Erros no De Rerum Natura
Escreve Rui Baptista no blogue
De Rerum Natura: «No [
sic] última edição do semanário
Expresso (16/01/2010) foi noticiado, em escassas linhas, que o PCP, “
ao fim de anos de luta, colocou a palavra ‘arruada’ no Dicionário da Academia”. E porque o povo também faz a língua, na essência, refere-se este
suelto a Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português, por ele, em hora de inspiração, logo aproveitada pelos meios de comunicação social, ter sido o padrinho do neologismo
arruada na pia baptismal do consagrado
Dicionário da Academia de Ciências para significar os passeios de rua dos partidos políticos levados a efeito, por exemplo, na última campanha eleitoral pelas ruas do vetusto Chiado, qual Fénix renascida das cinzas.»
Se não soubesse que os verbetes estão ordenados alfabeticamente nos dicionários, teria andado perdido durante muito tempo no
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa. A verdade é que neste dicionário passamos do verbete «arruaceiro» para o verbete «arruamento». O que está é registado o verbo
arruar, mas em dicionários de há duzentos anos também estava. É o caso do
Diccionario da lingua portugueza composto pelo padre D. Rafael Bluteau, reformado, e accrescentado por Antonio de Moraes Silva natural do Rio de Janeiro. E quem consagrou o
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea? Como se pode escrever sobre o que seja e não consultar as fontes citadas? Sendo o autor professor, mais obrigação tem de vir corrigir a afirmação.
[Post 3033]
Actualização em 21.1.2010
Em relação à edição do Expresso do dia 16 de Janeiro não sei, mas na edição anterior encontrei um texto, de que transcrevo o seguinte trecho, que interessa ao debate: «E há ainda uma curiosidade política: a reentrada em cena de arruada, uma palavra que chegou a existir em dicionários antigos para designar digressões festivas pelas ruas e que, depois de anos a ser usada apenas pelos partidos mais à esquerda (PCP e Bloco de Esquerda) caiu no goto da gíria mediática nas três campanhas eleitorais de 2009, qualquer que fosse a cor das bandeiras ao longo das praças e avenidas» («As 13 novas palavras da língua portuguesa», Micael Pereira, Expresso, 9.1.2010, p. 26).
Que dicionários antigos, caro Micael Pereira? Pode citar pelo menos um?