Do Norte

Parece o mesmo


      «O livro, Poverty: A Study of Town Life, baseava-se num estudo das condições sociais na cidade nortenha de York, não muito longe do seu círculo eleitoral de Oldham, no Lancashire» (Uma Introdução à Vida de Churchill, John Keegan. Tradução de Jorge Palinhos e revisão de Paulo Salgado Moreira. Lisboa: Tinta-da-China, 2007, p. 65).
      Não sabia que no Norte de Portugal havia uma cidade com o nome de York... Já aqui vimos este erro.

[Post 4092]

Revisão

Concordo


      «Em 1901, aceitou outro pretendente e tornou-se lady Lytton» (Uma Introdução à Vida de Churchill, John Keegan. Tradução de Jorge Palinhos e revisão de Paulo Salgado Moreira. Lisboa: Tinta-da-China, 2007, p. 54).
      Concordo com a regra usada em algumas editoras: lady e sir só são grafados em itálico se não antecederem um nome; de contrário, serão grafados em redondo e em caixa alta. Logo, neste caso, Lady Lytton.

[Post 4091]

Léxico: «mádi»

Vamos empobrecendo


      «Em 1885, Gordon, um evangélico fervoroso e um porta-estandarte do sonho imperial, fora morto no seu posto de residente (o representante local do governador-geral) em Cartum, por soldados do madi, um carismático fundamentalista muçulmano» (Uma Introdução à Vida de Churchill, John Keegan. Tradução de Jorge Palinhos e revisão de Paulo Salgado Moreira. Lisboa: Tinta-da-China, 2007, p. 49).
      Mais um vocábulo omitido pelos modernos dicionários da língua portuguesa. Com excepção do Dicionário Houaiss, em que aparece registado com a grafia mádi: «na tradição muçulmana, o messias aguardado que restaurará a pureza do islão, a paz e a justiça universais, quase no final do mundo». José Pedro Machado, no Grande Dicionário da Língua Portuguesa, regista apenas madismo: «Seita muçulmana que crê na vinda de um messias (em ár.: madi).»

[Post 4090]

Léxico: «nizam»

Ilusões


      «Enquanto escrevia de jacto The River War, em Londres, reencontrou-se com Pamela Plowden, uma rapariga que conhecera na Índia, quando o pai desta era o residente inglês na corte do nizam de Hiderabade» (Uma Introdução à Vida de Churchill, John Keegan. Tradução de Jorge Palinhos e revisão de Paulo Salgado Moreira. Lisboa: Tinta-da-China, 2007, p. 54).
      Estava convencido de que tinha lido há algum tempo o termo num dicionário da língua portuguesa. Afinal, não foi assim, pois não o vejo registado em lado nenhum. Quando li de fio a pavio o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado, foi lá que o encontrei: «Título usado, no tempo dos sultões timúridas da Índia, pelo nababo governador do Decão.│Depois, designação ou título conferido a um chefe, governador ou simples administrador, nos regimes da Índia» (p. 621).

[Post 4089]

Ortografia: «dervixe»

Imagem tirada daqui

Temos três


      «Na manhã a seguir, os derviches atiraram-se com fervor fanático contra as defesas britânicas» (Uma Introdução à Vida de Churchill, John Keegan. Tradução de Jorge Palinhos e revisão de Paulo Salgado Moreira. Lisboa: Tinta-da-China, 2007, p. 52).
      Muito bem — em francês e em espanhol! Temos três variantes: dervixe, dervis e daroês. Não precisamos, acho eu, de mais uma. Há mais ocorrências, pelo que parece ser convicção forte do tradutor e do revisor. Quem nunca antes ouviu falar dos dervixes rodopiantes? Bem, todos, mas alguns esquecem a grafia.

[Post 4088]

Galicismo: «etalonagem»

L’étalonnage à Tóbis


      «O “bichinho”, como lhe chama, determinou que perante o anúncio no jornal largasse o liceu Maria Amália, onde frequentava o quarto ano, e desse entrada, a 1 de Março de 1974, na empresa que havia de ser a da sua vida, e de mais de uma maneira. “Nem sabia o que queriam que a gente fizesse, o jornal não dizia. Vim com uma amiga e mais dois rapazes e fui parar à tiragem de cópias. Achei aquilo muito engraçado. Quem me ensinou foi um senhor que cá estava, o sr [sic] Augusto. Era ele que fazia a etalonagem, a divisão de cores nos filmes. Fazia-se com umas certas filtragens”» («As mãos do cinema», Fernanda Câncio, «DN Gente»/Diário de Notícias, 13.11.2010, p. 5).
      Cheira a galicismo — e é. Étalonnage. Em português diz-se aferição. A convicção de que em português não há termo correspondente é quase sempre fundada na falta de conhecimentos.

[Post 4087]

Brasileirismo: «enturmado»

Para um escol


      «Como a maioria dos que trabalhavam nessa secção eram miúdos, raro seria o dia, conta Jerónimo, que não saíam de lá encharcados, de tanto brincar. E ao sábado podiam dar um mergulho na piscina ou jogar nos campos de jogos. Um paraíso para um miúdo pobre, enturmado com Vascos Santanas, Antónios Silvas, Joões Villarets e Manoéis de Oliveira» («As mãos do cinema», Fernanda Câncio, «DN Gente»/Diário de Notícias, 13.11.2010, p. 4).
      Cheira a brasileirismo — e é. O brasileirismo que pegou de raiz, porém, foi virar, na acepção de assumir outra forma ou natureza; converter-se, transformar-se. Não há semana em que o não veja na imprensa. «Mourinho não repetiu filme de 1973 e virou protagonista» (Carlos Nogueira, Diário de Notícias, 11.11.2010, p. 37). Enturmado: que faz parte de uma turma, um grupo de amigos. Se o objectivo é escrever para um escol, está cumprido.

[Post 4086]

Ortografia: «microidioma»

Sem mistérios


      «Neste contexto de raridade, o mirandês, por exemplo, é um [sic] língua que é ainda relativamente conhecida, pois tem entre 10 mil a 15 mil conhecedores — assim como o angolar que, em S. Tomé e Príncipe, é conversado entre umas cinco mil pessoas —, pois os micro-idiomas podem ter um número de falantes bem inferior ao dos indivíduos das espécies animais ameaçadas» («Uma Babel linguística», Fernando Madaíl, «DN Gente»/Diário de Notícias, 13.11.2010, p. 6).
      Por muitas dificuldades que a aplicação da regra implique, e já vimos aqui algumas, a verdade é que com os antepositivos macro- e micro- nunca se utiliza hífen. Logo, microidiomas.

[Post 4085]

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