
Não temo hiatos
Há, não posso desmentir, escritores seriíssimos a escreverem «seríssimo», mas eu é que não me convenço. O superlativo absoluto sintético obtém-se acrescentando o sufixo derivacional -íssimo (no caso, pois há outros), que nos parece tão intrinsecamente português, mas que só surgiu na língua comum no século XVI, ao adjectivo na forma positiva, suprimindo-se, por vezes, a vogal temática. Assim, será séri(o)+íssimo, seriíssimo. Não sigo, contudo, cegamente a regra, pois o superlativo de «sumário» seria sumariíssimo, o que eu jamais diria. Mas será, vendo bem, talvez o único caso em que não sigo a regra, discordando da observação de Celso Cunha e Lindley Cintra (mas qual deles escreveu esta observação?) na Nova Gramática do Português Contemporâneo: «Em lugar das formas superlativas seriíssimo, necessariíssimo e outras semelhantes, a língua actual prefere seríssimo, necessaríssimo, com um só i» (3.ª ed., Lisboa: Edições João Sá da Costa, p. 260). Será então seriíssimo, tal como cheiíssimo, feiíssimo, friíssimo, necessariíssimo, precariíssimo, variíssimo… É como diz Evanildo Bechara: «Ainda que escritores usem formas com um só i (cheíssimo, cheinho, feíssimo, seríssimo, etc.), a língua padrão insiste no atendimento à manutenção dos dois ii» (Moderna Gramática Portuguesa. 37.ª ed. Rio de Janeiro, 2002, p. 151).
Há, não posso desmentir, escritores seriíssimos a escreverem «seríssimo», mas eu é que não me convenço. O superlativo absoluto sintético obtém-se acrescentando o sufixo derivacional -íssimo (no caso, pois há outros), que nos parece tão intrinsecamente português, mas que só surgiu na língua comum no século XVI, ao adjectivo na forma positiva, suprimindo-se, por vezes, a vogal temática. Assim, será séri(o)+íssimo, seriíssimo. Não sigo, contudo, cegamente a regra, pois o superlativo de «sumário» seria sumariíssimo, o que eu jamais diria. Mas será, vendo bem, talvez o único caso em que não sigo a regra, discordando da observação de Celso Cunha e Lindley Cintra (mas qual deles escreveu esta observação?) na Nova Gramática do Português Contemporâneo: «Em lugar das formas superlativas seriíssimo, necessariíssimo e outras semelhantes, a língua actual prefere seríssimo, necessaríssimo, com um só i» (3.ª ed., Lisboa: Edições João Sá da Costa, p. 260). Será então seriíssimo, tal como cheiíssimo, feiíssimo, friíssimo, necessariíssimo, precariíssimo, variíssimo… É como diz Evanildo Bechara: «Ainda que escritores usem formas com um só i (cheíssimo, cheinho, feíssimo, seríssimo, etc.), a língua padrão insiste no atendimento à manutenção dos dois ii» (Moderna Gramática Portuguesa. 37.ª ed. Rio de Janeiro, 2002, p. 151).
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