Símbolo do euro

Esquerda, direita

      O símbolo do euro deve figurar à esquerda ou à direita dos valores numéricos a que diga respeito? Voltei ontem a reflectir sobre este assunto lá na redacção (algures). Em 1999, um tal D, consultor do Ciberdúvidas, respondia assim: «Segundo o Sistema Internacional de Unidades (que Portugal também respeita), os símbolos das unidades colocam-se “após um pequeno espaço, no mesmo alinhamento e à direita do valor numérico a que se referem”.» Em 2001, D’ Silvas Filho concluía assim uma consulta: «Quanto ao símbolo, penso que se deverá escrever € 40.» D e D’ Silvas Filho são uma e a mesma pessoa? Não é por nada: eu também mudo de opinião, sempre na esperança de acertar. Julgo que esta mudança de opinião, se o foi por se tratar do mesmo consultor, não foi no bom caminho. Para mim, o que faz sentido é que se grafem à direita do valor numérico a que se referem, justamente por se proceder do mesmo modo com os restantes símbolos de unidades. Está aberta a antena.


[Post 4642]

Sobre o símbolo #

Magna questão

      Na sua crónica de hoje no Público, Miguel Esteves Cardoso fala do símbolo #, que já aqui nos ocupou.
      «No Spectator datado de anteontem, Rory Sutherland divertia-se com a universalidade de gin tonic, compreensível em todos os bares do mundo, com os caprichos do símbolo #, que tem nome diferente em todas as línguas. Se puder, leia a coluna inteira: http://bit.ly/fctR14
      Senão, fique sabendo que R.S. apurou que em português dizemos “terminal”, “cardinal” ou “jogo-da-velha” — coisa que, adianta ele, significa “noughts and crosses”, mais conhecido em Portugal como o “jogo do galo”.
      Embora nunca tenha ouvido dizer “marque o número seguido de jogo-da-velha”, tenho de tirar o chapéu a quem assim chamou ao cruzamento de duas linhas horizontais com outras duas verticais. Acho até que jogo do galo, tal como arroba para o @, é a definição perfeita da disposição gráfica do caracter que se pretende» («Almofadinha cardinal», Miguel Esteves Cardoso, Público, 28.03.2011, p. 31).
      (Só um reparo: porque é que Miguel Esteves Cardoso, à semelhança de muitos outros, não pôs ponto final depois do URL, se encerra frase? Mais outro: porque é que Miguel Esteves Cardoso escreve «jogo-da-velha» mas «jogo do galo»? O Sr. Hífen continua a fazer das suas.)

 [Post 4622]

Símbolo químico

Só se mudou


      Aprendi que no símbolo químico do dióxido de carbono se usa o 2 subscrito, o que serve para representar que cada molécula contém dois átomos de oxigénio somados a um átomo de carbono — CO2. Ora, o dióxido de carbono é, sem qualquer dúvida, o gás de que mais se fala na imprensa. No Público, não me lembro de o ter visto alguma vez subscrito. «Por um lado evita-se o pesado consumo de CO2 resultante da queima das rolhas e, por outro, incrementa-se a sua produção, já que por cada mil rolhas recolhidas a Quercus planta mais uma árvore no âmbito do seu projecto Criar Bosques» («Guarde a rolha do que beber no Natal e Ano Novo», José Augusto Moreira, Público, 24.12.2010, p. 11). No Diário de Notícias, passa-se o oposto: «Acreditou-se que a crise económica baixaria os níveis de emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás com efeito de estufa, mas afinal não será assim» («Emissões de CO2 estão outra vez a subir», Diário de Notícias, 23.11.2010, p. 34).
      (Uma palavra de repúdio pela designação, Green Cork, que a Quercus deu a esta campanha de recolha de rolhas. Então querem as nossas rolhas e tratam-nos como se fôssemos Ingleses? Está mal.)

[Post 4235]

Símbolos

Cultura científica moribunda


      «Sem se aperceberem, os peões confiam no barulho que os carros tradicionais fazem para calcular a distância a que os mesmos estão. Principalmente os invisuais e os seus cães-guia. Logo, o barulho é essencial. Quando os veículos eléctricos e híbridos circulam a uma velocidade elevada ouvem-se bem pelos pneus e pela estrada. Mas quando a velocidade ronda os 50 kms a história é diferente e vão ser precisos aparelhos electrónicos nos novos carros que substituam o barulho» («O silêncio nem sempre é de ouro», Emma Forrest, Metro, 30.11.2010, p. 21).
      Este erro já passou por aqui. Como é que uma publicação com revisão apresenta erros tão básicos? Os símbolos não têm plural, cara Catarina Poderoso, revisora do Metro. Outros erros muitos comuns é kilómetro em vez de quilómetro; Kg em vez de kg; gr. em vez de g; mt. em vez de m; etc. Não passa muito pela imprensa, mas noutro tipo de publicações também se vê, por exemplo, sen α em vez de sin α e outras incorrecções.

[Post 4146]

Tonelada equivalente de petróleo

Não é tudo o mesmo


      «As importações portuguesas de electricidade cresceram dez vezes entre 2000 e 2008, de 80 mil para 811 mil toneladas equivalentes de petróleo (TEP), segundo o site Pordata, que lança hoje o serviço estatístico para a Europa» («Importação de electricidade em alta», Diário de Notícias, 3.11.2010, p. 35).
      Tanto quanto sei, trata-se de símbolo e não de abreviatura. Logo, tep e não TEP. Em certos textos escritos em português, já tenho visto (!) toe, de tonne of oil equivalent. Já algum leitor confirmará a informação.

[Post 4060]

O símbolo de grama


Nunca mais

      «O condutor de um ligeiro envolvido numa colisão, sem feridos, na madrugada de ontem, na rua António Sérgio, na Guarda, acusou uma taxa de álcool de 2,73 gr/l» («Álcool ao volante», Correio da Manhã, 2.09.2009, p. 12). Será possível que ainda ninguém tenha dito nada aos revisores do Correio do Manhã, que há anos a fio andam a errar nisto? O símbolo (não abreviatura, como ouço até revisores afirmarem) de grama, unidade de medida de massa, é g. Como símbolo, é um sinal convencional e invariável (não tem plural) utilizado para facilitar e universalizar a escrita e a leitura das unidades SI. Por ser símbolo e não abreviatura, não é seguido de ponto. E é do género masculino.

Símbolo de percentagem


A bem da clareza

      Cá está: à semelhança dos próprios números, também os símbolos se não devem elidir. Ainda que ao lermos possamos dizer «Consumo de tabaco baixou entre 10 e 15 %», temos de escrever, como fez o Diário de Notícias, «Consumo de tabaco baixou entre 10 % e 15 %». Se repararem, não é todos os dias, sobretudo na imprensa, que vemos as coisas feitas desta forma.

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