Sobre «overdose»

Ainda não


      «Um grupo de 13 pessoas pertencentes ao grupo 10:23 Portugal juntou-se ontem nos jardins do Príncipe Real, em Lisboa, para tomarem em simultâneo uma overdose de medicamentos homeopáticos (produtos feitos à base de plantas)» («‘Overdose’ de medicamentos sem efeitos registados», Diário de Notícias, 6.02.2011, p. 27).
      Eu até pensava que no Diário de Notícias não se usava o anglicismo «overdose». Quanto aos dicionários, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista apenas «sobredosagem» e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa só regista «sobredose».

[Post 4404]

Como se escreve nos jornais

Parecido, sem dúvida


      «Mas nas lojas frequentadas por turistas, um frasco pode custar até três vezes mais do que isso, conta o jornalista Andrew Buncombe na recente reportagem que publicou no Independent. A juntar a isso, algumas organizações não governamentais e cooperações começaram também a ajudar a publicitar este mel recolhido em condições de tamanho risco» («O mel mais perigoso do mundo», Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 6.02.2011, p. 30).
      Talvez seja melhor perguntarmos ao jornalista inglês o que são «cooperações». Andrew Buncombe responde: «One recent positive development has been the promotion of the region’s honey by NGOs and co-operatives that have woken up to the marketing potential of a natural product collected under such testing conditions. While the collectors get just 45 rupees (60p) for a kilo from the government, in the shops that sell to tourists, a large jar can sell for more than three times that sum.» Cooperativas. Obrigado.

[Post 4403]

Como se escreve nos jornais

Inacreditável... ou quase


      «No entanto, os seus hábitos [do arminho] esquivos e a falta de estudos aprofundados sobre este animal não permitem haver dados concretos sobre sua densidade populacional em solo nacional, mas estimando-se, apesar de tudo, que não exista um grande número de exemplares no estado selvagem» («O sobrevivente da cobiça real e exterminador natural», José Pedro Gomes, Diário de Notícias, 6.02.2011, p. 42).
      Há quem escreva quase tão mal — mas não é jornalista.

[Post 4402]

Veimar/Weimar

D. Raphael sabia


      Numa folha com anotações, um grande tradutor espanta-se (!) que outro tradutor tenha optado por escrever Veimar em vez de Weimar. E eu ia jurar que já uma vez aqui tinha falado de Veimar. Mas não: foi de Weimar. Numa edição de 1813 da Gazeta de Lisboa, é Veimar que se lê. No Vocabulario Portuguez & Latino, de Bluteau, é também esta forma que se lê. Neste ínterim de 200 anos, foi usada noutras obras, como, por exemplo, Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

[Post 4401]

Ensino

Bom por tradição


      Professor universitário muito considerado, mas, pelo que se via, só queria chamar a atenção para pretensas singularidades da língua. A locução «pôr-do-sol» com hífen? «Mas, quando o pastor chegou à beira-mar, o pássaro voou por sobre a água, em direcção ao pôr-do-sol.» As formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc. (antes da Base XVII, 2.º, do AO90, naturalmente) sem o hífen nas ligações da preposição «de»? «Onde as câmaras mais profundas são reservadas para o que há de mais trivial.» (Uma frase de Walter Benjamin, hem?) Genial...

[Post 4400]

Sobre ADN mitocondrial

E, no entanto


      «[...] but pretty useful as supportive evidence if the mtDNA matched his.» […] seria muito útil como prova de apoio caso o ADNmt fosse coincidente.» Trata-se do chamado ADN mitocondrial. A dúvida é se se deve grafar daquela forma, ADNmt. Quanto a mim, acho que não. Não é uma sigla composta.
      É conhecido, durante o século XIX, o uso exagerado de abreviaturas, e algumas pessoais, não generalizadas. Quem não se lembra do nome dos meses abreviado em Camilo, por exemplo? Setembro era 7bro, Outubro era 8bro, etc. Estas abreviaturas numéricas, de que actualmente só usamos nos numerais ordinais, 1.º, 2.º..., não deixam de ser curiosas, mas nem sempre são claras.

[Post 4399]

Tradução: «exonerate»

Agora não são buchas


      «Still, doubts lingered, and his four-year battle to exonerate his client, George Fox’s lawyer in court claimed that Brown was the killer.» O tradutor quis que aquele exonerate fosse exonerar, mas são falsos amigos (como tantos outros). Como transitivo, é o mesmo que demitir; destituir; tirar o ónus a; desobrigar; dispensar. Em inglês, e neste contexto, é ilibar de culpa.

[Post 4398]

Grande Maçã

Quem os viu


      Ena, até já sabem grafar prosónimos: «De acordo com documentos apresentados ontem naquele tribunal, Renato Seabra viajou para a Grande Maçã na companhia da vítima Carlos Castro no dia 29 de Dezembro do ano passado. Ambos ficaram hospedados no Hotel Intercontinental na Rua 44 West» («Renato Seabra entrou algemado e clamou inocência», Ricardo Durães, Diário de Notícias, 2.02.2011, p. 50).

[Post 4397]

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