Uma palavra por dia: «chafar»

Espanhol

«“Son taaan monos”, señalan al unísono un par de amigas ante el escaparate de una tienda con amigurumis. Sólo les falta chafar la nariz contra el vidrio. Ya es oficial: lo hecho a mano reverdece que es un contento. En el nombre de lo artesanal, se perpetran muchos horrores, pero el amigurumi es una de las cosas a salvar de la quema» («Tricotar en japonés», Marta Riezu, Público, 2.10.2007, p. 50). Chafar, pois. Na definição do Diccionario de la Real Academia: «Aplastar lo que está erguido o lo que es blando o frágil, como la hierba, el pelo de ciertos tejidos, las uvas, los huevos, etc. U. t. c. prnl.» No contexto, talvez a melhor tradução deste verbo onomatopaico seja «achatar, esmagar, comprimir»: «Só lhes falta achatar o nariz contra o vidro.»

TLEBS

A negregada

O texto de revisão da TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário) está em consulta pública até 31 de Dezembro. Falem agora ou calem-se para sempre. O documento de revisão pode ser descarregado aqui.

Aprendizagem

Imagem: http://static2.instructables.com/

Jogos de construção


Do diário espanhol Público realço hoje: «Los juegos de construcción podrían mejorar el desarrollo del lenguaje infantil en niños menores de tres años, según un estudio de la Universidad de Washington (EEUU). Las pruebas realizadas mostraron que los niños que recibieron estos juguetes tenían puntuaciones un 15% superiores en las evaluaciones de lenguaje que aquellos a los que no se les habían proporcionado estos juguetes» («Juegos que mejoran el lenguaje en niños», Público, 2.10.2007, p. 39).

Léxico: vidro

Imagem: http://www.dkimages.com/

É só uma ideia

Também está na nossa mão — revisores, tradutores, jornalistas, professores — não deixar que se percam acepções, vocábulos. Vejam se os Ingleses se importam de escrever «phials of morphine», quando têm muitos outros termos. «Five phials of morphine were stolen from the N-registration green Volvo estate» (in BBC News). Em vez de traduzirmos por «frascos de morfina», porque não por «vidros de morfina»? Do Aulete Digital (verbete original): «Vaso pequeno de vidro para conter qualquer liquido; frasco: “um vidro de água de Colônia; Pois a mãe não está doente, quase a morrer e sem médico, sem um único vidro de remédio?” (Jorge Amado, Jubiabá, p. 255, ed. 1937.)(Fig.).»

Tradução: «stick»

Imagem: http://www.studioarts.co.uk/

Amparo de tradutor
     


      Não sei se os pintores usam varas. Talvez as usem — virgultas, varinhas — para emulsionar as tintas, mas quando pintam paredes e não as suas obras. De qualquer modo, usá-las-iam decerto no lombo dos críticos e criticastros, se pudessem. Estou a divagar… Devagar. Como se chama então àquela varinha, terminada por uma pequena bola, em que os pintores apoiam a mão para pintar com firmeza, para os Ingleses simplesmente o polissémico stick, pois claro? Em português — tento.

Rei dos Belgas

Não é a reinar

      Sempre achei interessante que o monarca da Bélgica fosse o «rei dos Belgas» e não, como seria de esperar, o «rei da Bélgica», o que pretende demonstrar — a constituição surgiu a tempo de o poder consignar — que o monarca reina sobre uma comunidade, os Belgas, e não sobre um território. Contudo, já o herdeiro da coroa tem o título de «príncipe da Bélgica» (e também duque de Brabante) e não «príncipe dos Belgas». Há, é verdade, outros exemplos de títulos semelhantes, mas não entre as monarquias europeias.

Máquina a vapor/máquina de vapor

Agora já é tarde

A propósito de uma consulta publicada hoje no Ciberdúvidas sobre se se deve dizer «cozinhar ao vapor» ou «cozinhar a vapor», e porque o consultor acrescentou que «igualmente nas expressões “máquina a vapor”, “a vapor”, “a todo o vapor”, é a preposição simples que vem associada ao termo vapor», aproveito para transcrever o que o Prof. Vasco Botelho de Amaral escreveu sobre a mesma questão na obra Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português (Editorial Domingos Barreira, Porto, 1947, pp. 572-73).
«Vela. A concisão que adoptei em 1938 na 1.ª edição do Dicionário impediu, num caso ou noutro, que a minha opinião ficasse bem nítida. Por exemplo, ao tratar de expressões como — barcos à vela, máquina a vapor, etc., deixei apenas marcado que em melhor português é — barco de vela, máquina de vapor, pois os Franceses é que espalharam a construção sintáxica à vapeur, etc.
O douto crítico da Revista Filológica do Brasil Conde de Pinheiro Domingues citou-me autores portugueses que usaram “barco à vela”, e com isso não me trouxe novidade nenhuma, pois eu mesmo, num livro de 1939 (os Estudos Vernáculos), mencionei “máquina a vapor” em Camilo, e, em outra obra (no A Bem da Língua Portuguesa), ajuntei:
“Mais português: navio de vapor. No entanto, o galicismo já vem de longe e talvez já não saia. Camilo usou barco a vapor (No Bom Jesus do Monte, 16). E do próprio Castilho, citado por A. Moreno para abonação de “navio de vapor”, conheço eu dois passos com a expressão — máquina a vapor. Vejam-se as Cartas, I, páginas 90 e 91, edição 1907.
Curioso é que todos dizemos moinho de vento, e não moinho a vento. Mas, por outro lado, há certa hesitação entre barco à vela e barco de vela.”
Já agora acrescentarei que, para a expressão “perna à vela” (que, às vezes, alterna com “perna ao léu”), encontro explicação da seguinte maneira: existe a dicção marítima “andar à vela”, isto é, desfraldar as velas, desferi-las, desencolhê-las, navegar com as velas desfraldadas. Assim vai, figuradamente, quem caminha de perna à mostra. (Também se aplica a quem anda em fralda de camisa).»

Arquivo do blogue