Topónimo: Vladivostoque


Ora cá está

«Hoje, ninguém mastiga nem ensaliva topónimos nem antropónimos estranhos. O ideal é ingerir inteiro», lamenta João de Araújo Correia na página 104 de A Língua Portuguesa (Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959]). Contudo, Владивосток estava mesmo a pedi-las. Foi o que fizeram na edição n.º 149 (15 de Novembro) da Notícias Sábado.

Transliteração do russo


Assim é mais fácil


      Reproduzo acima a tabela de transliteração do alfabeto russo para os caracteres latinos usada nos serviços da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Podem encontrar tabelas referentes a outras línguas aqui.

Sobre a palavra «juíza»

Tem mas é juízo


      «O debate instrutório do sequestro de juízas e funcionárias no Tribunal de Família de Gaia foi adiado» («Caso de ameaças adiado», Diário de Notícias, 15.11.2008, p. 23).
      Claro, juízas. Não deixa de ser impressionante o número de pessoas que ainda hesitam no uso de «juíza». A propósito do uso infeliz da palavra «poeta» referido a mulheres, escreveu João de Araújo Correia, que não é precisamente um poço de virtudes, já que até fala da «pronúncia branca»: «Pelos domingos se tiram os dias santos. O que se diz de poetisa e rainha, poderá dizer-se de ministra, embaixatriz, etc. Seria ridículo o ministro ou o embaixador que pintasse os lábios em público. Não deixe a mulher de ser mulher para exercer funções de advogado, médico e engenheiro. Seja briosamente advogada, médica e engenheira» (p. 89). No Ciberdúvidas, F. V. P. da Fonseca responde à dúvida assim: «O feminino de juiz é juíza, que se aplica tanto à mulher que exerce as funções de juiz, como à mulher de um juiz.» Bem, na linguagem informal também é a mulher do juiz, mas não me parece que isso viesse ao caso. Agora já percebo porque dizem na Internet que sou professor. Olha se a minha mulher fosse manicura.


Póvoa de Varzim


Faz-me espécie

«8.º Congresso dos Juízes começa quinta-feira na Póvoa do Varzim» («Marinho fora do congresso de juízes», Filipa Ambrósio de Sousa, Diário de Notícias, 15.11.2008, p. 23).
É assim que se vê escrito e se ouve na rádio e na televisão. Contudo, lá parece que dizem e escrevem Póvoa de Varzim. Lembram-se do conselho que aqui dei sobre perguntar a quem vive nas localidades? Também João de Araújo Correia o dá a propósito dos artigos a anteceder os topónimos: «Pessoas estranhas às localidades deveriam perguntar se o nome delas pede ou não artigo definido» (A Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 78). Nunca como actualmente foi tão fácil comunicarmos com outras pessoas.

Grandes números


Milhões, biliões... e confusões

Depois de ter visto, na semana passada, que a ministra da Saúde, Ana Jorge, não sabia o valor da dívida do Serviço Nacional de Saúde e, mesmo depois de se ter ido informar, ter dado um valor errado, dizendo que era de um milhão de euros, quando é de mil milhões, depois de ter ouvido ontem na Antena 1 alguém, ligado a um encontro sobre seguros, usar a palavra inglesa billion, depois de ter visto inúmeras confusões no uso dos grandes números, decidi voltar a abordar a matéria, desta vez publicando a tabela que se vê acima. Vejam também aqui.

Formas de tratamento


Fernanda Serrano

Seria preciso investigar a imprensa portuguesa, como já aqui sugeri, para tirar a limpo certos factos, entre os quais a evolução das formas de tratamento. Suspeito que esta forma — usar apenas o apelido — de a imprensa se referir a uma mulher não tem muitos anos. Mais: desconfio que é recente e tem no Diário de Notícias o grande seguidor. Na primeira página podia ler-se: «Serrano livre do cancro da mama após 9 meses». Atribuí, contudo, pese embora já ter visto muitos outros exemplos neste jornal, esta forma de referir uma mulher a desatenção, que não a falta de espaço. Na página 60, confirma-se que é uma opção: continua a omitir-se, de forma deselegante, descortês, militar, o primeiro nome de uma mulher.

Sobre «prequela»

Encurralados

«Nos excertos aparecem actores como Zachary Quinto, o Sylar de Heroes, que interpreta Mr. Spock, ou Leonard Nimoy, o Spock original, que regressa na prequela. A acção do filme decorre quando a tripulação da Enterprise era mais nova» («Novo ‘Star Trek’ estreia-se em Maio de 2009», Diário de Notícias, 12.11.2008, p. 52).
Ainda que quiséssemos, pretensão vã, banir o vocábulo, restava um problema: se argumentarmos que está mal formado em português e advogarmos o uso do original, estamos a esquecer-nos de que também em inglês ele está mal formado. Ou isso não interessa? De facto, o termo é útil. «Prequel: a film, book or play which develops the story of an earlier film, etc. by telling you what happened before the events in the first film, etc: Jean Rhys’s novel Wide Sargasso Sea is a prequel to Charlotte Bronte’s Jane Eyre» (in Cambridge Advanced Learner’s Dictionary).

Topónimo: Curia


Cúria Romana?

O partido do nome errado organizou a 2.ª Universidade da Europa no lugar da Curia, freguesia de Tamengos, concelho da Anadia. O Meia Hora, porém, achou que seria na Cúria. O computador altera, e deixa-se estar. Se tivesse sido necessário escrever Cúria, talvez tivesse saído Curia. Atenção, Sílvia Lobo. Recomendo uma ida a banhos, agora na época baixa, lá mesmo, na Curia. Onde o tempo é bem-estar.

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