Pronúncia: «bacharel»

Vê lá

«Ó estudante de Coimbra, não digas bàcharel. Não digas bàcharel nem bàicharel, como às vezes te oiço dizer. Nenhum dos teus antecessores, desde Camões a António Nobre, pronunciou bàcharel» (João de Araújo Correia. A Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 29).

Definição: «brecagem»


Coisas da mecânica


      «Um carro eléctrico (o ‘city car’) que não produz emissões de dióxido de carbono, desdobrável, recarregável nos lugares de estacionamento e cujas rodas têm um sistema de brecagem capaz de fazer uma volta de 360 graus está a ser estudado no Massachusetts Institute of Technology (MIT)» («Um carro ideal para Lisboa», Diário de Notícias, 28.1.2009, p. 24).
      Sei que nem toda a gente, nem sequer condutores, conhece o termo «brecagem». A minha preocupação, neste caso, é a de os leitores que consultarem um dicionário neste verbete e não entenderem o que lêem. Pegue-se num dicionário da língua portuguesa da Porto Editora e leia-se: «Brecagem s. f. MECÂNICA. Ângulo horizontal máximo que as rodas directoras de um veículo podem descrever a partir da sua posição em movimento rectilíneo.» Hã? Talvez a definição da Autopédia, a que pertence a imagem, seja melhor: «Perímetro da menor circunferência que um automóvel consegue descrever. Um automóvel com uma boa brecagem consegue descrever círculos apertados.» Creio que no Brasil não se usa esta palavra, mas já os meus leitores habituais, como Paulo Araujo, Roberto de Barros Benévolo ou Gustavo Nagel, confirmarão.

Léxico: «homejacking»

Já aparecerá outra

Depois do fenómeno do carjacking, que quase eclipsou as outras notícias, agora temos o homejacking, de que os meios de comunicação social andam a falar há meses. «A Polícia Judiciária do Porto anunciou a detenção de cinco homens pela presumível autoria de seis assaltos violentos em residências (homejacking), na zona de Matosinhos, e de um em estabelecimento, no Porto» («PJ desmantela quadrilha de assaltantes», Global, 3.2.2009, p. 7).
Sendo a definição de «assalto» «ataque súbito utilizando a força ou ameaças, com o objectivo de roubar», pergunto-me o que faz ali o «violento», mas não é disso que pretendo falar. Parece ser algo diferente de um simples assalto, o que justificará (?) o empréstimo: «É um tipo de criminalidade grupal organizada com grande capacidade de mobilidade por todo o País», ouvia-se ontem no Rádio Clube Português. Num portal belga, lê-se esta definição: «Le homejacking consiste à dérober un véhicule après en avoir volé les clés dans la maison. Les auteurs de ces vols ont recours à la violence et à des menaces. Lorsque les voleurs n’ont pas recours à la violence ou à des menaces, on parle de “vol de garage”.»

Léxico: «fiação»

Imagem: http://img79.echo.cx/

Não são só têxteis

O historiador e colunista do Jornal do Brasil Paulo Passini escreveu ontem sobre as siglas que se encontram nas tampas de ferro das caixas de visita dos vários serviços no Rio de Janeiro. Foi neste artigo que li pela primeira vez a palavra «fiação» com a acepção (conjunto de fios que constituem a instalação eléctrica de uma habitação ou localidade) aqui usada: «As primeiras tampas referentes a serviços telefônicos são identificadas pela sigla CTB (Companhia Telefônica Brasileira), tradução do nome da empresa canadense Brazilian Telephone Company, em 1923. A história da telefonia brasileira havia começado bem antes, em 1877, com linhas particulares entre alguns privilegiados. Como a fiação era toda aérea, levaria algumas décadas até existirem cabos subterrâneos, e, conseqüentemente, tampas» («Siglas que não se perdem no espaço», Paulo Passini, Jornal do Brasil, 2.02.2009, p. A20).

Acordo Ortográfico


Fora-da-lei

Amedrontado com as cominações da lei, aqui brandidas por um leitor, e repeso e contrito por abalar a coesão nacional, o desportivo Record decidiu não continuar a usar as regras do Acordo Ortográfico de 1990. Ah!, não?... Afinal, estão aqui a dizer-me que não é nada disso: esqueceram-se foi de que os nomes dos meses passam, segundo as novas regras ortográficas (art. 1.º, b), da Base XIX), a grafar-se com inicial minúscula.

«Tropa», não contável

A tropa-fandanga opõe-se     

      Numa comunicação datada de 27 do corrente, a Fundéu veio esclarecer que o substantivo «tropa» não é contável, como eu já aqui tinha escrito em relação à língua portuguesa. Na definição do Dicionário Terminológico (DT, ex-TLEBS), nomes contáveis são «nomes comuns que se aplicam a objectos ou referentes que podem ser diferenciados como partes singulares ou partes plurais de um conjunto (i). Assim, podem ocorrer em construções de enumeração (ii) e a forma de plural marca uma oposição quantitativa (iii)». Deixo na íntegra o texto da Fundéu:
      «La Fundación del Español Urgente explica que en español no pueden contarse las tropas, sino los soldados, pues la palabra tropa no es un sustantivo contable.
La Fundéu BBVA indica que no se pueden contar «una tropa», «cinco tropas», «trescientas tropas» o «28.000 tropas».
      Tropa, en singular, se refiere a los miembros del ejército que no son mandos con rango de oficial, y comprende a los sargentos, cabos y soldados. Y en plural, tropas, puede utilizarse para mencionar a las de diferentes secciones del Ejército o a las de distintos países: «Desfilaron las tropas del Ejército del Aire y de la Legión»; «Se produjeron escaramuzas entre las tropas de Colombia y Venezuela».
      No son correctas frases como: «Fidel sacó a 3.000 tropas de Haití»; «Llegaron 23.000 tropas de marines enviadas por los EE. UU.»; «…autorizó solo 20.000 tropas para Bosnia». En esos casos debieron usarse las palabras soldados o infantes de marina, respectivamente.
      Así, pues, la Fundéu BBVA advierte que no se puede hablar de las tropas como si se tratara de los individuos que las componen.»

Pronome pessoal «si»

«Isto é para si»!?


      Escreveu João de Araújo Correia na obra A Língua Portuguesa (Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959]): «A troco de evolução, desculpa-se a corrupção e a má-criação. — Esta fita é para si — diz o caixeiro à senhora» (p. 83). «Será lógica esta maneira de pensar, mas, não abona amor de raiz à verdadeira língua portuguesa. Em bom Português, só se admite si referido ao sujeito da proposição. O figo cai por si; o homem caiu em si; a menina voltou a si» (p. 86).

Tradução: «party favor»


Faz-me um desenho


      Um leitor pretende saber como se pode traduzir a locução inglesa «party favor». Como se vê na imagem, trata-se de uma corneta usada nas festas, que, quando soprada, estende várias línguas de papel. Bem, talvez corneta das festas. No sítio da empresa Animeventos, Lda., de onde tirei a imagem que está em cima, aparece com o nome corneta. Como muitas vezes sucede, o contexto poderá indicar ao leitor de que se trata.

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