Raios: ultravioleta ou ultravioletas?
16.7.06
É do calor
O leitor Hugo Santos escreveu-me a alertar para o facto de os nossos jornalistas ora dizerem «raios ultravioleta» ora «raios ultravioletas». Quer saber a minha opinião. Nada de frases de tafetá, que eu também estou impaciente com o calor: isto é pura tontice. Há, é verdade, aspectos da língua controversos, há variantes, opções estilísticas, questões dúbias — mas a concordância dos adjectivos com os substantivos mantém-se tão inalterável como o fluir das estações. Hoje mesmo ouvi no noticiário das 7 da manhã, na TSF, um jornalista dizer «radiações ultravioletas», o que está correcto. De seguida, outro jornalista voltou a alertar para os «raios ultravioletas», acabando, menos de um minuto depois, por enfatizar o perigo que constitui a exposição aos «raios ultravioleta». Em que ficamos? Sejamos claros: pior do que um critério errado, só mesmo falta de critério. Minutos depois, na Antena 1, foi a vez de um jornalista referir os «raios ultravioleta».
Este erro levou-me a recordar outro, semelhante e muito comum, e que consiste em não fazer concordar o adjectivo «extra» com o substantivo que qualifica: «O meu marido ficou hoje a fazer horas extra no emprego.» Está tudo dito: como adjectivo, tem de concordar com o substantivo que qualifica: «horas extras», «serviço extra», «trabalhos extras».
Não estropiem a língua — ela é de todos. Senhores jornalistas, mais cuidado.
O leitor Hugo Santos escreveu-me a alertar para o facto de os nossos jornalistas ora dizerem «raios ultravioleta» ora «raios ultravioletas». Quer saber a minha opinião. Nada de frases de tafetá, que eu também estou impaciente com o calor: isto é pura tontice. Há, é verdade, aspectos da língua controversos, há variantes, opções estilísticas, questões dúbias — mas a concordância dos adjectivos com os substantivos mantém-se tão inalterável como o fluir das estações. Hoje mesmo ouvi no noticiário das 7 da manhã, na TSF, um jornalista dizer «radiações ultravioletas», o que está correcto. De seguida, outro jornalista voltou a alertar para os «raios ultravioletas», acabando, menos de um minuto depois, por enfatizar o perigo que constitui a exposição aos «raios ultravioleta». Em que ficamos? Sejamos claros: pior do que um critério errado, só mesmo falta de critério. Minutos depois, na Antena 1, foi a vez de um jornalista referir os «raios ultravioleta».
Este erro levou-me a recordar outro, semelhante e muito comum, e que consiste em não fazer concordar o adjectivo «extra» com o substantivo que qualifica: «O meu marido ficou hoje a fazer horas extra no emprego.» Está tudo dito: como adjectivo, tem de concordar com o substantivo que qualifica: «horas extras», «serviço extra», «trabalhos extras».
Não estropiem a língua — ela é de todos. Senhores jornalistas, mais cuidado.
edit
1 comentário:
Ontem estive a ver um docxumentário sobre o Marquês de Pombal no canal História.Não registei os erros, mas duas das ilustres historiadoras que falavam do assunto davam frequentíssimos pontapés na gramática.isto diz bastante também da qualidade doe nsino de português nas escolas -estas duas senhoras, de cerca de 30 a 40 anos, não sei se já doutora
das, podem saber muito de História,(não duvido) mas não dominam a língua portuguesa.Creio que o programa vai ser repetido várias vezes, como é habitual nesse canal.
Francisco S.
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