3308]

Siglas e acrónimos (II)

Quase JEsUS

      Já aqui estranhei as siglas e acrónimos de instituições recentes. Vejam estes exemplos: «O Instituto da Construção e Imobiliário (InCI), organismo público que ficou responsável pela execução do Código dos Contratos Públicos, e pela criação de um portal, onde devem ser publicitados todos os ajustes directos e derrapagens, em nome da transparência e do rigor no uso dos dinheiros públicos, não está a conseguir, neste mesmo portal, dar o melhor exemplo» («Portal para a transparência das obras públicas adjudicado sem concurso», Luísa Pinto, Público, 29.06.2009). «O GEsOS [Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago] tem como objectivos promover a investigação historiográfica na área das Ordens Militares, divulgar o património histórico, documental e edificado das Ordens Militares e fomentar o apoio à edição e publicação de trabalhos de investigação nesta área» («Património cultural», Palmela É o Futuro, destacável do Diário de Notícias, 30.06.2009, p. 10). Desde quando é que partículas como de, sobre e outras têm expressão na composição da sigla? AdP para Águas de Portugal ou BdP para Banco de Portugal é ridículo.



Plural das siglas (II)

Qual guru! Um simples revisor


      «É simples: agora há tribos por todo o lado; dentro e fora de organizações, no sector público e no privado, nas ONG, nas salas de aula, por todo o planeta» (Tribos, Seth Godin. Tradução de Rosário Nunes. Lisboa: Lua de Papel, 2008, p. 13). «Quanto mais perto estivermos de ser reis/CEOs, maior a influência e o poder que temos» (idem, ibidem, p. 19). Já aqui o escrevi a propósito da mesma questão: pior do que ter um critério errado, só não ter nenhum critério. A propósito da agora omnipresente sigla CEO, ver aqui.

Sigla TAC

É ver-se

      Digam lá o que disserem, o certo é que, pelo menos nas traduções, o que vou vendo é que se atribui o género feminino à sigla TAC (Tomografia Axial Computadorizada): «Para saber isso, preciso, além dessas ressonâncias magnéticas que trouxe, de uma TAC, para termos uma imagem do crânio assim como da situação do cérebro» (Património, Philip Roth. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues e revisão tipográfica de Eulália Pyrrait. Lisboa: Dom Quixote, 2.ª ed., 2008, p. 120). «Levaram-me para me fazerem uma TAC ao cérebro» (O Dia em Que a Minha Vida Mudou, Jill Bolte Taylor. Tradução de Alice Rocha. Lisboa: Editorial Presença, 2008, p. 75).

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