«Aulas de alfabetização»

Pior que suicidar-se


      Caro Francisco: em relação a suicidar-se não sinto nenhuma estranheza. E não há-de ser porque também é assim, pronominal reflexo, noutras línguas neolatinas, mas porque as línguas não têm lógica e, no caso do português, não faltam redundâncias e ilogismos. Agora, estava aqui a rever um texto em que se podia ler: «A maioria das mulheres que chegam ao centro não sabem ler nem escrever. Recebem aulas de alfabetização, higiene e culinária, e aprendem a montar a e gerir um negócio, como costura, fabrico de sabão, criação de gado, jardinagem…» A alfabetização não é a acção de alfabetizar, isto é, e no sentido mais lato, ensinar a ler e a escrever? Se aquelas mulheres, que não sabem ler nem escrever, chegam ao centro, seja lá onde for, poderão assistir a aulas de alfabetização? Não se destinarão estas aulas apenas a quem já está alfabetizado, porventura futuros professores? Estão a ver a contradição? Contudo, a expressão é muitíssimo comum.

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1 comentário:

Helder Guégués disse...

Talvez tenha razão.

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