Acepções de «gafe»


Equívoco, disparate, tolice     

      A palavra «gafe» tem várias acepções, e em alguma dela se enquadra a atitude de Manuela Ferreira Leite. Gafe ou gaffe: acção ou palavra impensada que provoca uma situação embaraçosa ou um equívoco, deslize. Engano. Disparate; tolice.

Redução vocabular


Manif

      A palavra «manif» não é uma abreviatura. Logo, não pode ter ponto de abreviatura. Nem precisa de ter aspas, como este jornal já fez: «Costa foi “apertado” pela convocatória da manif que não tinha assinado», lia-se na edição do Diário de Notícias de 18.4.2008. Trata-se de um processo de abreviação ou redução vocabular, como se vê nas palavras «foto», «metro», «micro», «moto», «pneu», «porno», «quilo», etc. E quem é que, excepto na metalinguagem, usa aspas nestas palavras?


[Ver também aqui e aqui.]

Léxico: «asterónimo»

Substitui o nome

Asterónimo
é o asterisco (ou asteriscos) que substitui o nome próprio num texto. Por vezes, também se usam asteriscos para substituir algumas letras de palavras que são tabu, como «merda», mas o mais habitual, para este fim, são as reticências. Um exemplo: «António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, disse que A Vida Num Sopro, o último romance de José Rodrigues dos Santos, “é uma m…”» (Notícias Sábado, n.º 149, 15 de Novembro).

Topónimo: Vladivostoque


Ora cá está

«Hoje, ninguém mastiga nem ensaliva topónimos nem antropónimos estranhos. O ideal é ingerir inteiro», lamenta João de Araújo Correia na página 104 de A Língua Portuguesa (Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959]). Contudo, Владивосток estava mesmo a pedi-las. Foi o que fizeram na edição n.º 149 (15 de Novembro) da Notícias Sábado.

Transliteração do russo


Assim é mais fácil


      Reproduzo acima a tabela de transliteração do alfabeto russo para os caracteres latinos usada nos serviços da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Podem encontrar tabelas referentes a outras línguas aqui.

Sobre a palavra «juíza»

Tem mas é juízo


      «O debate instrutório do sequestro de juízas e funcionárias no Tribunal de Família de Gaia foi adiado» («Caso de ameaças adiado», Diário de Notícias, 15.11.2008, p. 23).
      Claro, juízas. Não deixa de ser impressionante o número de pessoas que ainda hesitam no uso de «juíza». A propósito do uso infeliz da palavra «poeta» referido a mulheres, escreveu João de Araújo Correia, que não é precisamente um poço de virtudes, já que até fala da «pronúncia branca»: «Pelos domingos se tiram os dias santos. O que se diz de poetisa e rainha, poderá dizer-se de ministra, embaixatriz, etc. Seria ridículo o ministro ou o embaixador que pintasse os lábios em público. Não deixe a mulher de ser mulher para exercer funções de advogado, médico e engenheiro. Seja briosamente advogada, médica e engenheira» (p. 89). No Ciberdúvidas, F. V. P. da Fonseca responde à dúvida assim: «O feminino de juiz é juíza, que se aplica tanto à mulher que exerce as funções de juiz, como à mulher de um juiz.» Bem, na linguagem informal também é a mulher do juiz, mas não me parece que isso viesse ao caso. Agora já percebo porque dizem na Internet que sou professor. Olha se a minha mulher fosse manicura.


Póvoa de Varzim


Faz-me espécie

«8.º Congresso dos Juízes começa quinta-feira na Póvoa do Varzim» («Marinho fora do congresso de juízes», Filipa Ambrósio de Sousa, Diário de Notícias, 15.11.2008, p. 23).
É assim que se vê escrito e se ouve na rádio e na televisão. Contudo, lá parece que dizem e escrevem Póvoa de Varzim. Lembram-se do conselho que aqui dei sobre perguntar a quem vive nas localidades? Também João de Araújo Correia o dá a propósito dos artigos a anteceder os topónimos: «Pessoas estranhas às localidades deveriam perguntar se o nome delas pede ou não artigo definido» (A Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 78). Nunca como actualmente foi tão fácil comunicarmos com outras pessoas.

Grandes números


Milhões, biliões... e confusões

Depois de ter visto, na semana passada, que a ministra da Saúde, Ana Jorge, não sabia o valor da dívida do Serviço Nacional de Saúde e, mesmo depois de se ter ido informar, ter dado um valor errado, dizendo que era de um milhão de euros, quando é de mil milhões, depois de ter ouvido ontem na Antena 1 alguém, ligado a um encontro sobre seguros, usar a palavra inglesa billion, depois de ter visto inúmeras confusões no uso dos grandes números, decidi voltar a abordar a matéria, desta vez publicando a tabela que se vê acima. Vejam também aqui.

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